terça-feira, 20 de abril de 2021

Para percorrer as veredas

José Roberto Pereira
Cadeira n.º 12

[...] Viver é muito perigoso…Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal, por principiar. Esses homens! Todos puxavam o mundo para si, para o concertar consertado. Mas cada um só vê e entende as coisas dum seu modo. [...] (Trecho de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa)

João Guimarães Rosa. Foto: Eugênio Silva, Revista “O Cruzeiro”

Rotulada como obra complexa e de difícil compreensão, o leitor precisa, primeiramente, se desarmar para ler Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. Nessa obra, o autor nos apresenta uma Minas Gerais pouco conhecida, e ler esse Sertão é o mesmo que descortinar horizontes sobre nós mesmos e compreender os registros linguísticos presentes na inovadora narrativa literária construída pelo autor.  Porém, existe um abismo entre o livro Grande Sertão: Veredas e o público com potencial para se enveredar obra adentro, lendo-a. Ladeada a essa lacuna, acrescenta-se a falta de interesse de boa parte dos brasileiros por leitura de modo geral.

João Guimarães Rosa figura entre os melhores escritores brasileiros e é citado por intelectuais como um dos mestres da Literatura Universal. Mas por que a obra dele fica em stand-by? Seus livros permanecem em bibliotecas particulares e públicas, acumulando poeira, à espera de leitura pelo grande público. Mais grave ainda é que uma parcela significante de brasileiros não sabe quem é João Guimarães Rosa. Muitos desconhecem que ele foi contista, novelista, romancista e diplomata. E mal sabem que ele nasceu em Cordisburgo, MG, em 27 de junho de 1908 e formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Guimarães Rosa estará sempre em destaque na galeria da Literatura Nacional. O escritor enveredou-se pela Literatura, primeiramente, por meio da revista O Cruzeiro, em 1929, com o conto O mistério de Highmore Hall. Após tornar-se diplomata, foi cônsul em Hamburgo, Alemanha, entre os anos de 1938 a 1942. Em seguida, de volta ao Brasil, exerceu inúmeros cargos públicos. Sagarana, seu primeiro livro, publicado em 1946, figura entre os melhores livros brasileiros. Em 1952, a revista O Cruzeiro registrou uma excursão que Rosa fez em Minas Gerais acompanhando um grupo de boiadeiros por cerca de 240 quilômetros, aproximadamente, guiando, junto deles, a boiada.  A ambientação, as fazendas e o convívio com pessoas dos locais por onde ele passou  serviram de material de pesquisa para seu livro mais célebre, Grande Sertão: Veredas, publicado em 1956. Sobre o livro, o escritor disse, em um canal de tevê, na Alemanha, em 1962, único registro audiovisual em que explica seu romance, que sua obra tem um fundo telúrico, real [...] passa-se uma história, com transcendência, visando até o metafísico. Seria quase que uma espécie de fausto sertanejo. João Guimarães Rosa ocupou a cadeira nº 2 da Academia Brasileira de Letras. No discurso de recepção de Rosa na renomada instituição, o acadêmico Afonso Arinos de Melo Franco referiu-se a ele como:

[...] Escritor ligado à terra, às limitações temporais e espaciais de uma certa terra brasileira, não sois, no entanto, um escritor regional, ou antes, o vosso regionalismo é uma forma de expressão do espírito universal que anima a vossa obra e, daí, sua repercussão mundial. Sem dúvida exprimis o social – isto é, o local – nos vossos livros e, neste ponto fostes, como nos demais, um descobridor. Manifestastes um aspecto de Minas Gerais que o Brasil não conhecia: a vida heroica; o heroísmo como lei primeira da existência, na guerra e na paz, no ódio ou no amor. [...]

 Grande Sertão: Veredas, após ser lançado, provocou polêmica entre críticos, produzindo opiniões divergentes, principalmente sobre a linguagem usada pelo autor na obra. Mas, nos anos que se seguiram, o livro  tornou-se uma referência nos meios acadêmicos, e hoje está listado como uma das obras brasileiras mais estudadas e interpretadas em teses de mestrado e doutorado. Foi traduzido para alguns países e adaptado para a tevê, transformando-se em uma minissérie exibida pela Rede Globo de Televisão no ano de 1985.

No texto, se faz presente uma aclamada linguagem que —  com experimentações linguísticas, como o uso dos arcaísmos, a recriação e o registro de linguagem sertaneja, a invenção de vocábulos, as construções semânticas e sintáticas  — conferem encanto e originalidade à obra. Por outro lado, ironicamente, são esses mesmos elementos que criam o abismo entre o público e o livro. Ler e compreender Grande Sertão: Veredas, para quem não tem familiaridade com a escrita rosiana, pode ser, sim, uma difícil tarefa a ser cumprida.

 Entre tantos atrativos em Grande Sertão: Veredas, a história de amor entre os protagonistas do romance se destaca­­­­. Na saga, Riobaldo, ex-jagunço, na primeira parte da história, relata suas inquietações, mergulha em conflitos internos, discutindo, de forma desordenada, temas universais, como o bem e mal, Deus e o diabo, a vida e a origem do homem. Riobaldo, à sua maneira — personagem psicologicamente bem construído pelo autor — é uma espécie de filósofo de seu tempo que narra sua própria história. A primeira impressão, aos olhos de alguns leitores que adentram as páginas de Grande Sertão: Veredas, é a de que tanto a narrativa quanto o personagem se mostram caóticos e desordenados, mergulhados em questões existenciais e filosóficas. Mas, após percorridas as primeiras dezenas de páginas, o leitor perspicaz vai, aos poucos, se ambientando com o universo original do autor. É preciso encontrar até mesmo uma respiração adequada para prosseguir a leitura, pois o texto tem uma velocidade própria. Como bem fazem os artistas cênicos que encontram uma forma de respirar apropriada para os personagens que interpretam, o leitor de Grande Sertão: Veredas precisa ajustar sua respiração ao ritmo da história, além de se permitir entrar no mundo rosiano.

Quando Reinaldo, outro personagem importante do romance, apresentado pelo autor com o nome de Diadorim, entra na narrativa, o livro abre novas veredas. No desenrolar das relações conflitantes entre os personagens da saga, em pleno sertão mineiro, Diadorim vai inaugurar emoções profundas em Riobaldo. O amor, o mais desejado dos sentimentos, aflorará em Riobaldo, e será acompanhado de conflitos disparatados e de repressão, uma vez que a relação amorosa entre dois jagunços seria improvável. Os anseios de Riobaldo e de Reinaldo/Diadorim sobrevivem entre guerras de grupos rivais de jagunços e oscilações de lideranças nas regiões do interior do Brasil onde a história se passa, Minas Gerais e em suas divisas com os estados da Bahia e de Goiás. As paisagens ricas e exuberantes, os usos e costumes de um Brasil desconhecido pela maioria dos brasileiros vão sendo revelados pelo autor por meio dos personagens, jagunços que, sobre seus cavalos, percorrem também os caminhos sinuosos que se aprofundam nas mazelas humanas. Quem se propõe a mergulhar nessa obra rosiana, certamente vai se encantar por Riobaldo e seus conflitos, em passagens como estas, por exemplo:

[...] Tudo turbulindo. Esperei o que vinha dele. De um aceso, de mim eu sabia: o que compunha minha opinião era que eu, às loucas, gostasse de Diadorim, […] no fim de tanta exaltação, meu amor inchou, de empapar todas as folhagens, e eu ambicionando de pegar em Diadorim, carregar Diadorim nos meus braços, beijar, as muitas demais vezes, sempre. [...] Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura. [...] (Trechos de Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa)

Como terá desfecho esse amor, se ele irá prosperar e se aprofundar entre os jagunços Diadorim e Riobaldo, somente a leitura do romance poderá revelar. Um bom ponto de partida para ler e compreender a obra é começar pela leitura do livro Para ler Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, de Luiz Carlos de Assis Rocha, lançado recentemente pela Páginas Editora.

Natural de Pitangui, Minas Gerais, Rocha foi professor no Sistema Estadual de Ensino e no curso de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. Possui doutorado pela Faculdade de Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, onde defendeu sua tese baseada na linguagem de Guimarães Rosa. Para ler Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, é o resultado de mais dez anos de pesquisa sobre o texto do renomado autor. Paralelamente aos estudos para compor o livro, Luiz Carlos de Assis Rocha desenvolveu outra pesquisa, de forma informal, indagando pessoas que haviam lido ou não Grande Sertão: Veredas. O resultado o surpreendeu. Entre escritores, jornalistas, intelectuais, acadêmicos e pessoas que leem regularmente, a obra rosiana permanece desconhecida ou pouco visitada para leitura. Diante dessa constatação, tornou-se oportuno elaborar uma espécie de manual para facilitar o contato com um dos grandes livros da literatura nacional, bem como  sua compreensão.  Com maestria, aliada à experiência de professor que acumulou ao longo da vida acadêmica, por meio de seu livro, Rocha apresenta curiosidades que vão despertar o interesse pela obra-prima rosiana e facilitar seu entendimento. Muito mais que uma preparação para ler Guimarães Rosa ou um dicionário das palavras e expressões presentes em Grande Sertão: Veredas, o  livro de Luiz Carlos de Assis Rocha é, fundamentalmente, uma explicação sobre uma parte do jeito mineiro de ser e de falar, espalhado por tantos sertões das Gerais. Diagramado por Nelson Flores e ilustrado por Nelson Cruz, Para ler Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa apresenta, de maneira didática, leve e ricamente detalhada, um passo a passo para mergulhar na obra rosiana, como nos exemplos abaixo:

[...] frase desestrut. – frase desestruturada

A verdadeira revolução rosiana se faz no campo da sintaxe. O que torna o texto de Guimarães Rosa inconfundível é a construção da frase, aliada a uma significação especial que é dada às palavras e às orações. Algumas frases são construídas de uma maneira tão diferente do português comum que alguns leitores chegam a dizer que se trata de uma outra língua, de um sistema linguístico diferente do da língua portuguesa. Mas como se trata de um número de frases relativamente reduzido, considerando a extensão de GSV, não se pode dizer que GR tenha criado uma outra língua, ipso facto, com uma sintaxe diferente. [...] Que sirvam de exemplo as passagens abaixo, [...] Que vontade era de pôr meus dedos, de leve, o leve, nos meigos olhos dele, ocultando para não ter de tolerar de ver assim o chamado, até que ponto esses olhos, sempre havendo, aquela beleza verde, de me adoecido, tão impossível. (p. 46/40); [...] Só nos olhos das pessoas é que eu procurava o macio interno delas; só nos onde os olhos. (p. 426- 427/307); [...] E uma vela acesa, uma que fosse, ali ao pé, a fim de que o fogo alumiar a primeira indicação para a alma dele… (p. 582/416) [...]

[...] Deus é definitivamente – ‘Deus é eternidade, segurança’

 retentiva – ‘faculdade de reter na memória’; dicion.

sufusa – ‘espalha, difunde’; neolog.; verbo sufusar, estrang., latin. suffundo, suffundere.

dos acasos – ‘das dúvidas, das indecisões’

Para trás, não há paz. – ‘as pessoas sofrem ao se lembrarem do passado’; rima; ritmo; erud. [...]

(Trechos de Para ler Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, de Luiz Carlos de Assis Rocha)

Vale destacar que, nas Minas Gerais, o celebrado livro de João Guimarães Rosa também não figura entre os mais lidos pelo público mineiro. Talvez o trabalho de Rocha, posto como uma referência para iniciar a leitura Grande Sertão: Veredas, mude essa estatística. Segundo Rocha, o leitor perceberá, já nas primeiras páginas, o quanto o conteúdo irá prepará-lo para “sanar as dificuldades apresentadas pelo livro relativas aos efeitos de linguagem, aos significados do texto e à compreensão da obra de um modo geral”.

Levantai-vos, digníssimos! Leiam os dois livros citados neste artigo. Como disse bem o autor de Grande Sertão: Veredas, que faleceu relativamente jovem, em 1967, aos 59 anos de idade, o que a vida quer da gente é coragem.


Artigo escrito a pedido da Editora Páginas para publicação na revista Conexão Literatura.

Referências:

·          Rocha, Luiz Carlos de Assis, Para Ler Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, 1º edição, Belo Horizonte, Páginas Editora, 2021.

·          Rosa, João Guimarães, Grande Sertão: Veredas, 7ª edição, Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1970.

·          Suplemento Literário de Minas Gerais – Guimarães Rosa 50º Grande Sertão: Veredas, Belo Horizonte, maio de 2006, Edição Especial, Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais.

·          Sites: http://www.academia.org.br  e https://www.portugues.com.br/literatura/frases-aforismos-grande-sertao-veredas.html 



segunda-feira, 12 de abril de 2021

Teteia

Conceição Cruz
Cadeira n.º 4




Gata bicolor

de negro e branco

de ar delicado

mia, mia, mia

e, toda noite,

atrai gatos no telhado!


Gato branco

Gato preto

Gato malhado!


Um dia,

inesperadamente,

tornou-se mãe de três filhotes!


Com vários dias de vida,

de olhos bem abertos

Cada um ganhou

um novo lar!


Teteia muito dengosa

com seu colar de prata,

não quis trocar de lar:

quis ali mesmo

ficar!

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sábado, 10 de abril de 2021

Revolução

Geraldo Phonteboa
Cadeira n.º 14

Hoje vou escrever algo revolucionário
Vou protestar contra toda a injustiça do mundo
Hoje vou ocupar todos os canais de comunicação
e disseminar minha mensagem
que vai mudar o mundo...
Todo homem vai sair de si e jogar-se ao outro
Em
um abraço
de amor e perdão...
Hoje vou fazer revolução...
Vou escrever versos
Vou compor um poema...
Poesia é algo vazio,
sem nada dentro,
e nesse vácuo a voz
Imprecisa de nós mesmos
ressoa e faz eco...
Esta é minha revolução!

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quinta-feira, 8 de abril de 2021

Os invisíveis na pandemia

José roberto Pereira
Cadeira n.º 12 

Profissional da educação:  o que ensina e ministra aulas. Mestre. Educador. Catedrático. Docente. Doutor. Instrutor. Preceptor. Formador. Mentor. Pedagogo. Titular. Perito. Versado. Profitente. Especialista. Conhecedor. Prelecionador. Polímata. Instruído. Sabedor. Líder. Orientador. Coordenador. Diretor. Lente. Luz. Ajudador. Experto. Atento. Vigilante. Ousado. Precavido. Preletor. Craque. Buliçoso. Inquieto. Desassossegado. Desenvolto. Airoso. Habilidoso. Criativo. Inteligente. Compreensivo. Entendedor. Técnico. Cognitivo. Emotivo. Teórico. Prático. Interessado. Superador. Humilde.  Competente. Culto. Orador. Espirituoso. Racional. Sensível. Humano. Honesto. Alegre. Feliz. Teatral. Sério. Risonho. Camarada. Brilhante. Assertivo. Virtuoso. Correto. Justo. Organizado. Disciplinado. Pontual. Tolerante. Atualizado. Motivador. Resolvido. Obediente. Apto. Idôneo. Gentil. Equilibrado. Capaz. Firme. Flexível. Distinto. Categórico. Inteiro. Sincero. Verdadeiro. Adequado. Apropriado. Peremptório. Ouvinte. Disposto. Predisposto. Disponível. Propenso. Adaptável. Informado. Socializador. Paciente. Artesão. Fabro. Operário. Lídimo. Legítimo. Guia. Mesteiral. Mester. Obrador. Obreiro. Talentoso. Trabalhador. Benevolente. Popular. Discreto. Afável. Cortês. Bom. Caridoso. Compassivo. Condolente. Complacente. Contemporâneo. Hodierno. Moderno. Progressista. Renovador. Vanguardeiro. Revolucionário. Cordial.  Resiliente. Forte. Colaborador. Marcante. Fraternal. Generoso. Indulgente. Clemente. Nobre. Terno. Memorável. Notável. Consentâneo. Coerente. Animoso.  Extrovertido. Folgaz.  Herói. Grande. Cândido. Ajuizado. Criterioso. Oportuno. Propício. Válido. Pertinente. Escrupuloso. Cuidadoso. Fiel. Esperançoso. Bonançoso. Venturoso. Leal. Probo. Reto. Autêntico. Respeitoso. Desembaraçado. Despachado. Engenhoso. Jeitoso. Empático. Defensor. Inovador. Consciente. Referência. Comprometido. Sonhador. Admirador. Companheiro. Realista. Encantado. Torcedor. Entusiasta. Expressivo. Explicador. Exemplo. Inspirador. Elucidador. Esclarecedor. Revelador. Esforçado. Produtivo. Positivo. Observador. Ativo. Pertinente. Provocador. Digno. Virtuoso. Altivo. Brioso. Artista. Articulado. Preocupado. Íntegro. Performático. Original. Incentivador. Vencedor. Cortez. Letrado. Decente. Decoroso. Hospitaleiro. Acadêmico. Discente. Aluno. Aprendiz. Aulista. Colegial. Discípulo. Escolar. Culto. Avançado. Tratável. Doce. Honrado. Meigo. Lutador. Pelejador. Lidador. Sapiente. Erudito. Hábil. Prudente. Profético. Útil. Cheio. Necessário. Semente. Terra. Água. Chuva. Sol. Dia. Noite. Lua. Adubo. Brisa. Sombra. Estrela. Constelação. Delicado. Leve. Chão.  Porto. Ponte. Estrada. Horizonte. Base. Sociável. Piedoso. Valente. Civilizado. Polido. Humorado. Supervisor. Gestor. Zelador. Terapeuta. Psicólogo. Clínico. Comunicador. Conselheiro. Apaziguador. Digitador. Diagramador. Editor. Marqueteiro. Apresentador. Publicitário. Blogueiro. Assistente. Roteirista. Consultor. Cinegrafista. Iluminador. Fotógrafo. Advogado. Protetor. Defensor. Designer gráfico. Gerador de conteúdo. Influenciador digital. Amoroso. Amigo. Apaixonado. Carinhoso. Afetuoso. Essencial. 


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sexta-feira, 12 de março de 2021

Lua

Conceição Cruz
Cadeira n.º 4



Lua

Antes , tão próxima,


rubra,  escondeu-se atrás

da terra!


Século vinte e um: sexta-feira!


Ai! Que susto!

O que você viu? Ou ouviu?

O gato preto, no telhado, mia!


Uma sinfonia deles a trazem

de volta!


Esplendorosa,  no quintal,

derrama uma chuva de bênçãos


no meu pé de jabuticabas!

Sob o seu manto prata

feliz, adormeço!

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segunda-feira, 8 de março de 2021

Dias Chuvosos

Déa Miranda
Cadeira n.º 11 

    O dia amanhece lentamente. Assim é o despertar dos dias chuvosos. É um feriado e tudo parece parado. Só os bichinhos sentem o amanhecer, pois estão procurando alimento e vêm até a área.

Do lugar estratégico em que eu me encontro, assentada à mesa, eu os vejo. Chegam felizes, pois sabem que já coloquei o alimento que estão habituados.

         As rolinhas chegam primeiro. Parece que há um trato secreto entre os pássaros. Logo depois, os pardais tomam conta do lugar. O casal de canarinho saltita por perto e, logo depois, se aproxima. Tiziu é aceito na mesa deles. A cachorrinha nem quis latir essa noite, está quieta espiando os bichinhos da porta de sua casinha. Mostra apenas que está feliz lá dentro.

O calango está esticado, esperando que um raio de sol surja e o aqueça. Ele já não se espanta com a minha presença. Fica quieto com os olhos fixos em mim. Jogo miolo de pão, mas ele espera eu me afastar para vir comê-los. Talvez pareça estranho falar do calango como se fosse um animal de estimação, mas eu vejo todo ser vivo e, aqui incluo as plantas, como criaturas criadas por Deus e respeito todas as formas de vida. Respeito e amo com dedicação. Se não vejo o calango sair debaixo do zinco, eu me preocupo em saber se houve alguma coisa com ele. Minha netinha me acompanha nessas coisas. Falo com ela que a casinha do calango é a telha de zinco. Não sei se ela entende. Mas interage comigo com grande interesse. Quando vê os farelos de bolo, os miolos de pão, ela me diz, com a expressividade das crianças que ainda não falam, que precisamos levar para os bichinhos.

Gosto muito desses seres que habitam o meu quintal e dos que me visitam diariamente. Sei que o interesse deles é o alimento que eu os dou. Que importância tem isso se o meu interesse é vê-los felizes por perto?

O silêncio absoluto dessas manhãs de feriado chuvoso convida a uma introspecção. Começo a entrar no clima e me coloco diante do computador.

Às vezes acho que sou um pouco estranha... Minha filha sempre diz que nós não habitamos este mundo. Fico rindo dela e digo:

— Como não habitamos, se estamos aqui?

Ela diz com ar de cumplicidade:

— A senhora sabe o que estou querendo dizer!

Sei mesmo! Talvez seja a originalidade da nossa forma de agir e enxergar as coisas que nos tornam assim, meio flutuantes no mundo.

Minha netinha escuta a conversa e aponta para o seu próprio peito. Eu digo:

— Você vai ser assim também?

E parece que ela entende porque resmunga de um jeito que interpreto que seja um sim e mostra as formigas. Abaixa-se ao chão para vê-las de perto. Aponta para outra que está carregando alguma coisa. Eu falo:

— Ela está levando comidinha para os filhinhos.

Ela faz um gesto com a mão, como se levasse alimento à boca. Fico rindo e digo:

— É isso mesmo, os filhinhos dela vão papar tudo!

E o feriado chuvoso vai passando cheio de pinguinhos de chuva, caindo devagarinho neste mundo quase escondido, mas que respira junto de mim...


segunda-feira, 1 de março de 2021

Véus

Conceição Cruz
Cadeira n.º 4




Cadê a nuvem
que estava aqui?
Foi prá lá.

Cadê a nuvem que 
estava lá?
Deixou de
andar ao léu!

Cadê a água na terra?
Foi para o mar fazer
escarcéu!

Brincou, brincou e se
evaporou!

Cadê o vapor?
O vento levou! 

Levou para onde?
Para o céu?

Cadê a nuvem do céu?
Sumiu.
Alguém a viu?

Ah, mundo!
Eta, mundo!

Redesenha, a seu modo,
até o céu...

No planeta azul, 
a questão das águas
será mais um dos capítulos
de um (des) humano
escarcéu? 

Ou será que os 
homens já se reconhecem
- irmãos -
sem os costumeiros 
véus?

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Aceitar o perdão é assumir o amor de Deus!

Ailton José Ferreira
Cadeira n.º 7

Já falei sobre o perdão em vários momentos e situações, mas sempre é bom atualizarmos sobre o assunto que nunca se esgota. Sempre haverá motivos para falarmos do perdão, pois cada caso é um caso, e cada momento é diferente do outro. Depende do fato, das circunstâncias e da gravidade do ocorrido que vamos perdoar naquele momento ou se vamos perdoar mais tarde, depois que nossa mente estiver com a razão em funcionamento. Porém uma coisa é certa: temos que perdoar sempre, não importando o acontecido. Porque Deus nos deu uma inteligência, não para fazermos da razão atos impensados que nos faz destruir interiormente e também aos outros, mas sim para refletirmos sobre os atos incoerentes que nos prejudicam e ao nosso próximo.

Isto não quer dizer que devemos conviver com aqueles que nos praticaram um grande mal, às vezes irreparável, nem que estamos concordando com o mal praticado. Mas simplesmente estamos perdoando aquela pessoa porque somos seres humanos passíveis de erros e porque Deus nos perdoa sempre; também porque queremos ser perdoados por nossas faltas que são inúmeras. O perdão é o amor de Deus infinito por todos nós, e não podemos desprezar jamais esta Graça por Ele concedida. Faz falta para o nosso corpo, tanto no físico como no espiritual. Sem o perdão, não podemos crescer nem ficar mais fortes com as adversidades da vida. E se não perdoarmos, jamais conseguiremos ser flexíveis e resilientes, ou seja, não teremos a capacidade de nos recobrarmos de nossas faltas e de aceitarmos as faltas de nosso próximo.

Portanto, não devemos guardar rancor, raiva ou resignação, pois só nos causará atitudes que certamente podem destruir nossos bons sentimentos. Se ficarmos remoendo o passado não conseguiremos caminhar no presente e com certeza teremos um futuro obscuro que poderá se espalhar à nossa volta e a todos com quem convivemos. Ao mundo não interessa o nosso passado e sim o que somos capazes de ser, fazer e dar agora. E quando nos apegamos à dor antiga, a autocomiseração embota a capacidade de dar e, quando assumimos o papel de mártires, ficamos à espera que alguém resolva milagrosamente a nossa vida. E não é por aí, porque precisamos ter a coragem de enfrentar o nosso sofrimento, e mais ainda, a coragem de perdoar - e nos perdoar também. Se deixarmos de julgar e perdoar aqueles que nos feriram e deixaram profundas cicatrizes, certamente nossa dor será aliviada.

O perdão faz com que reconheçamos nossas fragilidades e que não precisemos escondê-las do mundo. Por isso, caros irmãos, perdoar é preciso, não importa em que situação possamos estar no momento. A oração do Pai Nosso responde a todas as nossas dúvidas quando diz: “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido...”. Pedimos o perdão de Deus em todas as nossas faltas e por que, então não perdoarmos as faltas dos nossos irmãos? Como seria mais fácil se no amor de Deus o perdão nos conflitos mundiais viesse na frente. Evitaríamos, com certeza, a discórdia e as guerras entre as nações. Como o entendimento entre nós, seres humanos, seria mais fácil se ensinássemos às nossas crianças desde o berço a amar e a perdoar o próximo em todas as circunstâncias.

Como dizia São Paulo Apóstolo: “Ser forte é amar e perdoar o ser humano mesmo que lhe tenha atingido com falta grave, e ser fraco é dar as costas para este irmão que precisará do seu perdão, pois a nossa salvação é o amor e o perdão.”

QUE DEUS ABENÇOE A TODOS!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Escravas em seu próprio lar

Carmélia Cândida
Cadeira n.º 2


Ele trabalhou o dia inteiro. Chega em casa do trabalho, descansa um pouco, toma seu banho, se senta ao sofá para ver tevê, abre uma cerveja. Está cansado e irritado devido ao dia tenso. Precisa relaxar.

Ela também trabalhou o dia inteiro. Depois de pegar a filha na escola, chega em casa, corre para apanhar no varal a roupa que estendeu pela manhã, dobra-a. Dá banho na filha. Recolhe as coisas que ficaram espalhadas pela casa e vai preparar o jantar. Ela também está cansada.

Após o jantar, ela ajuda a filha com as tarefas da escola, coloca-a para dormir, arruma a cozinha, adianta as coisas para o dia seguinte. Ele vai assistir tevê no quarto. Por volta das 23 horas e trinta minutos, enfim,  ela pode tomar seu banho e dormir.

O marido está roncando há tempos.

Todos os dias, é mais ou menos assim.

O que passa na cabeça de um homem que fica sossegado, como um rei, enquanto a esposa cuida sozinha de todas as tarefas da casa? Ou o que não passa? Por que ele acha que está tudo bem ele descansar, relaxar, enquanto a esposa dá conta de tudo sozinha? Por que as tarefas ficam por conta apenas da mulher se o serviço é de todos que vivem na casa e se os dois são capazes? É justo isso? Não é a atitude desse homem egoísta por demais?

Ele não pensa no bem-estar da esposa. Aliás, não se preocupa com isso ou nem pensa a respeito. Está tudo bem. Está muito cômodo para ele assim. Afinal, a mulher nasceu pra servir. Nasceu?! E homem não leva jeito para essas coisas. Não?!

Que fique claro (infelizmente, ainda é preciso repetir este discurso): pai, marido não ajuda a cuidar dos filhos ou nas tarefas de casa. Nem outras pessoas que moram na casa, além da mãe. Quando a mulher diz “ele é muito bom, me ajuda muito”, está dizendo que as tarefas da casa são responsabilidade dela, o que não é verdade, apesar de isso ter sido imposto pelo patriarcado. Essa visão e essa fala precisam ser mudadas. Pais, maridos, filhas/filhos que fazem tarefas na casa não estão ajudando, mas fazendo tão somente sua obrigação. E não são especiais por isso, são apenas o que devem ser.

Parem de explorar a mulher. Enquanto essa e outras formas de exploração, de dominação, de abuso, não forem eliminadas, tantas e tantas mulheres continuarão como escravas em seu próprio lar. Muitas delas satisfeitas ainda. Será?

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#leiamaismulheres

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Quaresma: um tempo de graças

 

Ailton José Ferreira
Cadeira n.º 07

Meus irmãos em Cristo, que tempo riquíssimo é o da Quaresma! Deus derrama grandes Graças sobre todas as pessoas que procuram vivê-la em intensidade profunda. Mas, como se originou o Tempo Quaresmal? Foi dos quarenta dias que Jesus passou no deserto em jejum e oração, antes do seu início de vida pública.

E hoje ela continua tendo o mesmo sentido para todos os cristãos, pois continua sendo um tempo de oração, jejuns e de esforços que nos fazem aproximar de Deus. Isto, para sermos cristãos fervorosos, libertos e sempre cheios do Espírito Santo, nosso Paráclito (Advogado). A Quaresma, meus irmãos, é um tempo de verdadeira conversão e, converter-se é darmos uma reviravolta em nossas vidas, mudando e transformando a ordem das nossas prioridades e que, muitas vezes, nem são prioridades para a nossa salvação e a de nossos familiares.

Converter é colocarmos Jesus Cristo em primeiro lugar em nossas vidas, nos nossos pensamentos e atitudes. É deixarmos que Ele caminhe com a gente em todos os momentos, nos orientando e dirigindo nossos atos. E se vivermos bem a Quaresma, com certeza ressuscitaremos com Cristo na Páscoa. Pois, mesmo que tenhamos uma vida de oração, correta e de justiça e amor para com o próximo, ainda assim, sempre haverá um ponto ou outro em cada um de nós que precisará de conversão. Sempre deveremos expulsar o “homem velho” que existe em nosso interior para dar lugar ao “Homem Novo”, que Cristo quer introduzir em nosso ser. E por essa razão precisamos encarar mais este tempo Quaresmal como um convite que Deus Pai está fazendo a cada um de nós, porque Ele não se cansa jamais de nos convidar para participarmos do Seu Plano de Amor e da Ceia de Seu Filho Muito Amado.

E para darmos um passo muito importante neste Tempo e consequentemente abraçarmos mais ainda nossos “passos na fé”, é buscarmos o Sacramento da Confissão; e os Propósitos necessários para vivermos bem este período: SILÊNCIO, ORAÇÃO PESSOAL, VIA-SACRA, OBRAS DE MISERICÓRDIA, PERDÃO e finalmente a CONFISSÃO. Transcrevo aqui as palavras do Padre Eduardo Dougherty, SJ, para nos guiar nesta Quaresma:

“Reserve um tempo do seu dia para sua oração pessoal. Leia e medite a Palavra de Deus para então colocá-la em prática. Algumas passagens da Bíblia: Eclo 17, 21-23; Eclo 21, 1-2; Prov 15, 9, que poderão ajudar no seu encontro íntimo com Deus.  Faça uma visita a um doente, um idoso, um órfão, infelizmente ne período de Pandemia é difícil fazê-lo, mas você pode rezar por eles, ajude uma família necessitada doando uma cesta básica, roupas. Enfim, faça algo de bom por alguém. Quaresma é tempo de nos reconciliarmos com o próximo. Peça a Deus a graça de dar o primeiro passo. A Confissão é um Sacramento que nos conduz à adoração e quem confessa os próprios pecados está agindo em harmonia com Deus. Você sentirá a diferença em sua vida, porque essa diferença é a graça e a benção que vem junto com este perdão”.

Portanto, esses são os momentos para nos reconciliarmos com Deus, porque só Ele pode nos dar a paz que tanto almejamos.

QUE DEUS ABENÇOE A TODOS!


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Cidadania e Justiça

 

Conceição Cruz
Cadeira n.º 4



Ao revisar os meus arquivos literários, tive a grata alegria de encontrar esta reflexão, escrita há duas décadas (pouco depois do FGTS tornar-se facultativo para os domésticos).


“CIDADANIA E JUSTIÇA” -  EM UMA RELEITURA DE nossas histórias infantis

 

Em "Leituras", Pontes de Miranda assim dizia “A Natureza, como os livros, deixa aos leitores a mais plena liberdade de interpretação. Pouco lhe importa que tresleiam, ou que deem às suas paisagens um sentido além do que elas significam. E assim se tornaram possíveis os sentimentos, as ideologias” [1].

Construímos um repositório de ideias ao decorrer dos anos.  Algumas acreditamos serem corretas outras...  Nós, enquanto operadores jurídicos, estudantes do Direito, percebemos que muitos conceitos de Bem, Mal, Justo, Injusto etc. já se apresentam nos contos infantis. Será fantasia? Os contos apenas divertem ou formam consciência? Vamos construindo pontes!

Minha proposta é apresentar um olhar expedito sobre algumas destas histórias, das quais muitas vezes, a vida imita a arte! E dessa forma, assim vamos edificando ideias e ideais!

a) Quem não se lembra do sapatinho de cristal, perdido em uma escada, numa grande festa, enquanto soavam as 12 badaladas da meia-noite? Aquele sapato encontrado por um príncipe, percorreu todos os pés femininos do reino. Alguns pés desavisados, tentaram se acomodar ali. Não ficaram confortáveis. Não couberam Direito. 

Mas o que é Direito? No caso do sapato, ele só ficaria confortável se estivesse em conformidade com o pé certo! Mas, só caberia em um e apenas um pé! Justamente!

Aí está o conceito de Justiça.  O que é Justiça?  Aquilo que é exato, certo, perfeito!  Decorre então que o Direito deve estar em conformidade com a Justiça.

b) E aquel’outra com casa de chocolates, biscoitos, balas, comidas? E crianças enjauladas?

Não estaria aí o conceito de obter? E o que é obter? OB = OBRA. Ter. Pressupõe trabalho. Trabalhar para ter! O quê? Comida! Casa! Você cotidianamente preso ao trabalho para... quê?

c) A madrasta que trata de forma diferenciada suas filhas. Direito de Família ou Direito do Trabalho? A enteada trabalha, trabalha. Sendo todas filhas, para que o tratamento diferenciado? Trabalho doméstico. Relação de grande confiança. Agora o FGTS passou a ser opcional.  O ordenamento jurídico permite ofertar menos direitos a quem você mais confia ou pelo menos entrega a sua casa, os seus bens e até mesmo os seus filhos (que você acredita amar tanto!)!  Que “amor” é esse? Esta é a nossa sociedade! Este é o nosso... Direito?!

d) E o cisne que um dia “fora” um pato? Não estaria aí a questão dos grupos sociais, da isonomia, de saber respeitar as diferenças? A Harmonia não estaria no conjunto de todas as formas, onde os diferentes se compõem? E os iguais se auto compõem? Dissídio Individual?  Categoria? Sindicato? Dissídio Coletivo? Tudo refletido no lago social?

Os tempos são outros!  Falo de velhas histórias! São histórias do passado.

E hoje?  Acabamos de vivenciar aquela tradicional e que, repetidamente, todos os anos, reforçamos.

e) É o nosso bom velhinho que aparece todos os fins de ano vestido de vermelho! Dizem que no princípio era São Nicolau. Depois, uma grande empresa, quis associar a imagem de seu produto a este bom doador! Passamos a ter um São Nicolau de manto vermelho colorindo a festa da “Natividade”, regada a ... 

“Assim as empresas multinacionais reforçam o Estado da matriz” (...) Celso D. De Albuquerque Mello, na mesma obra diz: “Octávio Ianni (A Sociedade Global, 1992) observa que com a ‘globalização do capitalismo’ através das empresas está ocorrendo na sociedade internacional em que há uma perda da importância do território e, em consequência, da noção de fronteira. Acresce ainda que tem sido observado que a sociedade internacional atravessa uma fase de globalização de sua economia que é realizada por atores não estatais (empresas transnacionais) e, por outro lado, tem havido uma forte tendência à regionalização cujo ator é o Estado”. [2]

Qual a cor do Natal para você? Se não tiver vermelho não é Natal?  Com certeza na sua mesa também tem Peru! Adivinhar a marca?  Hum!...

Não fique triste. È só uma questão de Direito Comercial e até Internacional. De Consumidor, talvez!

f) Aquele gigante que tem a sua galinha subtraída enquanto dormia! Subtrair coisa alheia móvel para si ou para outrem.  Está escrito! E aqui hoje não se premia. É conduta punível!

g) O espelho que fala! E compara! Vaidades! Aquela que sempre lhe faz perguntas prepara a maçã envenenada que quase mata a nossa doce heroína!... A intriga, a inveja infundada, a língua não refreada... Não estaria aí o motivo torpe, fútil, o “homicídio” premeditado?

Que sociedade queremos construir? Que tipo de cidadania? Depois, queremos punir os adultos! Antigamente, ao final, via-se a “moral da história!” (resquício da forma ditatorial?) Temos inúmeras! Quantas realmente falam de Verdade, Igualdade, Justiça, Liberdade e Paz no sentido lato dessas palavras? Quantas não embutem a violência?

Às vezes, ouvimos sempre a mesmíssima versão. Quem conhece “O Diário do Lobo – A verdadeira História dos Três Porquinhos?”  Hora do contraditório e da ampla defesa!

A criança está atenta: ora vendo os “desenhos animados”, ora os joguinhos do computador!

Jogos! Uma das melhores formas para o aprendizado! Repetidas vezes!

Rachel de Queiroz, com grande perspicácia observa: “E hoje, esses seriados japoneses da TV? As crianças os acompanham avidamente e eles são terríveis. Não só pelos monstros apavorantes, como pelas crudelíssimas proezas dos mocinhos, que usam mil maneiras de matar (...) E as crianças ficam vendo sem piscar o olho, algumas até torcem pelos vilões todo-poderosos. No fundo, elas acreditam que na realidade ninguém morre; tudo e todos são recuperáveis, nunca as vi chorar um herói, uma heroína mortos. E depois, há ainda o hábito. A presença constante de cenários aterrorizantes nos jornais e na TV embota as emoções até nos adultos, que sabemos de experiência própria quanto a vida e mundo são realmente cruéis” (grifei). [3]  

Como já foi dito: “existirmos, a que será que se destina?”  Que queremos ver no futuro? E as nossas crianças? Com todo nosso cabedal de conhecimentos, o que mudou? Ou “ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos Pais?” Nossa responsabilidade ao deixarmos as nossas crianças à mercê de livros, revistas, filmes, fitas é enorme. Às vezes, o que impera nos desenhos é “olho por olho, dente por dente!” Doutra face, muitas daquelas velhas histórias exercem um fascínio muito grande sobre as pessoas. São histórias eternas. Por quê? É possível fazer “n” análises...

Exupéry conta-nos a história de um príncipe que cuida de uma flor (e descobre outras tantas tão importantes quanto aquela!). Não seria esta a melhor definição de cidadão? Alguém com uma consciência universal? Cidadão do Mundo?   Não está na hora de começarmos a construir a nossa cidadania a partir da infância? De repensarmos não só o nosso modelo social, jurídico, mas também as nossas “mais belas histórias”? Tal qual o Direito, evoluir: sair do individual para o difuso!  Unir o agradável ao útil? 

Lembre-se: Justiça é igual à história do sapato. É exata. Nem mais, nem menos. Se permitirmos que a violência chegue às nossas crianças _ muitas vezes ainda mal falam_ que Sociedade iremos construir?  Afinal, a nossa “Justiça” espelha exatamente as ideias que propagamos e nutrimos! Estamos realmente cuidando? Quais são as suas opções? Dentro da sua casa, no seu doce lar: a que tipo de programa de TV seus filhos assistem? E os jogos_ fomentam quais sentimentos? Que tipo de leitura eles fazem? Dos textos? Da vida? Ou apenas: “Pouco lhe importa que tresleiam, ou que deem às suas paisagens um sentido além do que elas significam?” (Pontes, em "Leituras”) ... construa!



Notas:

[1] Pontes de Miranda, Obras Literárias, Prosa e Poesia, Livraria  José Olympio Editora, Rio de Janeiro, 1960, 1ª edição., pág. 70 (in Leituras).

[2] Mello, Celso D. De Albuquerque (Celso Duvivier de Albuquerque), 1937, _ Curso de direito internacional público/Celso D. De Albuquerque Mello, prefácio de M.  Franchini Netto à 1.ed. (ver. e aum.) _ Rio de Janeiro Renovar, 1997

[3] Queiroz, Rachel de, 1910- Falso Mar, Falso Mundo/Rachel de Queiroz. _ São Paulo: Arx, 2002, in “As crianças e a crueldade do mundo”, págs. 83/85.

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

O sorriso de Deus


Carmélia Cândida
Cadeira n.º 2

Neste vídeo, uma história escrita e narrada pela acadêmica Carmélia Cândida (cadeira nº 2, patrono Mário Quintana), que conta de um mundo que se coloriu todo de bons sentimentos. Onde Deus sorri para arte e para o belo, para a música e para as cores, para todos os mais puros e bons sentimentos.

Narrada especialmente para o  Projeto Vozes Contadeiras, do Coletivo Flores de Pequi. Produção e criação do contador de histórias Roberto de Freitas, mineiro de Diogo de Vasconcelos que reside em Belo Horizonte/MG.

A obra de arte que fecha o vídeo é do artista Gildásio Jardim, que gentilmente autorizou o uso.



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Escrever...


O escritor Geraldo Phonteboa ocupa a cadeira n.º 14 da Academia de Letras de Pará de Minas


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Uma publicação do projeto "Em dia com a poesia", de Carmélia Cândida e José Roberto Pereira, membros da ALPM.

domingo, 31 de janeiro de 2021

Vacinas

 

Conceição Cruz
Cadeira n.º 4




Quando criança,
os maiores e mais fortes iam adiante.
Pequenina e frágil, ficava sempre 
no final do fila.

Hoje,
No mundo unificado por um vírus mutante,
com tanta gente preferencial na frente -
com tantos países fortes e ricos -
decerto, o meu lugar está reservado,
ao fim, mais uma vez,
como no passado!

E, ao mesmo lugar, 
também estão os demais países 
pobres condenados!

Em um mundo eticamente humanizado, 
Quem sabe, um dia,
A ordem se inverta
E a doença maior –
o egoísmo -
desapareça?

Ou será que, um dia,
haverá de se criar também  uma vacina de 
altruísmo?
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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Girassóis Amarelos

Conceição Cruz
Cadeira n.º 4




GIRASSÓIS AMARELOS


Irradiam boas energias e seguem o


Ritual do próprio Sol!


As sementes negras


São matizadas de branco: no


Solo úmido, em pouco tempo,


O broto verde busca-lhe a


Inflorescência a vivenciar a maratona de


Subir aos ares... Eles, os girassóis amarelos,


Alinham  seus


Miolos pontilhados,


`A direção do astro


Rei, num balé heliotrópico... Assim, 


Encantaram Van Gogh e o


Levou a retratá-los em diversas telas! Quem tem olhos, saiba ver, ao menos,


O vibrante convite à Felicidade,


Sob as suas singelas atitudes!

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