14 de janeiro de 2026

Segredos

Paulo Roberto dos Santos
Cadeira n.º 17

Música e letra do acadêmico Paulo Roberto dos Santos e Mano Men:

 



6 de janeiro de 2026

Noite de Reis, os Magos!

Conceição Cruz
Cadeira n.º 4


A transição entre os anos, sempre, teve um ar - ternamente - Divino e místico...

Existia um ritual, antes mesmo de dezembro chegar...

Mamãe plantava uma porção de grãos de arroz, uns sessenta dias antes, para nascerem verdinhos, decorando o caminho do Presépio para Gaspar, Belchior e Baltasar...

Enquanto germinavam, ela falava a respeito dos Magos e contava inúmeras histórias que levavam a gente para outros Reinos que não pertenciam, com certeza, a este mundo...

A preparação, a expectativa da chegada do Menino-Deus, a alegria da família toda reunida...

Natal com algazarra de crianças e o encontro de diferentes gerações, parentes e amigos...

A decoração, o Presépio - cuidadosa e afetuosamente preparados pelas mãos maternas e infantis - davam mais vida e calor aos nossos Natais até a chegada dos Reis...

Assim, a tradição familiar de celebrar o momento da Natividade, avivava os nossos corações, desde muito antes do último mês do ano, estendendo-se por um bom período no ano seguinte...

Os nossos Natais se delongavam até o dia de Nossa Senhora da Luz, ou das Candeias, dia 2 de fevereiro.

Nessa data, a nossa Matriarca relembrava a saída da Virgem Maria da gruta de Belém e a apresentação do Menino Jesus no templo.

Só depois dessa noite, é que o Presépio era desfeito e guardado para a montagem no próximo ano...

Vale ressaltar que, 6 de janeiro - também - era uma data festejada e celebrada, por ser marcante e muito especial: o Dia de Reis...

No meu pensamento pueril, eu fitava o céu, tentando me inspirar ou até aprender com ele um pouco daquilo que os Magos vivenciaram: conhecimento, ciência, sabedoria e fé: reconhecer e seguir a Verdade Absoluta, acima de tudo!

Há mais de dois mil anos, por estudo e observação chegaram à gruta de Belém, ao Ser que mudaria toda a história da humanidade...

Com coragem celestial, viajaram dias e noites pelos desertos guiados por um sinal celeste...

Na montagem do Presépio, Mamãe sempre os colocava à entrada da gruta, sinalizando que chegaram após o nascimento do Rei Maior...

E eu ficava pensativa, visto que, há tempos, eles já pressentiram a chegada da Luz...

Na nossa casa, era um misto do imaginário, da magia, das tradições e do Divino...

No espírito das tradições, as orações e o momento da simpatia das romãs: esse, com certeza, era um instante de fé, de meditação e de descontração: os agradecimentos pelas dádivas recebidas e o ato de colocar o coração à disposição para aceitar os Planos Divinos e o propósito de colaborar com Ele...

O terço, a ladainha, os incensos, os presentes, a dramatização do Presépio Vivo - a procissão de chegada dos Magos - juntamente com o ouro da bênção e da folia de Reis, em família...

Depois, a mesa farta: a comida, o chá, o café e o desejo de voltar no ano seguinte...

Tudo ficava eternizado dentro da gente, recriando saberes, criando memórias afetivas e fortalecimento de vínculos familiares e sociais...

Enquanto os anos transcorriam, ficava imaginando as adversidades vencidas pelos Magos ao cruzarem os desertos exteriores e interiores...

Imaginava também a importância da intuição, dos estudos, de definir objetivo, da entrega total a um Propósito Maior, de se permitir ir ao encontro d’Aquele que, desde o início, vive no âmago de cada um de nós...

Quantos caminhos a percorrer para vivenciar o Verdadeiro Caminho?

O meu questionamento não era o “porquê” teria sido dessa forma - ideia remissiva ao passado - e sim, “para quê” - remetendo ao futuro...

Ficava explorando, mentalmente, o mundo das possibilidades quanto à existência - ou não - do acaso e da relevância do esforço constante, do trabalho interno e externo, do sacrifício, da dedicação, da fé, da confiança, da perseverança, da alegria e da recompensa...

Do entusiasmo de dar o primeiro passo, ou tantos quantos forem necessários em direção à realização dos sonhos até a consecução deles...

Aquela minha mente de criança, de outrora, seguia assim e ainda prossegue viagem a transcender - a exemplo dos Magos - pelos desertos e territórios da alma...

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5 de janeiro de 2026

A jornada do sábio do Oriente

Márcio Simeone
Cadeira n.º 8
 

Naquele dia, em meu reino distante no Oriente, vi brilhar no céu intensa luz, estrela incomum. Tinha em mim desde sempre o desejo de buscar o sagrado, de achar um lugar de devoção para sair, peregrino, em viagem de silenciosa oração, no íntimo diálogo com o universo. Aquele brilho inusitado me atraía, motivando meus pés a se moverem na direção apontada. Sabia ser a indicação precisa para salvar minha alma tão inquieta - a jornada do destino a me conectar ao grande mistério revelado naquela luz, profetizada, muito esperada. Sabia que não seria o único, mas gostaria de ser dos primeiros. Sem saber ao certo o que encontraria, cabia levar comigo, além das provisões de viagem, alguma oferenda significativa. Sem muito pensar, tomei do incenso que tinha, aquele que acendia a minha espiritualidade - e me pus em marcha. Ao atravessar as montanhas e desertos, senti que levava também meus sonhos e que era impulsionado pela promessa de novos tempos. Era o bastante para aplacar a dureza do caminho, transformando-a numa travessia mística. Outros convergiram àquele ponto iluminado, de distintos reinos, também distantes, de outras línguas e culturas, no mesmo gesto de delicadeza e generosidade. Percebemos, então, que o que buscávamos em comum estava ali, num cenário de de grande simplicidade, mas de infinita grandeza; de luminosidade própria, potente e intensa a atrair ainda mais, capaz de tornar as gentes todas peregrinas para um caminho maior. A própria luz habitou em mim e nos companheiros que ali se juntaram, fazendo-nos sentir entre a terra e o céu, simbolizando uma missão que se cumpriria na junção da realeza à divindade e à mortalidade em sacrifício redentor. Retornamos, humildes e felizes, aos nossos reinos, convertidos em metáfora da jornada libertadora do Messias, a ser escrita no Evangelho. Vivo até hoje nesta eterna caminhada na direção do presépio e do Reino que não é deste mundo.

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1 de janeiro de 2026

Livre transe

Márcio Simeone
Cadeira n.º 8



Meu janeiro é um mês livre, solto e flutuante no calendário, impreciso e desobrigado nos relógios. Inaugural, na aguardada suspensão de tudo o que pode esperar. Muitos janeiros passam em minha mente em câmera lenta, principalmente os das férias na infância e suas desobrigações. Mais tarde, muitas páginas em branco nas novas agendas, quando eu as tinha em papel, mas adivinhando os compromissos vindouros. Representa um tempo que começa com propósitos, promessas e presságios. Tudo está úmido, colorido, musical e exuberante. É como se eu caísse num transe de luz e calor, com duração exata, hipnótica, sem o rigor do tempo, contemplando o deus de duas faces. Minha energia transborda, inquieta, entre sonhos e realidades, numa forma suave de expansão, reconexões e recomeços.

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31 de dezembro de 2025

Ponte

Conceição Cruz
Cadeira n.º 4


Prestes a atravessar a ponte para o novo,
o velho ano agita-se em despedidas e em retrospectivas... 
De antemão, o novo também será ponte  para esticar 
o dia Mundial da Paz.

Entre anseios e perspectivas de ações,
inclusive bélicas, segundo previsões escritas no céu,
reserva-se a mudança: o que é para sempre?
O que é para sempre?

O calendário muda.
As estações, os dias, as horas mudam!
Então, que venham as mudanças 
e seus sábios ensinamentos!

Que saibamos atravessar as pontes
para  nos deliciarmos com as mudanças...
Se não boas, saibamos, ao menos,
colher seus resultados para reescrevermos tudo de novo! 

E de novo
novaMENTE!


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Queridos leitores, que 2026 seja repleto de mudanças e de profundo aprendizado, com muitas bênçãos e profícuos resultados.
Grande abraço.
Conceição Cruz 

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30 de dezembro de 2025

Réveillon

Eduardo Rodrigues
Cadeira n.º 16


Um momento singular
Fim e começo se encontram

Nos últimos avanços dos ponteiros
Sofrimentos se dissolvem
Tristezas se dispersam

Nos primeiros avanços dos ponteiros
Esperanças renascem
Alegrias se renovam

Tudo é possível novamente

Sejamos felizes!

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Imagem: criada por IA generativa


 
 

28 de dezembro de 2025

Vejo e enxergo

Geraldo Phonteboa
Cadeira n.º 14

 
Mesmo que eu ponha os olhos sobre as coisas
Meus olhos veem, mas nem sempre enxergam.
Quase sempre meus olhos ficam nas aparências
E só com muita insistência se consegue enxergar.

Nem céu, nem mar, mar e céu no mesmo lugar
Nem água, nem fogo, transformação para todo lugar
Nem terra, nem ar, apenas vida a brotar.
O mundo assim a criar.

Quando versos escrevo, quando não posso falar
Vejo a história que nasce e se funde 
Com água, fogo, terra e ar, nesse palavrear.
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