Era uma vez um espelho...
Bem lá no fundo do salão, com suas secretas histórias...
Pelos tons escuros e espessura do vidro, sabia-se que ele guardava significativas memórias de século passado e de que tudo via, silenciosamente...
Dessa vez, era a Primeira Festa Literária da Academia de Letras de Pará de Minas, na própria Casa dos Escritores...
2026, abril...
Todos chegavam ali, sem perceberem a sua presença...
Mas, silente, sem ninguém importunar, ia refletindo cada imagem ali presente...
Ao seu lado, um banco e cadeiras que atravessaram épocas...
Foi dali, ao lado dele, que muitos viram chegar o convidado mais esperado daquela noite especial, para contar histórias e mais histórias...
Era a Prosa ao pé do fogão imaginário...
O escritor e contador de história com sua “companheira sonsa”, entraram na sala, entoando um canto contagiante ...
À medida que as histórias se desenrolavam, o encantamento do público se agigantava...
De repente, estavam todos cantando, agitando as mãos, os braços, no ritmo melódico...
As pausas eram preenchidas por ruidosas palmas...
Um evento singular, a despertar a criança interior, tamanha alegria reinante naquela noite festiva de encerramento...
A Magia Literária regia todo o espaço, corações e mentes...
E o espelho estava ali, recebendo toda a energia, transmutando-a em vibrações de paz, de confraternização, de acolhimento, próprias de um Espírito Acadêmico...
Lá fora, a chuva grossa lavava as almas, as calçadas...
Em contraponto - dentro - percebia-se um carinho expresso em cada detalhe daquela sala: tudo - cuidadosa e mineiramente preparado: a toalha e a cortina brancas, o bolo de fubá, a variedade de queijos e tantas outras iguarias...
Além dos saberes e dos sabores, das memórias gustativas e por que não dizer, afetivas - também - podia-se ouvir o palpitar de tantos corações apaixonados pela Arte: artistas iniciantes ou experientes, jovens, idosos preenchiam os inúmeros assentos...
Todos pareciam esquecidos de seus papeis sociais e de suas tarefas mais comezinhas...
História vai... História vem... Desde era uma vez...
O artista recordou à plateia o melhor de todos os presentes...
As luzes dos celulares e das máquinas fotográficas bailavam pelo ar, sem descansarem...
Atento e ouvindo tudo, o espelho, naquela noite, não estava no foco das câmeras ágeis que buscavam os olhares e as expressões das pessoas...
Eis que, de repente, num átimo de segundo, de forma desproposital, a luz viajante chegou até ao fundo do salão...
E assim, uma foto registrou o espelho, eternizando-o ali, naquele evento, tal como se apresentava: de corpo e alma totalmente... Presente!
Ele, o espelho - de maneira singela - ao se permitir ser capturado, tornou-se capturador, imortalizando também - naquele ocasional instante - o seu presente, juntamente, com seu casual admirador!
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Imagem modificada por IA generativa

















