14 de abril de 2026

Caminhos da Palavra: Rodrigo Campos e a vida de Meireles

  

Foto:Mendes Fotografia

O livro "A República de Meireles" foi apresentado na mesa-redonda "Caminhos da Palavra" como obra de estreia no mundo literário de Rodrigo Silva de Oliveira Campos. Nascido em Pará de Minas, possui uma carreira como empresário do setor de defesa e segurança e se interessou pelo resgate da identidade cultural de pequenas comunidades, utilizando a escrita para documentar essas histórias. Lançou, então, sua primeira publicação, nascida da vontade de eternizar os muitos casos ouvidos na localidade de Meireles, povoado da zona rural de Pará de Minas, dividido da sede pela Serra do Caracol. 

A República de Meireles é uma publicação que resgata mais de cem anos de história do povoado. Rodrigo Campos se dedicou a compilar histórias, personagens e aprendizados da comunidade, destacando características fundamentais como a resiliência da população frente às provações enfrentadas, a forte união familiar e a sabedoria popular dos moradores. Além de reconstituir o passado, o livro aborda as lutas presentes da comunidade, documentando conquistas já alcançadas e reivindicações para melhorias na qualidade de vida. Mistura prosa poética, relatos documentais e a tradição oral. O livro é recheado de "causos", personagens pitorescos e mistérios locais.

Rodrigo Campos ressaltou que a obra pertence a toda a comunidade, sendo construída com a participação e o sentimento de pertencimento de seus moradores. Assim, não se coloca como autor, mas como um "escriba" que dá voz agora a essas pessoas. Coloca em evidência a importância da memória coletiva, reafirmando o valor das raízes comunitárias.

Foto: Mendes Fotografia

A mesa "Caminhos da Palavra" foi realizada dentro da programação da 1.ª Festa Literária da Academia de Letras de Pará de Minas, destinada à valorização de autores com vínculo com Pará de Minas que se encontrem em início de trajetória literária, promovendo o diálogo sobre processos criativos, publicação e perspectivas de formação no campo da escrita. A partir de inscrição prévia em chamada pública, foram selecionados três escritores, que participaram de uma conversa mediada pela presidente da ALPM, Carmélia Cândida.

 

 

13 de abril de 2026

Abertura da 1ª Festa Literária da Academia de Letras de Pará de Minas celebra a palavra em suas múltiplas formas

 

A Presidente da ALPM, Carmélia Cândida, abre a 1.ª Festa Literária
Foto: Mendes Fotografia 

A noite de 7 de abril marcou o início da 1ª Festa Literária da Academia de Letras de Pará de Minas com uma abertura que reuniu diferentes linguagens artísticas e colocou a palavra no centro da experiência. Com o tema "Quando a literatura te abraça", o evento, aberto ao público, se estendeu por quatro dias, com atrações diversas: contação de histórias, conversa com escritores estreantes, encontro com clubes de leitura e aproximação com escolas da cidade.

  

No Teatro Municipal,uma noite literária
 Foto: Mendes Fotografia

 A abertura foi realizada no Teatro Municipal Geraldina Campos de Almeida. A cerimônia teve início com a apresentação de Ana Cláudia Saldanha e Júlio Saldanha, que, por meio da música e da literatura, conduziram o público a um momento de sensibilidade e encontro. Parceiros na vida e na arte, o casal reafirmou, em cena, a trajetória dedicada ao fortalecimento da cultura em Pará de Minas.

  

Ana Cláudia e Júlio Saldanha: poesia e música
 Foto:Mendes Fotografia

  
 
 A escritora Leila Ferreira fala sobre seu trabalho e sobre seu novo livro
Foto:Mendes Fotografia 
 
Na sequência, o público foi convidado à reflexão com a presença da escritora e jornalista Leila Ferreira, em uma conversa guiada pela pergunta “Quanta vida cabe dentro de uma vida?”. Com escuta atenta e participação do público, a autora compartilhou experiências, pensamentos e provocações sobre o tempo, as escolhas e os sentidos que construímos ao longo da existência.

A noite seguiu com sessão de autógrafos de obras da autora, aproximando ainda mais escritora e leitores em um momento de troca direta e afetiva
Foto: Mendes Fotografia
 
 
 
 
 
 
 

12 de abril de 2026

Faces de uma moeda

Geraldo Phonteboa
Cadeira n.º 14

Não somos totalmente bons, mas também não somos totalmente maus. Temos valores em nós, princípios éticos, vontade e desejo de acertar sempre. Mas também há coisas que fazemos e que não temos orgulho de fazer. Quantos sentimos ruins sentimos? Somos enfim como moedas, temos duas faces. E como cada um de nós somos únicos, essas faces não são de uma mesma moeda. Cada um de nós com as nossas faces duplas únicas. Esta é a ideia que regeu os versos abaixo:


UMA FACE DA MOEDA
 

Pago aluguel e uso gravatas
Mas sei que há um monstro que mora
No avesso de mim.

Através do vidro transparente 
Meu olhar faz corte elegante
De tão limpo
Como se sentisse a fome
De um estômago vazio

O ódio que sinto
Queima por dentro
Como um gelo absoluto
A construir uma catedral
Sob meus ossos.

E no salão nobre
Sob reflexos de espelhos
Danço abraçado ao egoísmo
Sob o som da indiferença

Sinto-me luz desistente

E no avesso do peito que,
De tanto se esconder,
Esquece como se traduz
O próprio nome.

Luto com todas as minhas forças
Todos os dias
Só para sair desse abismo.

E na busca de dignidade
Caminho...
Como uma moeda
Sou composto de duas faces.



A OUTRA FACE DA MOEDA


Somos gigantes de argila
Sob o peso leve da luz
Mesmo com os músculos cansados
E com as mãos trêmulas 
Sustentamos o céu.

No labirinto ético
Escolhemos caminhar
Mesmo sabendo
Que todos os atalhos
Se apresentam mais seguros
E diretos.

Nossa coragem aprendeu
A rezar baixinho
Enquanto caminhamos.

Limpamos o caos
E construímos
Arquiteturas invisíveis,
Inventamos a sede de ser rio,
Mas o perdão
É mais alto que o silêncio.

Abrimos caminhos
Para que Outros 
Também possam ser
Gigantes de argilas.

Luxuosa simplicidade
de nos humanizar.

E mesmo com músculos
Cansados,
E com
Mãos trêmulas
Sentimos o leve
Peso da Luz. 

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Imagem: criada por IA generativa

9 de abril de 2026

ALPM na tevê: Abertura da 1.ª Festa Literária

Reportagem da TVI Pará de Minas destaca a abertura da 1.ª Festa Literária da Academia de Letras de Pará de Minas, ocorrida em 7 de abril.

8 de abril de 2026

Integrante da ALPM lança livro infantojuvenil em Belo Horizonte

A acadêmica Ângela Leite Xavier, cadeira n.º 1 da ALPM, lançará, no próximo dia 11 de abril, o seu livro "Em Busca do Tesouro", em Belo Horizonte. Publicado pela Literíssima Editora, Em Busca do Tesouro teve seu lançamento inicial em dezembro passado, no Restaurante Seu José, em Ouro Preto.

A literatura infantojuvenil ganha um novo título que conecta fantasia, história e cultura afro-brasileira. No livro Em Busca do Tesouro, os jovens Soba, Camélia e Pedro embarcam em uma viagem no tempo para desvendar o mistério de uma chave de ouro ligada a uma antiga mina. A trama, ambientada em cenários históricos de Ouro Preto (MG), resgata relatos reais e histórias que escaparam à versão oficial do passado.

Inspirada pela experiência da autora como professora de História na cidade, a obra utiliza cenários emblemáticos da cidade para evidenciar a presença africana e afro-brasileira na formação social e cultural da região. Com isso, traz uma abordagem sensível sobre memória, identidade e reparação histórica. Propõe uma leitura acessível e instigante para crianças, jovens e educadores, destacando-se como ferramenta de valorização de narrativas que são frequentemente ignoradas e silenciadas.

O lançamento será no dia 11 de abril, sábado, na Casa Literíssima, à Rua Dom José Gaspar, 365, em Belo Horizonte, das 14 às 17 horas.




2 de abril de 2026

A escritora Leila Ferreira abrirá a 1.ª Festa Literária da ALPM

Foto: divulgação

A conhecida jornalista e escritora Leila Ferreira é convidada da 1ª Festa Literária da Academia de Letras de Pará de Minas com o bate-papo “Quanta vida cabe dentro de uma vida?". Logo após o bate-papo ela autografará seu novo livro “O nome disto é vida”, lançado pela Editora Planeta. A presença da escritora será na abertura do evento da ALPM, no dia 7 de abril, terça-feira, no Teatro Municipal Geraldina Campos de Almeida (Praça Torquato de Almeida, 26, Centro, Pará de Minas), às 20 horas, com entrada franca e acesso por ordem de chegada, respeitando a capacidade do espaço.

Leila é autora de sete livros, entre eles os best-sellers "A arte de ser leve" e "Que ninguém nos ouça" (este em coautoria com Cris Guerra), ambos publicados pela Editora Planeta. Formada Em Letras e em Jornalismo, foi repórter da Rede Globo Minas, colaboradora de vários jornais e revistas e, durante dez anos, apresentou o programa Leila Entrevista (Rede Minas de Televisão e TV Alterosa).

O livro mais recente, que será autografado na Festa Literária
Foto: divulgação
 
Em "O nome disto é vida", Leila viajou por nove países e conversou com 22 pessoas de perfis variados - filósofos, escritores, um pastor de ovelhas, um montanhista, uma atriz, um capelão hospitalar, o dono de um moinho de vento. Essa jornada foi motivada por questões profundas: a busca obsessiva da felicidade, o vício da pressa e a incapacidade de parar, redes sociais, consumismo, depressão, ansiedade, finitude e fé. O resultado é um convite à reflexão sobre as vidas que levamos e as vidas que poderíamos levar.

 

1 de abril de 2026

Abertura para a noite

Márcio Simeone
Cadeira n.º 8



Seu nome sugere abertura, reflexo das impressões do outro hemisfério em estação inversa. Para mim sempre aparentou fechamento: uma sensação de repouso da terra e das agitações humanas do verão que se foi, acalmado em seus estertores pela vivência quaresmal. Uma quietude relativa, a requerer contemplação de sinais da natureza e uma renovação da fé, especialmente a transmutação das folhas em ouro. Abrir também pode significar uma aceitação poética de deixar entrar em si o vazio e reconhecer as perdas, desapegar-se como as plantas que soltam suas folhas envelhecidas para mais tarde criar novas. Os dias se recolhem e fecham sobre si; nos ensinam a abrir mão da luz, soltando-nos para a noite mais longa e fresca. Abril da minha infância é o que começa com mentirinhas e pregações de peças. Traz a memória do início de dias secos e luminosos, céus limpos e intensamente azuis, com resquícios da quentura, quebrados aqui e ali por alguma chuva leve. Sentia o ar esfriar preguiçosamente e ouvia o outono trazer as suas primeiras revelações, a meio tom. A nós cabia prever, pelo caminhar dos dias, se o inverno seria menos ou mais quente, menos ou mais seco, o que frequentava quase todas as nossas conversas comezinhas. Tínhamos sempre a impressão de que essa atividade especulativa acertava em seus prognósticos intuitivos. Era tempo de redescobrir o aconchego da casa, sabendo a café e bolo de fubá.

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 Imagem: criada por IA generativa