Meu fevereiro é incompleto, variável e fugaz. Também exuberante: o verão já está maduro, a alegria é radiante e solar e os corpos dançantes e livres. Mistura de cores e ritmos em cordões que arrastam pequenas ou grandes multidões: samba, marchinhas, axé, maracatu, frevo e hoje muito além. É uma transição entre a diversão e o trabalho que, periodicamente, expande seu caráter levemente preguiçoso por mais um dia. Em algum momento, irá decretar o começo do novo ano, em definitivo, muito embora isso possa ser às vezes protelado para além de sua fronteira. Cumpre, assim, a memória ancestral de quando era o último mês do ano. Não é hora de grandes decisões, mas de elaborações. A quaresmeira prepara suas flores e nós, a quaresma. Meu fevereiro da infância tem as expectativas do início das aulas, ensaiando o ano num ritmo lento, no aprendizado ainda sem pressões e com o cheiro e a perfeição dos cadernos novos. Para mim, a organização ideal para o ano, embora pouco durável. É o tempo de liberdade e rebeldia aquarianas e da chegada da sensibilidade e empatia piscianas - de Urano e Saturno a Netuno e Júpiter no comando da ordem celeste. Em fevereiro se entra com suor para sair de ressaca.
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Imagem: criada por IA generativa
