5 de outubro de 2026

Academia de Letras de Pará de Minas participa da Troca de Livros Siciliana

No dia 3 de outubro, das 9 às 11 horas, a Troca de Livros Siciliana reuniu leitores em torno da circulação de livros e do incentivo à leitura. A iniciativa, promovida pelo Clube de Xadrez Siciliana, possibilitou aos participantes trocar obras já lidas por outros títulos, ampliando o acesso a diferentes autores e histórias.

O evento contou com o apoio da Academia de Letras de Pará de Minas (ALPM), Câmara Municipal de Pará de Minas, Fapam, Maxxi Química, OAB Pará de Minas, Pará News MG, Tecno Print e Shopping Fabrika Mall.

Acadêmicos Eduardo Rodrigues, Renata Teixeira e Francisco Villas Boas participando da atividade

A programação contou com a participação dos escritores e acadêmicos Eduardo Rodrigues, Francisco José Villas Boas Neto e Renata Teixeira, convidados para compartilhar suas experiências e dialogar com o público. A presidente da ALPM, Carmélia Cândida, também esteve presente.

 
Carmélia Cândida, presidente da ALPM

O encontro reuniu diferentes manifestações e atividades culturais. Enquanto os livros circulavam entre os participantes, partidas de xadrez aconteciam no mesmo espaço, e o público também pôde acompanhar a participação das Cantadeiras de Engenho, grupo formado por mulheres que interpreta músicas folclóricas.

Cantadeiras de Engenho e Ariane Pacheco, presidente do Clube de Xadrez

A iniciativa proporcionou um espaço de convivência entre leitores, escritores, jogadores de xadrez e integrantes de uma manifestação da cultura popular, aproximando diferentes públicos e formas de expressão cultural.

 

A participação da Academia de Letras de Pará de Minas reforça sua atuação na promoção da literatura, na formação de leitores e na criação de espaços de encontro e intercâmbio cultural.


22 de setembro de 2026

Nasce o Coletivo Ocupa Mulheridades em Pará de Minas

Sentadas, da esquerda para a direita: Naliene Clemente, Irene Melo Franco, Michelle Vitória, Luciana Tavares, Janaína de Freitas, Tainara Brandão, Priscilla Messiane. Em pé: Carmélia Cândida, Laís Fortunato, Nayara Lopes, Fabíola Nogueira, Camila Silva, Carla de Mendonça, Bianca Castro e Alexandra Maria.

  

Na noite de 21 de setembro de 2026, nasceu, na sede da Academia de Letras de Pará de Minas – ALPM, o Coletivo Ocupa Mulheridades. Dezesseis mulheres participaram do primeiro encontro, entre elas a presidente da Academia, Carmélia Cândida, que também passa a integrar o coletivo. A noite foi marcada pela troca de ideias, escuta, acolhimento e discussão sobre os caminhos que o novo grupo pretende construir.


A iniciativa surgiu a partir de vivências e debates entre Priscilla Messiane, Camila Silva e Ketlen Carolaine – ativistas LGBT e integrantes do Movimento DiverCidade, na coordenação de representação da Aliança Nacional LGBTI+ em Pará de Minas. O convite foi feito – e continua sendo – a todas as mulheres, de diferentes classes sociais, raças e etnias, identidades de gênero, orientações sexuais, profissões, condições físicas, experiências e perspectivas.


O Ocupa Mulheridades nasce com a proposta de criar um espaço seguro de diálogo, acolhimento e conscientização, alcançando mulheres de diferentes comunidades de Pará de Minas, da zona rural ao centro e das periferias aos diversos espaços de convivência da cidade. A intenção é promover o encontro entre diferentes realidades, discutir pautas que dizem respeito às mulheres, defender direitos e construir ações voltadas para uma sociedade mais justa e comprometida com a dignidade de todas.

A Academia de Letras de Pará de Minas é parceira da iniciativa e disponibiliza sua sede para os encontros do coletivo, acolhendo em seu espaço um movimento que reúne mulheres de diferentes realidades e amplia as possibilidades de diálogo, participação e construção coletiva.

O próximo encontro do Ocupa Mulheridades será realizado no dia 26 de outubro, às 18h30min, na sede da Academia de Letras de Pará de Minas. O coletivo é aberto a todas as mulheres. Se você quer participar, trocar experiências, conhecer outras realidades, discutir questões que fazem parte da nossa vida e contribuir com ideias e ações, venha fazer parte. Há espaço para você.

Por Carmélia Cândida
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19 de setembro de 2026

Academia comemora 29 anos e projeta as comemorações do 30.º aniversário

Há 29 anos, em 20 de setembro de 1997, era fundada a Academia de Letras de Pará de Minas. Nascia, assim, junto à celebração do aniversário de emancipação política e administrativa de Pará de Minas, um presente para a própria cidade. Assim, reunião festiva realizada na sua sede, no Centro Literário Pedro Nestor, no dia 19 de setembro, marcou seus 29 anos de muitas realizações. Desta forma, deu início às comemorações dos 30 anos, a serem completados em 2027.


A presidente da ALPM, Carmélia Cândida, ressaltou na ocasião a crescente importância da entidade, dando especial destaque a todos os integrantes que, desde o início, foram construindo e consolidando a Academia. Depoimentos e histórias também marcaram o encontro, cada qual destacando aspectos importantes do trabalho da ALPM em prol da arte e da cultura da cidade e mesmo seu significado na vida pessoal. Estiveram presentes não apenas atuais membros, mas ex-integrantes, do corpo fundador da Academia, autoridades municipais, membros de clubes de leitura, parentes e amigos.



18 de setembro de 2026

Acadêmico Francisco Vilas Boas participa da Bienal do Livro de São Paulo e é nomeado para a Comissão Especial de Direito e Literatura da OAB Nacional

A Bienal Internacional do Livro de São Paulo de 2026 foi realizada entre os dias 4 e 13 de setembro e reuniu autores, editoras e leitores de diferentes partes do país. Entre os escritores convidados esteve Francisco Vilas Boas, membro da Academia de Letras de Pará de Minas, que participou da programação do evento com exposição e sessão de autógrafos de seu livro "Eu não tenho lugar de fala".

Francisco Vilas Boas e sua esposa Amanda na Bienal do Livro

A participação do escritor ocorreu no dia 13 de setembro, no estande da Editora Labrador, responsável pela publicação da obra. O livro propõe uma reflexão sobre racismo, machismo e outras formas de preconceito, utilizando uma linguagem acessível e irônica.


Além da participação na Bienal, Francisco, por indicação da OAB Mineira, foi nomeado para integrar a Comissão Especial de Direito e Literatura da OAB Nacional. A Comissão tem entre seus objetivos promover o diálogo entre os universos jurídico e literário, valorizar a linguagem, estimular a reflexão humanística e contribuir para a formação crítica da advocacia por meio da literatura.

Para Francisco, a participação na Bienal e a nomeação para a Comissão reforçam a aproximação de duas áreas que fazem parte de sua trajetória: o Direito e a Literatura. Professor de Direito, advogado e escritor, o acadêmico desenvolve trabalhos que buscam estabelecer diálogos entre a reflexão jurídica, a literatura e questões sociais contemporâneas.

A Academia de Letras de Pará de Minas parabeniza o acadêmico e celebra sua presença em um espaço de grande importância para a literatura, que aproxima autores, leitores e diferentes áreas do conhecimento e reafirma a força da palavra como instrumento de reflexão e diálogo.

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17 de setembro de 2026

Igrejinha do Rosário

Conceição Cruz
Cadeira n.º 4

  

Ainda estou mergulhada na egrégora de espiritualidade, de proteção e de amor vivida no Levantamento das Bandeiras: Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Ifigênia, na noite de sábado, 12.09.2026, na Igrejinha do Rosário, bem como na continuidade, no Domingo, nas festividades do V Encontro de Congadeiros, no município de São José da Varginha...

De fato, foi possível sentir os versos da canção dos Congadeiros: "A Senhora do Rosário foi quem me trouxe aqui..."

Nem a fotografia, nem a filmagem, nem as palavras demonstram o vivido, o sentido e o experienciado ali...

Um contraste entre a grandiosidade, a magnitude do momento com tanta singeleza e humildade...

Assim como o Evangelista Lucas, há tempos, apregoou: Ele olhou para a humildade de sua serva...

Do Alto - envolta - no seu Rosário, na Igrejinha, Ela, também, olhava para a humildade daquele povo vindo de diferentes regiões de Minas, um "quase Mago do Congado” ...  Todos reverenciando aquele momento, inspirando-nos na perseverança, na fé e na tradição...

Percebia-se o encanto, o respeito, a religiosidade, o zelo, o cuidado, o desejo de continuidade das festas, na ornamentação de cada Santo - cuidadosamente - preparada...

Ouvindo o som forte dos tambores, no átrio da ermida, já na chegada, o encontro com o Sagrado: a oportunidade solene de ver transportada a âmbula cheia de hóstias da Igrejinha para a Mina de Padre Libério...

O cortejo dos três santos feito por pessoas de diferentes idades - elegantemente - vestidas para a ocasião de festa, de gala do Congado, com cuidado e zelo, demostrando quem são os verdadeiros guardiães da religiosidade, da história, das memórias e de toda a nossa ancestralidade...

Naqueles instantes, os registros imagéticos feitos sob a ótica de Márcio Simeone, acadêmico da ALPM - Academia de Letras de Pará de Minas, imortalizaram-se... Captura de diversas cenas não suscetíveis a outros olhares...

As famílias festeiras, recriando a tradição de José Alexandre da Cruz e de Maria Geralda da Cruz, de mais de 50 anos: recepção das guardas visitantes, para café, almoço e repouso em seus lares... 

É inesquecível a saudação da Guarda ao entrar na casa e entoar os cantos de chegada, ao redor da mesa, antes e após a refeição e também aquele de despedida...

O olhar de nossa anfitriã - Mariinha do Quiel - era tão vibrante e caloroso quanto o forno de barro - onde eram preparadas as gostosuras, desde as três horas da madrugada, para servir comida fresca, da melhor qualidade, temperada com bastante bom humor, amizade e carinho...

Na hora do almoço, toda a Guarda de Congo Marinheiro de Pará de Minas - MG atenta ao apito do capitão, iniciava ou findava a sua cantoria ao som dos tenazes tambores... 

No meio dela, Isis, uma das mais jovens, tocava o seu instrumento com bastante atenção e alegria...

De certa forma, conservo um coração guardião...

Guardo, no meu peito, saudades de um tempo - no qual não vivi - mas que está vivo dentro de mim, por meio das histórias que, desde a minha infância, ouço contar pelos pais e irmãos mais velhos e amigos que ainda vivem em São José da Varginha/MG.

A minha família: José Alexandre da Cruz, Maria Geralda da Cruz e meus irmãos, todos católicos, cristãos fervorosos e praticantes, moravam ao lado da Igrejinha do Rosário, a mesma que permanece até hoje ali, cheia de histórias, o mesmo Rosário feito -verdadeiramente – de rosas...

Casa santa e mesa farta! Era sagrado o acolhimento dos congadeiros para as refeições em nosso doce e terno lar!

O arroz, o feijão, a salada crua, as verduras cozidas, as frutas, a macarronada com frango, o pernil traseiro assado, com gordurinha, temperado, marinado na gamela: todo furadinho para entrar bastante alho e limão, um pouco de sal e pimentinha... a sobremesa, aquele cafezinho com a rapadura picada para coroar tudo...

“A comida não cheirava... Perfumava a Igreja Nova” ...  Bairro onde localizava e localiza a Igrejinha do Rosário...

Assim tenho registrado ao ouvir relatos de memórias afetivas e gustativas contados por aqueles que conviveram com eles...

Meu pai e minha mãe - já habitantes da Pátria Celeste - preparavam tudo, tudo com o máximo de Respeito, de entusiasmo e de carinho... 

E de forma muito inspiradora...

Talvez, como forma de preservar um pouco das inúmeras histórias de amor incondicional, de doação - de suas atuações como cidadãos de bem e de homenageá-los - é que, naquela cidade, no Bairro São Francisco, está presente e imortalizado o nome dele em uma daquelas vias:

Rua José Alexandre da Cruz.

Ele permanece vivo na memória e no coração de um povo: quantos ensinamentos, tantas alegrias...

Quanta saudade brotou na minha alma, ou mesmo, na minha imaginação, ao reavivar essas memórias do Congado ali e ao visitar aquela pequenina rua... ao ser fotografada ao lado de uma singela placa, a qual contém o nome de uma personalidade que tem grande importância para mim e para todos nós, especialmente, para os antigos moradores da região, que sempre tem um " causo" dele para nos contar enquanto legado.

Foi emocionante ver a repetição da história, quando o Padre citou as sete famílias que receberiam as guardas visitantes em seus lares...

Além do receptivo na Mina...

Foi acolhedor o sorriso da Alcione, viúva do Congadeiro Bolão, da Mariinha do Quiel, a presença, na cozinha, do Aniceto e Celinha e de tantos outros colaboradores da fé...

Neste V Encontro de Congadeiros de São José da Varginha, no meio de várias pessoas presentes,  Padre Geraldo Gabriel - grande entusiasta da Festividade e das celebrações - colocou, no altar, o nome de pessoas significativas que deixaram registradas as suas marcas no Congado: Bolão, Congadeiro de São José da Varginha, do querido Mestre do Congado Senhor Zé Penha e outros... Ressaltando a importância e lacuna do Mestre Zé Penha, além de tantos outros grandes nomes... Congadeiros que mantiveram e transmitiram a tradição e que - certamente -  devem estar fazendo a Festa do Rosário em territórios celestiais...

No ar, uma pergunta fluía...
Muitos capitães já faleceram e quem será capaz de levar adiante esta Bandeira, de geração em geração?

A Assembleia ficou em silêncio e introspectiva...

Naqueles momentos de convivência, senti um amor tão grande - mas tão grande - por todos dali, pelos seus antecessores e também por tantas pessoas de outras localidades, mesmo sem, diretamente, conhecê-las e as quais admiro por meio da expressão delas de fé, simplicidade, religiosidade, tradição, acolhimento, generosidade, espírito comunitário...

Uma forte conexão com o passado, com o Divino, com a Senhora do Rosário, porém ao mesmo tempo - num paradoxo - uma certa ansiedade em relação ao futuro dessas festividades e celebrações...

Mas...

Ouvia-se uma voz...

Era a voz infantil do capitão mirim, despertando-nos: uma centelha de esperança, uma vez que ele já traz, nos ombros, a potência de todo um legado e, no coração, a vontade de fazer renascer, no coração dos outros, todo o somatório coletivo de energias das nossas crenças, de nosso conhecimento e o desejo de nossos antepassados em relação à manutenção e salvaguarda da tradição...

As festividades e as palavras do sacerdote - protagonista dos festejos da Igrejinha do Rosário, do Congado e Reinados: Padre Geraldo Gabriel de Bessa, movidas pela tradição e pelo Sagrado, aguçou, em muitos, a responsabilidade e a vontade de levar adiante esse laborioso ideal... 

De forma especial - a exemplo dos antigos Sinos da Igrejinha, a sinergia espiritual a congregar mais pessoas, numa perfeita corrente do bem, para abraçarmos a causa...

Aqui hoje, finalmente, num contraponto, ao mesmo tempo, sinto que tudo isso tem uma expressão de resistência e resiliência - em sua própria força motriz - ao longo dos anos, o que nos permite acreditar na sucessão, a exemplo da nossa ancestralidade, uma vez que existe um viés Divino permeando tudo...

Ainda que o tenha - por outro lado - não podemos perder o trem dessa história... 

Devemos ser sujeitos dela, com a parte que nos couber nela, para mantê-la viva, por meio da fé, da força, da memória, da tradição, da cultura e da religiosidade...

Sigamos unidos!

Cidadãos, poder público e guardas de Congado com gestão compartilhada do futuro desses relevantes eventos e encontros culturais, festas e celebrações religiosas... 

Dando-nos a certeza de que - realmente - a Senhora do Rosário foi quem nos trouxe aqui e até aqui. Dessa forma, Ela norteará e nos auxiliará nos próximos passos para manutenção dos importantes patrimônios - materiais e imateriais - religiosos regionais: Igrejinha do Rosário e Festa do Reinado, do Congado, por toda a nossa existência, com certeza! 

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Fotos de Márcio Simeone (a foto do capitão mirim foi extraída do vídeo de transmissão da Missa pela Rádio Santa Cruz de Pará de Minas)

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