quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Escrever...

 


O escritor José Roberto Pereira ocupa a cadeira n.º 12 da Academia de Letras de Pará de Minas


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Uma publicação do projeto "Em dia com a poesia", de Carmélia Cândida e José Roberto Pereira, membros da ALPM.

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Conceição Cruz
Cadeira n.º 4


Lá vem o sol
com sua Energia
A trazer um novo dia!

Lá vem o vento
Brisa ou não?
Ou será um furacão?

Lá se foi a nuvem
A pegar carona com o vento….

Lá vem a água
Para molhar o mato!

Lá se foi o fogo no mato
que brincava de amarelinha
na aldeiazinha…

Lá vem a índia
com seu arco e flecha
Mirando a lua!

Lá se foi a lua
que brincava de esconde-esconde
nas ruas ...

A indiazinha
bebeu água,
Correu pelo mato, 
cuidou das flores....

Com seu arco
e flecha mirou o sol…
Acertou o vento!

Sorriu!
Agradeceu!
Adormeceu!

E assim se foi...
Lá!

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segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Amanhecer, entardecer!

Ailton José Ferreira
Cadeira n.º 7


AMANHECER com um sorriso, ENTARDECER sem tristeza e apreciar o céu em sua magnífica beleza!

AMANHECER na Graça de Deus, ENTARDECER com uma viola e cantar no perfume de uma paixão!

AMANHECER com a força da oração, ENTARDECER com o amor no coração!

AMANHECER sempre com uma flor nas mãos, ENTARDECER sentindo o perfume de uma admiração!

AMANHECER com a força de uma vida, ENTARDECER com a pulsação forte de mais uma vitória merecida!

AMANHECER com a felicidade distribuída, ENTARDECER com uma gratidão recebida!

AMANHECER no jardim da eternidade, ENTARDECER no caminho da verdade!

AMANHECER com a luz em todo o seu ser, ENTARDECER sem deixar a escuridão te envolver!

AMANHECER para a humildade te enriquecer, ENTARDECER para a vaidade não te empobrecer!

AMANHECER para o caminho seguir, ENTARDECER para o objetivo conseguir!

AMANHECER sempre que Deus te permitir, mas ENTARDECER sempre que Ele te dirigir!

AMANHECER para de novo nascer e ENTARDECER para de novo continuar a viver!

AMANHECER para sempre amar, ENTARDECER para sempre se apaixonar!

AMANHECER junto de uma paixão e ENTARDECER ao seu lado com prazer!

 

           QUE DEUS ABENÇOE A TODOS!                                   


segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Metanóia - Intervenção Poética: carta a uma estudante de Psicologia

Conceição Cruz
Cadeira n.º 4


Querida Estudante,


Sofri ao ver as notícias nos jornais e perceber a luta interna dentro de você!


Sei que está muito impressionada com todo o quadro de violência social, inclusive, a velada, pois, como me disse, acabou de estudar sobre a importância da família, o papel do Pai e da Mãe, a fase da adolescência e de sua contestação social etc.


Diante do quadro de uma provável e iminente morte, a necessidade de espera dos Bombeiros... a falta de profissionais de saúde em todo o sistema etc.


Não se conforma com as “selfies” feitas pelas pessoas ao lado de quem está, literalmente, agonizante! Diga-se, duplamente, não é mesmo?


Sei que organizou, junto com outras quatro amigas, uma passeata silenciosa na Universidade... (inspirada em Gandhi, em sua resistência passiva?!)


Parabenizo-lhes por terem saído das raias do medo, pela iniciativa, pela capacidade de indignação, de se colocarem no lugar do outro, por vencerem o torpor da inércia, enfim, pela ação! 


(In)felizmente, todos cumpriram seus deveres! E a pessoa adolescente... morreu! 

(Aqui, abre-se um parêntese e pergunta-se: 

- quantos adolescentes, especificamente, negros e negras são, diariamente, sacrificados? 

- A prática da violência do racismo silencioso? 

- Da homofobia?

- Quantas mulheres se “auto-exterminam” cotidianamente?

- O terrorismo no mundo? 

- O que leva uma pessoa jovem a estar na rua, assaltando, ao invés de estar na escola? 

- Estupros em Igrejas e Universidades? Estupros coletivos?

- Será que a Sociedade cumpre o seu papel?

- Será a luta diária pelo pão? 

- A falta de reestruturação do currículo? 

- As drogas? 

 - A ausência da família? 

Repito: o que leva uma pessoa jovem a estar na rua, assaltando, ao invés de estar na escola? 

- Será que a Sociedade cumpriu o seu papel?

- E a polícia: diante da falha eminentemente social, vai carregar o peso na sua vida e em sua alma, pelo estrito cumprimento de um dever! 

Vale lembrar-se das pessoas de bem que são diariamente assaltadas em ponto de ônibus e dependem de transporte e segurança pública para a sobrevivência... 

- E os estudantes? 

- A violência na porta de uma escola? De uma Universidade! 

- A inércia das pessoas à espera dos Bombeiros! As “selfies”! Mais um post! A circulação da imagem nas redes! 

- Paradoxal: ninguém pode tocar o enfermo, mas podem expô-lo globalmente?

- O que leva uma pessoa a tirar fotos ao lado de um agonizante, como se estivesse em uma praia? 

- Por outro lado, em que modelo de sociedade vivemos onde poucos frequentam os cursos de primeiros socorros? 

- Quantas e quais escolas públicas ou particulares oferecem tais ensinamentos?

- É possível resignar-se diante da violência?

- Que ideia é esta: não posso tocar, mas posso fotografar, postar, expor? 

- Que barbárie é esta? 

Enfim, um turbilhão de pensamentos! Melhor, nesse momento, fechar o parêntese, na tentativa de prosseguir...)


Será possível reverter a realidade? Depende de quem? De nós?


Agora que passou a impulsividade, invoquei Jung, que nos dá as primeiras ideias de consciência cósmica e Paulo Freire, na qualidade de educador. 


Tentei adequar o discurso para você, estudante de Psicologia, vez que a minha concepção, na maioria das vezes, recebe ordenação do mundo jurídico: mas, antes de tudo, sou também um ser humano, do sexo feminino: a sensibilidade corre em minhas veias! 


A Psicologia exige empatia, pois é um exercício de altruísmo! Um exercício de amor ao SER HUMANO!


Será que a violência está gravada no inconsciente coletivo?


Será que a Educação perdeu o seu papel transformador?


Pensando nessas e em outras várias questões, o que consigo fazer de melhor hoje é uma intervenção, poética apenas!


Porém, acredite: a poesia é meu lado mais humano, indiferente de minhas concepções, de meus estudos, de meus condicionamentos... o que há, realmente, de mais puro em mim!


É esta pureza que nos aproxima: gerações diferentes, cursos diferentes...


Mas, o que inexoravelmente nos une, é o Amor! 


Afinal: “ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor, eu nada seria!”


Em nosso labor diário, sejamos, ao menos, semeadoras de PAZ!


Saiba:  é exatamente isto, o que a violência desconhece! E, na verdade, toda ciência é vã!  A atual sociedade carece de Pureza, de Bondade, de Amor... O mundo pode ser melhor: só depende...


Espero que você, por meio  da reflexão e da ação, possa cumprir o seu verdadeiro papel neste mundo...


Com bastante carinho e o mais puro Amor, faço minhas as suas reflexões, no texto a seguir (Metanóia).


METANÓIA

Conceição Cruz

O policial cumpriu o seu dever.

O bombeiro cumpriu o dever.

A enfermeira cumpriu o dever.

Todos cumpriram seus deveres.


Mas, a adolescência trocou a escola pela violência das ruas...


Ponto de ônibus:

uma arma, em punho, atemoriza, 

(in)distintamente, à luz do dia,

 milhares de adultos, batalhadoras estudantes... 

Agonia! Um tiro traz a morte certeira... 


Catarse: no entorno

 -  violência insidiosa e narcisista –

reproduzida em frenéticas e virulentas “selfies”...


Vida e Morte...

Tudo passa  em corriqueiros “flashes”!


Seu dever, a medicina cumpriu.  

O luto se expressou na vestimenta negra,

na passeata silenciosa pela Universidade, na frustração,

na tentativa de chamamento social à reflexão...

(inspirada em Gandhi:  resistência passiva?!)

A tristeza fermenta no coração de estudantes de Psicologia...

O medo...

Mata!

O Sonho, o Direito, o Amor, as Pessoas...


A sociedade - adolescente (de medo!) -

(des) focada está:

(in)diferentes imagens dão volta ao mundo...

Repetidamente!

Mundo paralisante de imagens...

(O corpo jovem, no chão...)


Negros

 “flashes”...

Repetidas vezes!

(Quantos óbitos de adolescentes ainda serão necessários atestar?)

Será que a Educação perdeu o seu papel transformador?

Bandida(o) tem que morrer!?

Será que, no inconsciente coletivo, a violência furtou toda Paz?

Quando a violência impera, em qualquer lugar que seja...


A Sociedade falhou!

A Educação falhou!

Todos nós falhamos!


A civilização agônica de medo

- esvaiu-se do Respeito e da Ética -

o Homem perdeu a sua capacidade de indignar-se, de intervenção:

tornou-se mero expectador de sua própria indiferença,

vivenciando  - irracionalmente -

a frieza de ser, apenas, verdadeiro cativo

 de suas próprias “selfies”!


Afinal: 

ainda que eu falasse a língua dos homens 

e falasse a língua dos anjos, 

sem amor, 

eu nada seria!”


Na tentativa de instantânea e eterna globalização,

em algum canto da história humana,

perdeu-se o princípio da alteridade...

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Alguém

Ailton José Ferreira
Cadeira n.º 7


ALGUÉM na porta bate distante, alguém se anuncia num som marcante!

ALGUÉM é uma esperança de vida, que se aproxima e nos enche de amor e,      quando distante, desperta a dor!

ALGUÉM é simplesmente a caridade quando transmitimos para outro, é a luz da verdade quando aceitamos o encontro!

ALGUÉM é o caminho que nos leva à sinceridade, e que, ao transpô-lo, nos distancia da vaidade!

ALGUÉM é penetrar em nosso íntimo e vasculhar o nosso Eu, é se instalar em nossa casa, e verificar que o irreprimível já morreu!

ALGUÉM é a margem do que vai acontecer sem retroceder, é a imagem do que vai nascer, e assim se fazer por merecer!

ALGUÉM é saber que na escuridão o homem velho vai perecer, mas ter certeza que, no brilho da vida, o homem novo vai aparecer!

ALGUÉM é sentir que o mundo é um jardim com flores que precisam ser cultivadas e amadas, é sentir ser a vitamina necessária para que estas flores sejam semeadas e frutificadas!

ALGUÉM é uma gota d’água neste deserto de rios secos, é o renascimento de cada rio em cada gota que surge como um fio!

ALGUÉM é o coração que bate acelerado por uma esperança que surge ao lado, são as veias que transportam o sangue da vida que atravessamos a nado!

ALGUÉM é uma rosa que exala o seu perfume, são as flores que nos cercam como de costume!

ALGUÉM é um espaço entre um e outro num sentimento envolto, mas fisicamente longe e solto!

ALGUÉM é percorrer sem saber para onde, é chegar e se aproximar com o coração na fonte!

ALGUÉM? ALGUÉM na porta bate e pede licença para entrar e, quando abrimos esta porta, permitimos que o amor e a vida encha o lugar, penetra em nosso interior e não quer mais voltar, mas sim se instalar!

ALGUÉM? Este ALGUÉM é JESUS, que vem para ficar, não quer se calar e quer muito AMAR!

QUE DEUS ABENÇOE A TODOS! 


quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Me deixe só

Carmélia Cândida
Cadeira n.º 2


Às vezes, é preciso sentir a dor que dói, sozinho, só a gente com ela, sem tentar afugentá-la a qualquer preço. Porque ela precisa doer para depois ir embora, ou para depois se calar novamente e ficar repousando, quietinha, dentro de nós. Até que, um dia, consigamos expurgá-la de vez ou, quem sabe, ela deixe de doer por si mesma. 

Mas o mundo nos diz o contrário: é proibido ficar triste, a tristeza é insuportável. “Se estiver triste, sorria e tudo vai mudar!” Sorrir quando se está triste? Isso não lhe soa ridículo? Pra quê? Se ficar difícil demais, remédios são a solução. Pura mágica. Mentira! Pura tapeação. 

E, assim, todo e qualquer tipo de tristeza, de dor, vão sendo abafadas. Está triste porque perdeu alguém amado? Vão lhe dizer que você está doente, com depressão. Mas essa tristeza não faz parte do luto? Não. Imagina! É depressão! Perdeu o emprego? A mesma coisa.

Que a tristeza seja permitida. Que busquemos sair dela, mas não sem antes compreendê-la, e que não entremos em desespero se, por algum motivo, ela chegar. E que possamos superar ou exterminar, não o sentimento, mas aquilo que nos causa esse sentimento. Se não for possível, que saibamos a melhor forma de conviver com ele sem nos tornar pessoas amargas. 

A alegria faz parte. A tristeza também. Que possamos nos equilibrar entre essas duas senhoras. Mas que a alegria seja sempre maior! E que não queiram que a gente sorria se o sorriso não for verdadeiro. Aliás, que não precisemos fazer nada que não seja verdadeiro. 

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Imagem: Melancolia - Louis Jean-François Lagrenée - Pintor francês (1724-1808) 

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Também em seu blog pessoal: https://carmeliacandida.wordpress.com/

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Escrever...

 


O escritor Márcio Simeone ocupa a cadeira n.º 8 da Academia de Letras de Pará de Minas

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Uma publicação do projeto "Em dia com a poesia", de Carmélia Cândida e José Roberto Pereira, membros da ALPM.