5 de agosto de 2026

O que Hiroshima ensinou à ficção científica sobre o medo do colapso

Eduardo Rodrigues
Cadeira n.º 16

Na literatura de ficção científica, o olhar de um observador alienígena tenta decifrar por que flertamos de forma tão natural com o nosso fim

Oito décadas atrás, a humanidade, pela primeira vez, percebeu que a possibilidade da autodestruição se concretizara. Em frações de segundos, cerca de 80 mil desavisados habitantes de Hiroshima foram vaporizados por uma onda de calor que beirou os 4.000° C (para efeito de comparação, a temperatura na superfície do Sol fica em torno de 5.500º C). Embora outros eventos bélicos tenham causado mais mortes e destruição em termos absolutos — como o Cerco a Leningrado, que matou mais de 1 milhão de civis em 900 dias, seja pelos bombardeios, pela fome ou frio; ou a lendária Batalha de Stalingrado, que em 5 meses de combate ceifou a vida de 2 milhões de pessoas —, Hiroshima estabeleceu um marco por sua aterradora eficiência.

À invenção da bomba atômica se seguiu a da bomba nuclear, infinitamente mais poderosa. Felizmente, mas não sem alguns perigosos solavancos, novos ataques com bombas, atômicas ou nucleares, não se concretizaram desde então, poupando-nos da tenebrosa perspectiva de um “inverno nuclear” que dizimaria nossa civilização. Antes, porém, de celebrarmos o altruísmo e a sensatez dos líderes mundiais de 1945 para cá, devemos levar em conta que o lado sombrio dessa realidade provavelmente reside no conceito da “destruição mútua assegurada”. Em outras palavras: nenhuma potência usou uma arma nuclear contra um rival porque saberia que a reação seria tão ou mais devastadora. Mesmo assim, a Guerra na Ucrânia e a perene tensão no Oriente Médio impedem que o receio do uso de armas nucleares se dissipe no horizonte.

Estamos próximos do fim do mundo 

Para nosso infortúnio, o medo de nosso colapso civilizacional é alimentado por mais fontes. Uma delas são os eventos climáticos extremos — resultados de nossas próprias ações contra o meio ambiente — que, em termos de energia total liberada, são exponencialmente mais potentes que um artefato atômico. Um furacão de Categoria 5 equivale a explosão de 10 mil bombas; o abalo causado pelo tsunami do Japão em 2011 liberou a energia de 600 milhões de bombas de Hiroshima.

Outro elemento dessa soturna lista são as armas biológicas. Comparativamente mais baratas de produzir, quase impossíveis de se rastrear e de se controlar depois de liberadas, elas carregam um potencial de devastação incalculável. Vide a toxina botulínica, teoricamente capaz de matar 1 milhão de pessoas com apenas 1 grama de sua forma pura devidamente dispersa e inalada.

Se já não bastasse, neste século, novos itens foram adicionados ao rol de ameaças: as tecnológicas. Uma inteligência artificial geral que se torna incompreensível e foge do nosso controle; armas letais autônomas que iniciam um conflito de grande escala; manipulação genética; desinformação em massa destruindo a confiança nas instituições: as probabilidades são inúmeras.

O futuro em xeque

O curioso, no entanto, é que essa lista é composta de ameaças criadas, direta ou indiretamente, por nós mesmos. Diante disso, o que diria um observador isento, imagine um alienígena dotado de um pensamento puramente lógico? Como ele reagiria ao perceber com que facilidade nós, os homens sábios, racionalizamos nossos atos de destruição em massa e continuamos desenvolvendo artefatos que podem acabar com nossa civilização? Ou por que prosseguimos consumindo, num ritmo insustentável, os recursos naturais cruciais para nossa sobrevivência?

Em meu livro “V4T3R - Parte I: O Basilar e o Padre”, especulo um pouco sobre o comportamento desse observador isento e racional. Trata-se de um Basilar, membro de uma civilização muito mais evoluída, que se interessa pela Humanidade e suas incongruências. Sua curiosidade é tão profunda que o alienígena constrói um dispositivo que o permite se projetar na consciência de um humano para tentar entender intimamente como funciona nosso comportamento.

O primeiro hospedeiro do alienígena é um padre, em 2072. O mundo foi arruinado por mais de uma década de catástrofes climáticas, resultantes da nossa incapacidade de lidar com o assunto e nossa tendência a normalizar eventos traumatizantes. Já o sacerdote vive num ambiente desolado — uma pequena comunidade estabelecida nas ruínas de uma cidade — e trava um sério conflito interno com sua fé devido a uma tragédia pessoal. No entanto, mesmo diante de tantas adversidades, o eclesiástico consegue se manter fiel a suas decisões passadas e perseverar, desviando-se do caminho fácil do fatalismo.

Tudo isso impressiona o viajante interdimensional, que testemunha, de uma perspectiva única, o resultado de nosso impressionante colapso civilizacional. Antes de se projetar na consciência do padre, V4T3R já havia se surpreendido com as atitudes destrutivas dos humanos em relação ao planeta e ficara intrigado com o fato de nos considerarmos criaturas racionais. Considerando nossa tendência em racionalizar o irracional, creio que o alienígena não está errado.

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Imagem: criada por IA generativa  

18 de julho de 2026

Quem são os grupos participantes do Sarau Livre Vozes Poéticas – Encontro de Vozes, no 12º Festival de Arte e Cultura de Pará de Minas?

Só Mentes - O Só Mentes é um grupo de rap de Pará de Minas formado por WJ, WMC e Preto Black. Com mais de dez anos de trajetória, desenvolve um trabalho autoral marcado pela composição própria, identidade artística e compromisso com a cultura hip-hop. Além da atuação nos palcos, o grupo também contribui para o fortalecimento da cena musical independente da região por meio da produção musical realizada por Preto Black, responsável pela gravação e produção de artistas locais. Sua trajetória consolida o Só Mentes como uma importante referência do rap independente em Pará de Minas.

 

DiverCidade - O Coletivo DiverCidade de Pará de Minas é um movimento dedicado à promoção da diversidade, da inclusão e dos direitos humanos. Desenvolve ações culturais, educativas e esportivas voltadas ao combate à discriminação, à valorização da população LGBTQIA+ e ao fortalecimento da cidadania. Por meio de eventos, intervenções e atividades comunitárias, promove o diálogo, o respeito às diferenças e a participação social, contribuindo para uma cultura de inclusão e convivência democrática no município.

 

Associação Étnica Dandara - Fundada em 2017 em Pará de Minas (MG), atua na promoção da igualdade racial, na valorização da cultura afro-brasileira e no combate ao racismo. Coordenada por Maria Aparecida Silva (Cida Penha) e presidida por Arlete Maria dos Santos Silva, desenvolve rodas de conversa, oficinas, celebrações e apresentações culturais que preservam e difundem a memória, a identidade e as tradições afro-brasileiras. Ao longo de sua trajetória, a associação tem fortalecido o cenário cultural de Pará de Minas, promovendo o respeito à diversidade e contribuindo para a construção de uma sociedade mais inclusiva e igualitária.

 

Grupo de Teatro ReVerso – organizador, com a Academia de Letras de Pará de Minas - O ReVerso é formado por Carmélia Cândida, José Roberto Pereira, Marcilene Tavares e Wilsinho da Floresta. Desde 2015, desenvolve espetáculos e ações culturais que integram teatro, música, literatura, poesia, contação de histórias, oralidade e memória comunitária. Seu repertório reúne produções para públicos infantil e adulto, com destaque para Dona Baratinha, Quarto de Criança e o projeto Poesia com Cachaça. O grupo atua na valorização da cultura popular, da formação de público e da democratização do acesso à arte, promovendo experiências cênicas que aproximam diferentes linguagens artísticas, gerações e comunidades.


A 7ª edição do Sarau Livre Vozes Poéticas – Encontro de Vozes, será realizada no dia 1º de agosto de 2026, às 16 horas, na praça Torquato de Almeida, centro de Pará de Minas. Evento gratuito!

17 de julho de 2026

Academia de Letras de Pará de Minas - ALPM e Grupo de Teatro ReVerso unem forças para realizar edição especial do Sarau Livres Vozes Poéticas no 12º Festival de Arte e Cultura de Pará de Minas

Grupo em reunião na ALPM

O Sarau Livres Vozes Poéticas, projeto da Academia de Letras de Pará de Minas inaugurado em 2021, sob a responsabilidade dos acadêmicos Carmélia Cândida e José Roberto Pereira, será uma das atrações do 12º Festival de Arte e Cultura de Pará de Minas. Nesta edição, a realização passa a ser compartilhada entre a Academia de Letras de Pará de Minas e o Grupo de Teatro ReVerso, como parceiros da Secretaria Municipal de Cultura e Comunicação Institucional, fortalecendo a proposta do projeto e ampliando seu alcance por meio da participação de importantes coletivos culturais do município.

Com o tema Encontro de Vozes, o sarau reunirá, além da Academia de Letras e do Grupo ReVerso, o Movimento DiverCidade (coletivo LGBTI+), a Associação Étnica Dandara e a banda de rap Só Mentes. A proposta é construir um encontro em que diferentes trajetórias, identidades, linguagens artísticas e manifestações culturais compartilhem o mesmo espaço, preservando as características próprias de cada grupo e valorizando a diversidade que compõe a produção cultural de Pará de Minas.

A literatura continua sendo o ponto de encontro, dialogando com a música, o teatro, o rap, a oralidade e a cultura popular. Ao longo do sarau, as manifestações dos grupos se alternam e, em diferentes momentos, a roda também se abre para a participação espontânea do público, que poderá compartilhar poemas, músicas, histórias ou qualquer outra forma de expressão artística.

Na última terça-feira, 14 de julho, representantes dos grupos participantes reuniram-se na sede da ALPM para o primeiro encontro de integração e alinhamento da proposta artística. A reunião marcou o início da construção conjunta do sarau, que seguirá com ensaios nas próximas semanas.

A parceria entre a Academia de Letras e o Grupo ReVerso marca uma nova etapa do Sarau Livres Vozes Poéticas, fortalecendo a articulação entre coletivos culturais do município e reafirmando o compromisso das duas instituições com a promoção da literatura, da cultura e da participação comunitária.

A apresentação, gratuita, será no dia 1º de agosto, às 16 horas, na Praça Torquato de Almeida, no centro de Pará de Minas. Toda a comunidade está convidada a ocupar a roda, compartilhar a palavra e celebrar a riqueza das muitas vozes que formam a cultura da cidade.

8 de julho de 2026

Pausa

Márcio Simeone
Cadeira n.º 8


Ao abrigo do frio do inverno, chega o antigo Quintilis, tornado louvor ao poderoso César. O sol não tem pressa de escalar o céu vestido de cetim azul e as noites seguem roubando impunemente um pedaço da tarde. Mas o céu noturno parece mais limpo e mais profundo, como se pudéssemos ver quase todo o universo. É uma extensão do tempo: julho prolonga as festas e celebrações populares do seu antecessor, recebendo com generosidade e animação o que lá não cabe. É o mês que abre as portas das escolas, derramando crianças por toda parte, livres e barulhentas. Quase tudo sai de seu lugar. O julho da minha meninice sempre pareceu lento e suave, um intervalo preguiçoso no cotidiano, aberto a outros fazeres e a outro pensar. Um tempo com menos obrigações, convite ao sono, às reparações e às brincadeiras sem tempo, mas também aos passeios. Veio a ser depois um período de leituras, artes e festivais, tempo de enriquecer experiências, de abraçar outras ideias, perto ou longe - viagens de corpo ou de alma, como se a vida coubesse toda num longo feriado e tudo pudesse ser só poesia.

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Imagem: Criada por IA generativa 

1 de julho de 2026

Academia de Letras de Pará de Minas recebe Moção de Aplausos da Câmara Municipal

A Academia de Letras de Pará de Minas recebeu, no dia 26 de junho de 2026, em sessão solene da Câmara Municipal, uma Moção de Aplausos, de iniciativa da vereadora Irene Melo Franco, em reconhecimento à realização da 1ª Festa Literária da Academia de Letras de Pará de Minas, promovida entre os dias 7 e 10 de abril deste ano.

A homenagem reconhece o êxito da iniciativa, realizada sob o tema "Quando a Literatura te Abraça", e seu relevante impacto na promoção da literatura, na formação de leitores, na valorização dos autores e no fortalecimento da vida cultural de Pará de Minas.

Em sua justificativa, a moção destaca que a Festa Literária foi concebida em sintonia com os princípios da gestão cultural contemporânea, promovendo ações voltadas à democratização do acesso à cultura, à valorização da produção literária local e ao intercâmbio entre escritores, artistas e público. A programação reuniu autores de projeção nacional e regional, integrando literatura, música e performance em uma proposta que fortaleceu a identidade cultural e o patrimônio imaterial do município.

O texto também ressalta o alcance social do projeto, por meio das ações itinerantes de mediação de leitura realizadas junto à rede pública de ensino, contemplando estudantes em situação de vulnerabilidade social, do fortalecimento dos clubes de leitura locais e da distribuição gratuita de livros, ampliando o acesso à leitura e incentivando a formação de novos leitores.

Ao conceder a homenagem, a Câmara Municipal reconheceu, ainda, o trabalho dos idealizadores e organizadores da Festa Literária, Carmélia Cândida e José Roberto Pereira, estendendo o reconhecimento a todas as acadêmicas e todos os acadêmicos da Academia de Letras de Pará de Minas, pela dedicação à difusão da literatura e ao fortalecimento da cultura no município.

 

Vereadora Irene Melo Franco entrega a moção à presidente da ALPM Carmélia Cândida, ladeadas dos acadêmicos Eduardo Rodrigues, Vanessa Faria, Lígia Muniz, José Roberto Pereira e Andréa Moreira.

 

Além de celebrar o sucesso de um evento, a Moção de Aplausos reafirma a importância da literatura como instrumento de formação humana, de preservação da memória e de transformação social. Representa, também, o reconhecimento de um trabalho construído coletivamente, com o apoio de escritores, artistas, instituições parceiras, voluntários e de um público que acreditou e participou dessa iniciativa desde sua concepção.

A Academia de Letras de Pará de Minas agradece à Câmara Municipal e à vereadora Irene Melo Franco pela homenagem, recebida com alegria e gratidão. Que esse reconhecimento fortaleça o compromisso da instituição de continuar promovendo ações que aproximem a literatura das pessoas, valorizem os escritores e contribuam para o desenvolvimento cultural de Pará de Minas.


23 de junho de 2026

Acadêmicos fazem missão cultural a Ouro Preto

Integrantes da Academia de Letras de Pará de Minas realizaram, nos últimos dias 21 e 22 de junho, uma visita cultural à histórica cidade de Ouro Preto, onde foram recebidos pelas acadêmicas Malluh Praxedes e Ângela Xavier, lá residentes, juntamente com o artista plástico, restaurador e pesquisador José Efigênio Pinto Coelho. A delegação, composta pelos acadêmicos e acompanhantes, foi brindada com contação de história por Ângela Xavier e também com ricas explicações de José Efigênio sobre diversos aspectos históricos da cidade. Ao final da excursão, foi visitado o Palácio D'Ouro, um complexo arquitetônico e minerador do século XVIII, um espaço restaurado e ressignificado, aberto em 2022, que mantém características originais da época.

19 de junho de 2026

Academia de Letras firma parceria com o NEPSI para realização de módulo de estudos em psicanálise

Marcelo Guaraciaba, representante do Nepsi, e a presidente da ALPM Carmélia Cândida

A Academia de Letras de Pará de Minas - ALPM firmou termo de apoio cultural com o NEPSI – Núcleo de Estudos em Psicanálise, autorizando a utilização temporária de sua sede para a realização de encontros do módulo temático promovido pelo grupo ao longo de 2026.

A parceria foi formalizada  oficialmente no dia 17 de junho de 2026, por meio de Termo de Apoio Cultural firmado entre a Academia de Letras de Pará de Minas e o NEPSI para a realização de encontros entre junho e outubro de 2026.

O termo foi firmado em 17 de junho na Sede da ALPM
 

A iniciativa integra a proposta da Academia de ampliar a ocupação cultural de seu espaço, fortalecendo sua atuação como ambiente voltado à formação, à produção e à circulação do conhecimento, bem como ao diálogo entre diferentes áreas do saber.

Fundado em 2018, o NEPSI desenvolve, em Pará de Minas, atividades de estudo e aprofundamento da psicanálise, reunindo profissionais, estudantes e interessados na área. Ao longo de sua trajetória, o núcleo tem promovido grupos de estudo, debates e encontros com pesquisadores, professores e psicanalistas convidados, contribuindo para a difusão e o intercâmbio de conhecimentos.

O módulo previsto para 2026 abordará o tema “Intervenção coletiva e social: por uma psicanálise que alcance todas as classes sociais”, propondo reflexões sobre a inserção da psicanálise nos diferentes contextos da vida social e comunitária.

Entre os meses de junho e outubro de 2026, serão realizados sete encontros na sede da Academia, proporcionando aos participantes um espaço de estudo, reflexão e troca de experiências em torno da temática proposta.
Para a presidente da Academia de Letras, Carmélia Cândida, a parceria representa mais uma oportunidade de ampliar o alcance das atividades desenvolvidas pela instituição e fortalecer sua presença na vida cultural do município: “A Academia de Letras busca manter sua sede aberta a iniciativas que promovam o conhecimento, a reflexão e o diálogo. Receber o NEPSI é motivo de satisfação e reafirma nosso compromisso com o incentivo a atividades culturais, educativas e formativas de interesse da comunidade.”

A realização do módulo pelo NEPSI na sede da Academia reforça a vocação do espaço para acolher atividades culturais, educativas e formativas, ampliando o acesso da comunidade a iniciativas voltadas ao conhecimento, à reflexão e ao intercâmbio de saberes.