terça-feira, 29 de dezembro de 2020

2020: O que fiz e deixei de fazer. 2021: O que devo fazer?

Ailton José Ferreira
Cadeira n.º 07

É muito comum, pelo menos comigo é assim, com a chegada do fim do ano, fazermos um balanço geral de tudo o que aconteceu durante todo o ano. Pensarmos naquilo que fizemos de bom ou mesmo de ruim, e o que deixamos de fazer e que podíamos ter feito, para melhorar a nossa vida e a do próximo. E quando não fizemos simplesmente por má vontade e acomodação, um vazio dentro de nós toma conta, mesmo que por alguns instantes. É a nossa consciência nos cobrando de que poderíamos ter ido mais à frente do longo caminho que temos a percorrer.

Mas, neste ano de pandemia, que nos pegou à todos de surpresa, não podemos nos cobrar muito.

Durante nosso transcorrer nesta vida, muitas pessoas cruzam o nosso caminho e cruzamos com o de muita gente. Conhecemos pessoas de todo jeito, fazemos amizades curtas e longas nas várias fases que o mundo nos apresenta. E aí vem a grande lacuna de nossas vidas. Quantas pessoas conhecemos ao longo deste caminho, fazemos amizades firmes e sinceras, que durou, sei lá, um ano, dois, cinco, dez ou até mais anos, e de repente ficamos privados um do outro por qualquer motivo: mudança de cidade, estado ou até mesmo do país? E nunca mais nos vimos ou falamos, ou até mesmo não nos comunicamos por carta, telefone etc. E se fossemos fazer uma lista, ela seria imensa, a contarmos da nossa infância. E hoje, mais do que nunca, a internet aí está para resolver os nossos problemas de tempo e distância, porém, mesmo assim, ainda somos um pouco acomodados.

Fico a pensar: é correto e justo ignorarmos estas pessoas, principalmente aquelas que nos marcaram e que nos ajudaram a construir o alicerce de nossas vidas? Claro que não! Nossa própria memória nos cutuca de vez em quando, fazendo com que nos lembremos de certos fatos e fases que nos fizeram amadurecer e crescer. E, juntamente com estas lembranças, nos vêm as pessoas que participaram destes momentos. Então, por que nós, seres humanos, inteligentes, temos a fraqueza de esperarmos que o outro dê o primeiro passo? Por que não tomamos a iniciativa? Digo isto por mim mesmo. Somos seres criados com total liberdade, sem a interferência do Criador, que nos deu o livre arbítrio. Mas também somos seres preguiçosos em certas situações em que não poderíamos ser.

Quando estivermos fazendo os nossos balanços de vida anuais, não devemos nos martirizar por não termos feito o que deveríamos, mas sim começarmos a corrigir a partir deste ano as falhas, para que elas não se repitam. E devemos começar lembrando daquelas pessoas que queremos bem e escrever para elas, telefonar, mandar um e-mail ou mesmo, se possível, assim que pudermos, sem desculpas esfarrapadas, irmos ao encontro delas. Mesmo se não conseguirmos comunicar com todos, o que certamente será impossível, porque, para a maioria delas, a lacuna foi tão grande que nem saberemos por onde andam, ou mesmo se ainda estão nesta vida, mas que ao longo de todo o ano que virá façamos aquilo que não fizemos nos anos que se passaram, ou seja, fazer com que aquelas pessoas que nos foram caras e estarão em nossas memórias, e que jamais serão esquecidas, estejam em contanto por qualquer tipo de comunicação. E elas certamente terão a certeza de que nunca foram esquecidas por nós. Porque o nosso ego necessita disso, precisamos viver sempre dentro da gente que as pessoas não se esquecem de nós jamais. E, principalmente, termos essas pessoas ou famílias em nossas orações diárias.
 
E, quem sabe, algum dia, nossas vidas irão se cruzar novamente com estes amigos de nossa história terrena? Só Deus sabe. Porém, enquanto isso trabalhe a partir deste novo ano, colocando a memória em prática e fazendo com que as amizades que passaram por nós continuem vivas em nossos corações e que poderão continuar, mesmo à distância. Porém, o mais importante ainda é que com as amizades atuais e que ainda iremos fazer não cometamos os mesmos erros do passado. Mas, acima de tudo devemos ter a certeza de que este ano que está terminando foi muito bom e positivo para todos, com vitórias e que mesmo as derrotas nos fizeram crescer espiritualmente, nos aproximando mais de Deus, pois, mesmo com todas as atribulações uma certeza nós, cristãos, temos: que o CRIADOR não nos abandona e que nos ama infinita e misericordiosamente, fazendo Seu Filho Jesus nascer mais uma vez para a nossa Salvação.

UM NOVO ANO DE MUITA PAZ, SAÚDE, FELICIDADE E PROSPERIDADE! E QUE DEUS ABENÇOE A TODOS!

sábado, 26 de dezembro de 2020

Noite Misteriosa (O Natal na visão dos galos)

 Conceição Cruz
Cadeira n.º 4




- Vamos filhotes! 


Já é hora de dormirmos!


-Avô Bernardino, conte mais uma vez para gente a estória  da noite misteriosa! Fala Ray, alçando vôo para o último degrau do poleiro, perto do avô.


- Por que temos que dormir tão cedo, junto com as galinhas, vovó? Sim? Noite misteriosa? Cacareja Mou.


- Noite misteriosa? 

Diz a garnizé Ró enquanto cruza as suas asinhas.


- Noite misteriosa? Pensa a outra, Sony, piscando os olhinhos…


- Ah, sim! Noite misteriosa! Cacarejando forte a vovó Concê.


- A Bisa nos contou que nossos antepassados viviam soltos, campos e fazenda afora! 

E que aquela noite mudou a nossa estória!


- Como assim? Perguntou Zek.


- Antes, fala Jujuk, nas festividades, éramos o prato principal!


- Fale mais baixo!

- Calma, Vinik! 


O vovó já vai contar para vocês e explicar o motivo de dormirmos tão cedo! 


Por questão de lógica, quem dorme cedo, acorda mais cedo!


E todos começaram a rir!


- Muito bem!

Antes, tudo era silêncio! 

As aves foram criadas e não falavam até que…


- Como assim, vovô?


- Sabe,  Aparek: apenas os homens falavam!


- Que estranho, não é vovó?


A vovó, estendendo as asas: penso  como vocês, meus netinhos!


Como assim? 


Não dá nem para imaginar as manhãs sem a cantiga dos galos! 


E sorri!


- Mas, um dia, tudo mudou, prosseguiu o vovô Bernardino. 


Era uma noite de verão.  


Quando o sol se foi, o nosso tatatatataravô, chamado Idelfonso preparou-se, sossegadamente, para dormir. 


Agrupou todas as galinhas e filhotes perto de si. 


Como era costume, ele dormia cedo e acordava em plena noite para fazer a sua contagem de todas as estrelas do céu.


- Ele conseguiu?


- Sabe querida Veronik: no meio da contagem, como sempre, exausto, ele dormiu. Há uma infinidade delas...


Mas, ele viveu uma noite como nenhuma outra!


De repente, ele acordou com o brilho enorme de uma estrela bem pertinho da terra!


- E aí, vovô?


- A estrela sorria e apontava para um local. 


E tudo era silêncio... 


E o nosso tatatatataravô queria saber o que estava acontecendo…


Ele subiu a montanha e viu o menino Deus na manjedoura, perto de seus pais e de outros animais. 


Ele olhou para o alto e ouviu o coro dos anjos. 


Ao longe, viu os Reis Magos, chegando um a um, com presente para o Rei Menino.


Tudo era luz, muita luz! 


A noite parecia dia!


(Naquele momento, todos os garnizés acocoraram-se mais pertinho do vovõ Bernardino, pois ele estava muito emocionado).


Um dos anjos ordenou a Idelfonso:


- Vá, guardião do céu!

Todas as madrugadas, virei despertá-lo. 


Você será o arauto da Boa Nova sobre  toda a face da Terra: levará esperança e alegria!


- O que é arauto? 

Cochichou Celik ao ouvido de Gegê.


- Anunciador da Boa Nova!


O vovô acenou com a cabeça e disse:


- Imediatamente, ele começou a cantar!


Os galos da redondeza, ouviram maravilhados e começaram a pensar:


- Idelfonso? O que você disse?


- Cocoricó! Jesus nasceu!


O outro galo ouviu, Zelixandre, inundou-se de esperança e de alegria e também cantou!


Os galos distantes acordaram com tamanha claridade, pensando que já era dia!


- Uai, vovô! Mas não era noite?


- Sim, queridos netinhos! 


Um galo cantava feliz! 


A mensagem chegava ao outro, que também ficava radiante de felicidades e de esperanças… 


Para esclarecer que ainda era noite, quem ouvia a notícia e que também ficava feliz, cantava assim:


- Cocoricó! 

Noite. Feliz.

Jesus nasceu! 


Observem bem! 


Hoje em dia, para reviver aquele momento, todo galo desperto pela luz, toda manhã, tem seu ritual: ele sempre fecha os olhos ao cantar! 

Primeiro, ele sente e vê a Luz!

Inunda-se de alegria! 

De esperança!

Ouve o canto do outro!

Nasce, de novo, no seu coração, a vontade de levar a Boa Nova a todos…

E aí, ele replica o canto ouvido e que também está dentro de si, de cor:


- Noite feliz! Jesus nasceu!


- Sabem por que, filhotinhos? Pergunta a vovó.


- Talvez seja para que o homem permita que a Boa Vontade frutifique nos seus corações e em suas ações!


Replica o vovô!


- Agora, vamos dormir? 


Daqui a pouco, estará na hora de irradiarmos a alegria e a esperança de um novo dia! 


- Ou melhor, vovô ...


Era...

Noite Feliz! 

Cocoricó!

Jesus nasceu!


E assim, cantaram todos juntos, em bom "galonês", uma bela e suave sinfonia!

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Ilustração: https://www.gratispng.com/



sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Árvore de Natal Franciscana


Conceição Cruz
Cadeira n.º 4



Os animais 

levaram alegria ao Jesus Menino: iluminado,
tornou-se Cristo.
Com São Francisco conversavam!


Nosso diálogo hoje nāo 
precisa de palavras!

Para expressar a minha gratidão deixei vários presentes
sob a árvore de Natal:
para o cãozinho, a calopsita
e o cachorrinho de minha avó.

Eles, tal qual os bois, as avelhas
e o galo de Belém 
estão aqui para relembrar-nos Dele
e de que deveremos
espiritualizarmo-nos também!

Amém!

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Ilustração:

Natal no Céu Azul - 2020

Desenho de: Vitor de Oliveira Santos 
Idade: 10 anos
Filho de Flávia de Oliveira Silva
Eu, Flávia de Oliveira Silva, autorizei a publicação gratuita dos desenhos de Vitor. 
Divinópolis, 4 de dezembro de 2020.
Instituição: ONG Céu Azul do Autista - Divinópolis/MG
Parceria: ALPM





quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

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Regina Marinho
Cadeira n.º 6


Toma este rosário e reza

Faze nova, em cada conta, a prece antiga

Reza sem cansaço, sem pressa, à meia voz

 

No tempo ordinário, com lágrimas nos olhos,

revive a alegria da promessa!

Seja o verso dito, oração em tua boca

 

Recorda o anúncio da graça

que pelo Espírito se cumpriu:

a palavra se fez carne e conosco habitou

 

Repete uma, duas, dez vezes,

do princípio ao fim, alfa e ômega,

essa grandeza que é tão simples

 

Contempla, com assombro, esse mistério

Tudo é mistério!

E o maior deles é amar, é amar, é amar


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Imagem: https://www.gratispng.com/png-45c88f







Natal

Joandre Oliveira Melo
Cadeira n.º 20


Por dezenas de milhares de anos Deus contemplou sua criação.

Homens nasceram, morreram e sucumbiram a uma existência ignóbil e pusilânime; foi como um piscar de olhos para Deus.

Compadecendo-se da torpeza que sua obra era acometida, exalou algo incognoscível e surgiu o verbo, então com compaixão soprou-o sobre a Terra dos homens animando-o com a “vontade” divina e envolveu-o, ainda, com a “vontade” que animava os homens para em nada diferenciar da sua criação e logo começou a gerar-se no ventre de uma mulher: um coração pôs-se a bater, pulmões inflaram-se com o líquido do ventre da mulher e, finalmente a mente a esclarecer a si mesma.

Como parte da compaixão de Deus, sua única motivação era se juntar ao homem e anunciar que Deus compadecia de sua criação e através do verbo Deus se colocava dentre os homens; amando, sorrindo, sofrendo, caindo, levantando-se, entristecendo-se e não menos importante compartilhava toda a asquerosa degenerescência que os homens experimentavam.

E o verbo tornava-se homem em um corpo de criação, dentro do ventre de uma mulher:

Era criança; porquanto, significava esperança.

Era criança; porquanto, era apenas pureza.

Era criança; porquanto, Deus queria que assim fosse.

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Ilustração: https://www.gratispng.com/png-jdj35c/



Natura

 José Roberto Pereira
Cadeira n.º 12



Não foi fácil

Mas chegamos ao final  de 2020

Na bagagem, algumas cicatrizes, lembranças tristes

E um raso saldo de felicidade

Resistimos

E, com todas as nossas forças, continuamos a resistir

Muitos de nós partiram definitivamente

Nos deixaram após o ataque do inimigo invisível aos olhos

Ainda estamos em luta, e o ano, como numa ampulheta, se findando

Somos, naturalmente, perseverantes

Que, neste Natal, ainda que confinados, em isolamento, renasçamos

Renasçamos em fé, esperança e prosperidade

Que em 2021 as máscaras caiam

Que não haja distância entre mim e você

Que os braços se entrelacem num abraço

Destampado, libertado de sua prisão, que o sorriso seja imagem do novo ano

Que os encontros com quem amamos sejam frequentes

Sem restrições, sem protocolos de segurança contra o vírus que estará vencido

Sejamos como um rio de águas límpidas e poderosas

Que atravessará o Ano Novo inundando os dias, as semanas e os meses

Com imensa afetividade um para com o outro

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Ilustração:

Natal no Céu Azul - 2020

Desenho de: Samara Neves Canto 
Idade: 13 anos
Filha de Skarlait Neves Canto e Marco Tulio Neves Canto 
Eu, Skarlait Neves Canto, autorizei a publicação gratuita dos desenhos de Samara. 
Divinópolis, 13 de dezembro de 2020.
Instituição: ONG Céu Azul do Autista - Divinópolis/MG
Parceria: ALPM

Samara Neves Canto, diagnosticada com autismo Severo com 2 anos e 8 meses. Skarlait, mãe de Samara, é presidente e fundadora  da ONG CEU azul (Centro Especializado Unidos pelo autismo).

Nos últimos anos, Samara vem desenvolvendo habilidades em desenho.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

O Natal do Sr. Lamartine

 

Malluh Praxedes
Cadeira n.º 19

Dia 23 de dezembro, 10h35. O táxi que chamei pelo aplicativo acabou de chegar. Ao abrir a porta, percebo duas moedas no banco de trás: - Que sorte a minha: dinheiro me esperando no seu carro, moço! O taxista olhou para mim e recolheu as tais moedas… quando percebi que uma bolsa tipo necessaire também estava pousada no carro.

O taxista: - Ih! Já sei! Deve ser do senhor que acabei de deixar aqui na Serra. Você está com pressa? Eu disse que não. Então vamos até lá, é aqui pertinho! 

E eu pedi: - Moço: me dá a carteira para eu ver se tem algum documento. Quem sabe descobrimos quem é o dono?

Ele abriu e pudemos ver uma quantidade enorme de notas de 50,00 e um comprovante de depósito da Caixa Econômica Federal. Lá estava escrito: - Favorecido: Lamartine etc e tal. Perguntei: - É de um senhor mais velho? (Aqui, imaginando que Lamartine só pode ser uma homenagem ao grande compositor). É sim! Deve regular comigo., tenho 74 anos! Gente muito fina. Me deu até gorjeta!

E lá fomos nós, entra aqui sobe ali, vira à esquerda, sobe à direita. Chegamos. Ele fica feliz porque havia um moço tocando a campainha naquele exato momento: - Ô moço aí é a casa do Sr. Lamartine? O cara fez que sim. Chama ele por favor! Estou com passageira no carro! Nisso surge uma senhora apavorada: - Ele pegou um táxi e foi atrás de um taxista. Ele deixou a carteira dentro de um outro táxi! A senhora sabe se ele foi no ponto da Serra? Ela confirmou. Ele continuou: - Essa moça aqui encontrou a carteira dele aqui no banco de trás! A mulher veio correndo: - Nossa! Vou ligar para ele! Que maravilha! Muito obrigada!

Saímos de lá e viemos conversando: - Nossa! Imagina a alegria que ele vai ficar! Se o senhor não se lembrasse dele, como é que seria? Não, moça, estou impressionado com a sua honestidade. Imagina: a senhora podia ter encontrado a carteira, ter aberto, olhado a dinheirama que tem ali, e ficado bem quietinha e colocado na sua bolsa, que eu jamais ficaria sabendo!!! Como você é correta! Eu também podia ter pego e falado: - Ah! Sei quem é, depois vou entregar para ele... e ter feito a mesma coisa: guardado o dinheiro para mim. E olha que eu estou precisando muito!!!

E nossa conversa foi tanta que nem me lembrei de falar para onde estava indo. Passeamos um bocado pela Savassi.

Quando chegamos ao meu destino, eu estava eufórica. Ele me agradeceu: - Estou muito feliz com a sua honestidade. Raridade hoje em dia. Feliz Natal!

Obrigada papai Sylvio e mamãe Noêmia! Aprender com vocês me fez sentir o quanto é bom a gente ter respeito pelo outro, pelo que pertence ao outro. 

E, com certeza, o Natal do Sr. Lamartine vai ser bem melhor!

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Ilustração: Imagens de https://www.gratispng.com



UNIverso

 

Renata Teixeira da Silva
Cadeira n.º 3 

Quero um verso livre

que viaje pelas ruas

um verso bem simples

raio de sol, barulhinho de chuva...


Um verso sereno

– com nuances de aquarela

que sorria para mim:

aceno de criança da janela...


Quero um verso sem tempo

Futuro... Presente ou passado...

E que possua luz intensa:

Brilho de olhar apaixonado...


Que meu verso seja mágico:

Palavras doces à luz de velas

E vá dizer àquela estrela triste

que estou sorrindo pra ela.


Quero um verso imortal

que deixe sementes pelo caminho

um verso que voe bem longe

nas asas de um passarinho...


Quero um verso maroto:

anjos brincando em meu quintal

– que possua o encanto incomum

de uma noite de Natal.


Um verso que inaugure espaços

Música que ninguém esquece

E se for preciso orar por alguém,

que meu verso seja essa prece...

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Foto: Renata Teixeira da Silva



segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Então é Natal!


Ailton José Ferreira
Cadeira n.º 07



Então é NATAL! Natal de otimismo, e não de consumismo;

Então é NATAL! Natal de emoção, e não de corrupção;

Então é NATAL! Natal de um mito, e não de um conflito;

Então é NATAL! Natal da vitória, e não da discórdia;

Então é NATAL! Natal da felicidade, e não da contrariedade;

Então é NATAL! Natal de um tempo, e não de um tormento;

Então é NATAL! Natal de valorização, e não de persuasão;

Então é NATAL! Natal de glórias, e não de falsas memórias;

Então é NATAL! Natal da criação, e não da perdição;

Então é NATAL! Natal da paixão, e não da destruição;

Então é NATAL! Natal da solidariedade, e não da vaidade;

Então é NATAL! Natal de afinidades, e não de contrariedades;

Então é NATAL! Natal de alegrias, e não de folias vazias;

Então é NATAL! Natal de bondades, e não de perversidades;

Então é NATAL! Natal de paz, e não de desilusão daquilo que se faz;

Então é NATAL! Natal do nascimento, e não do esquecimento;

Então é NATAL! Natal de merecer, e não de se engrandecer;

Então é NATAL! Natal do milagre, e não do massacre;

Então é NATAL! Natal da coragem, e não da miragem;

Então é NATAL! Natal do conserto, e não do tropeço;

Então é NATAL! Natal do amor, e não do rancor;

Então é NATAL! Natal de um menino ser, e não do poder;

Então é NATAL! Natal da justiça, e não da preguiça;

Então é NATAL! Natal de fantasias, e não de nostalgias;

Então é NATAL! Natal de uma flor, e não de uma dor;

Então é NATAL! Natal de uma nova esperança, e não de uma falsa festança;

Então é NATAL! Natal de harmonia, e não de agonia;

Então é NATAL! Natal da doação, e não da escravidão;

Então é NATAL! Natal da sobriedade, e não da inverdade;

Então é NATAL! E que esses nossos sonhos sempre vivos, são a esperança para um amanhã de muito amor, justiça e paz cada vez mais próximos.

UM FELIZ E SANTO NATAL E UM NOVO ANO ABENÇOADO POR DEUS!

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Ilustração:

Natal no Céu Azul - 2020

Desenho de: Vitor de Oliveira Santos 
Idade: 10 anos
Filho de Flávia de Oliveira Silva
Eu, Flávia de Oliveira Silva, autorizei a publicação gratuita dos desenhos de Vitor. 
Divinópolis, 4 de dezembro de 2020.
Instituição: ONG Céu Azul do Autista - Divinópolis/MG
Parceria: ALPM







domingo, 20 de dezembro de 2020

Natal

 

Hernani Almeida
Cadeira n.º 16 


É preciso entender o Natal.

Natal simboliza um momento de reflexão ao nascimento do Menino Deus.

O tempo da Família, da Alegria, do Amor, das Luzes, da Emoção e da Diversão.

Entretanto, este Natal de 2020 é momento de Resiliência.

É tempo de criar no homem a capacidade de se adaptar às mudanças, superando obstáculos e de criar a força para suportar a pressão de situações adversas.

Este ano fomos obrigados a nos fechar, física e emocionalmente, com o medo de uma pandemia terrível. Mas, com Fé nos ensinamentos do Menino Deus, estamos tendo a capacidade de enfrentar, aprender, crescer e amadurecer com as adversidades.

A humanidade precisou ficar reclusa em seus lares e com uma maravilhosa convivência familiar. Uma nova volta ao útero da família, onde o verdadeiro Amor impera e frutifica. Quem não entende o sentido da Família está perdido nesta selva materialista.

Enfim, fomos obrigados a praticar os ensinamentos do Menino Deus: AMAR.

Isto mesmo, Amar a todos e em especial a nós mesmos.

Em nossa Família, imbuídos de promover a resiliência, buscamos fortalecer as relações afetivas e de apoio emocional a todos, dentro de suas famílias e fora delas.

Pratiquemos, então, o sentimento de Amor, espalhando Luz por onde estamos e vivenciemos o momento do Natal de maneira singular.

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Imagem: https://www.gratispng.com/




sábado, 19 de dezembro de 2020

Um VIVA aos laços

Maria de Fátima Moreira Peres

Cadeira n.º 15




Adoro laços. Laços de amor, de amizade, de carinho, de Cora e cores. Eles sempre me chamam a atenção. Adoro também, fotos antigas em preto e branco. Nunca sei o porquê chamam de preto e branco, pois de branco, nunca se vê nada. São sempre amareladas pelo tempo, pelas memórias ali escondidas.

Certa vez me encantei com o laço de fita nos cabelos de Conceição. A foto da mocinha bem vestida, com vestido de cintura baixa e sapato boneca, ao lado das outras meninas da família. Seu olhar era doce, tímido, inocente. Conceição não sabia, até então, o rumo que a vida lhe proporcionaria.

Casou-se muito jovem. Teve doze filhos, um após o outro, cinco homens e sete mulheres. Não foi permitido à Conceição desfrutar dos prazeres da juventude. Ela apenas cuidou das crianças, dos afazeres domésticos e de suas obrigações como esposa. Nem sonhar Conceição podia, pois se o fizesse, seria uma inconsequente.

A primogênita de Conceição se chamava Januária. Aos três anos de idade posou para uma foto com um laço de fita na cabeça. Ele também me chamou a atenção, pelo tamanho e forma. Seu laço se parecia com o de Conceição, assim como seus cabelos encaracolados, seu olhar doce, tímido e inocente. Como o de Conceição, o destino de Januária não foi nada fácil. Jane, como era conhecida, só pariu três filhos, uma menina e dois meninos. Porém, os tempos eram outros e a vida com poucos recursos financeiros deixou suas indeléveis marcas. 

A primogênita de Jane se chamava Márcia. Aos dois anos de idade, Márcia posou para uma foto com um laço de fita no cabelo. Também tinha os cabelos encaracolados, era tímida, mas seu olhar expressava a insatisfação de estar fazendo algo que não queria. Márcia só queria brincar como uma criança, correr de pés descalços pelo quintal. Não era afeita aos modelitos fotográficos que se amarelavam pelo tempo.

Márcia se casou e, também, deu a luz a três filhos, dois meninos e uma menina. O destino de Márcia não tem sido nada fácil. Ela trabalha muito e o dinheiro que ganha é sempre o suficiente para chegar ao último dia do mês e, às vezes, nem isso. Juliana é da segunda gestação de Márcia. Com seus cabelos lisos como de uma japonesinha, também posou para fotos com um laço de fita. Ela não é a primogênita, não se casou, mas teve uma filha, Estela. A vida de Juliana é um pouco melhor do que de Márcia.

Certo dia, olhando um álbum de fotos vi que Estela tinha um grande laço de fita rosa na cabeça. Como aquele de Conceição, de Jane, de Márcia e de Juliana. Ela é a primogênita de Juliana e seus cabelos encaracolados lembram Conceição, Jane e Márcia. Todas têm o mesmo olhar nas fotos amareladas pelo tempo ou nas coloridas. Seu destino como mulher se descortina em tons mais alegres, suaves, porém definidas, ainda que o tempo passe tão rápido. Estela pode sonhar com o que quiser.

Mas não importa a cor, pois o laço que une as cinco gerações é uma marca que nunca se desfaz. A sua força está no sentir. Todas elas se comunicam sem estar perto umas das outras transmitindo seus sentimentos de dor, de alegria e satisfação. Alguns dizem que é sexto sentido, mas sabem que é mais do que isso. Outros, que são bruxas. Elas riem. – É algo que se herda, diz Márcia. Mas seja lá o que for isso, sempre terão um laço de fita no cabelo. E um VIVA aos laços, neste mundo tão cheio de nós!

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sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Natal

Carmélia Cândida
Cadeira n.º 2 


A mim, o Natal lembra família, pessoas queridas, estar juntos Menino Jesus, perdão, confraternizar, agradecer.

O Natal me traz doces lembranças da infância, como cenas de um filme que vão passando na minha mente: minha mãe fazendo o presépio, minha irmã montando a árvore, meus sapatos e os do meu irmão atrás da porta na noite de Natal e, pela manhã, a gente pulando de alegria quando encontrava nossos presentes. 

Vem-me o gosto da inocência e do encantamento que tudo me despertava. Revisito meus olhos sonhadores ao imaginar a passagem do Papai Noel em nossa casa, meu encantamento diante do presépio ou ajudando na montagem da árvore. 

Quando vamos perdendo pessoas queridas, o Natal passa a dialogar com nossa tristeza. A falta dói sempre, mas, em certas ocasiões, ela dói mais cruelmente. Uma dor que dilacera. Mas a gente não se abate, a gente segue, sempre em frente! Porque nós ficamos, nós estamos aqui e aqui também continuam pessoas que nos amam e a quem amamos. 

E é o amor, o afeto, são nossas relações afetivas o que vão nos sustentando. É o que nos nutre e faz querer viver, mesmo enfrentando dificuldades.

O que eu desejo é que neste e em todos os Natais possamos estar próximos das pessoas que são importantes em nossa vida. Mesmo que não seja possível fisicamente, que nos façamos presentes, como pudermos. 

Que demonstremos nosso amor, não só no Natal, mas cotidianamente. Não com palavras... ou não com palavras apenas, mas, principalmente, com nossas atitudes. O “eu te amo” se revela de muitas formas que não passam pelo dizer.  E que carinho jamais seja mendigado.

Que a gente não se esqueça, nem por um dia, do quanto somos importantes para nós mesmos, que o amor-próprio é fundamental, pois, amando o que somos, estaremos preparados para amar outras pessoas e para sermos amados por elas e, assim, nos respeitaremos e não permitiremos que nos desrespeitem. 

E que a gente sempre se lembre: a vida não tem nenhum significado se não houver  amor, se não dermos e recebermos afeto...

Desejo a vocês um Feliz Natal e um Feliz Ano Novo bem juntinho dos seus!

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Ilustração:

Natal no Céu Azul - 2020

Desenho de: Samara Neves Canto 
Idade: 13 anos
Filha de Skarlait Neves Canto e Marco Tulio Neves Canto 
Eu, Skarlait Neves Canto, autorizei a publicação gratuita dos desenhos de Samara. 
Divinópolis, 13 de dezembro de 2020.
Instituição: ONG Céu Azul do Autista - Divinópolis/MG
Parceria: ALPM

Samara Neves Canto, diagnosticada com autismo Severo com 2 anos e 8 meses. Skarlait, mãe de Samara, é presidente e fundadora  da ONG CEU azul (Centro Especializado Unidos pelo autismo).

Nos últimos anos, Samara vem desenvolvendo habilidades em desenho.




terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Escrever...


A escritora Regina Marinho ocupa a cadeira n.º 6 da Academia de Letras de Pará de Minas


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Uma publicação do projeto "Em dia com a poesia", de Carmélia Cândida e José Roberto Pereira, membros da ALPM.

sábado, 12 de dezembro de 2020

Ciclo

Conceição Cruz
Cadeira n.º 4





A sementinha
debaixo da terra não queria ficar!

Soltou raízes
no solo e pensava em
como sair de lá!

A chuva molhou o solo …

A sementinha viu
que a água vinha do céu
E a ele procurava sempre retornar!

- Cadê a menina
que brincava nas poças d'água?

- Ah! Melhor a chuva imitar!
Lançou um broto verde
Soltou caule, galhos e folhas…

- Cadê os frutos?
Hora de crescer!
Aumentar o tamanho!

Seu tronco cresceu! 
Cresceu! Cresceu!

A chuva molhou sua copa!
A menina colheu seus frutos
Plantou as suas sementes…
Um novo ciclo!

A semente plantada não morreu!
Soltou caule, galhos e folhas...
E assim,
a vida renasceu!

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

A escrita das mulheres na quarentena

A acadêmica Fátima Peres (cadeira n.º 15 da Academia de Letras de Pará de Minas), junto com a escritora Terezinha Pereira são as organizadoras do recém-lançado livro "Letras da quarentena - escrita de mulheres", pela Editora Todavoz. Em versão impressa e digital, são 22 autoras reunidas, dentre elas as também acadêmicas da ALPM Lígia Muniz, Regina Marinho, Renata Teixeira da Silva, Hila Flávia, Déa Miranda e Carmélia Cândida. A versão digital está disponível aqui.