26 de janeiro de 2026

Batalha do Bariri ocupa a sede da Academia de Letras de Pará de Minas em edição especial

A sede da Academia de Letras de Pará de Minas recebeu, na tarde do dia 25 de janeiro de 2026, uma edição da Batalha do Bariri, importante movimento cultural que reafirma a força do hip hop e da rima improvisada como linguagem artística, política e social.
 

Tradicionalmente realizada no Parque do Bariri, a edição aconteceu excepcionalmente na sede da Academia, em razão da possibilidade de chuva, evidenciando o compromisso da instituição com o acolhimento e o fortalecimento das manifestações culturais contemporâneas, especialmente aquelas ligadas à cultura urbana e periférica.
 

As batalhas de rima são encontros nos quais MCs se enfrentam em duelos de improviso, utilizando criatividade, ritmo, poesia e crítica social como ferramentas de expressão. Em Pará de Minas, a Batalha do Bariri representa um recomeço: a retomada de uma cena cultural que já existiu na cidade, reunindo integrantes remanescentes de batalhas anteriores e uma nova geração que ocupa os espaços públicos com arte, voz e identidade.



Liderada por Cris Poesia, a Batalha do Bariri reúne MCs, artistas independentes, espectadores e, sobretudo, a juventude preta e periférica, consolidando-se como um espaço de pertencimento, convivência, escuta e construção coletiva. Mais do que uma competição, o movimento se firma como um território de troca e fortalecimento cultural.
 

Os encontros acontecem quinzenalmente, aos finais de semana, no bairro Bariri, e têm atraído um público cada vez maior, inclusive pessoas vindas de cidades da região, como Nova Serrana e Itaúna, ampliando a circulação cultural e o intercâmbio entre artistas do rap regional.
 

A Batalha do Bariri reafirma que a cultura segue viva, pulsante e necessária, criando redes, ocupando territórios e dando continuidade a uma história que se recusa a ser silenciada.
Saibam mais sobre projeto em: @batalha_do_bariri

19 de janeiro de 2026

Patuá: um show na ALPM


O músico e compositor Ricardo Rodrigues fará no dia 1.º de fevereiro, às 10 da manhã, um show na sede da Academia de Letras de Pará de Minas (Centro Literário Pedro Nestor), em apresentação solo (violão e voz). "Patuá - uma obra cancioneira" tem repertório inteiramente autoral e reúne seis canções inéditas, compostas entre 2017 e 2025, além de quatro canções dos álbuns Tons (2008), Terra, Baú e Verso (2016) e das Canções (2025). As canções se organizam como um pequeno cesto — um patuá — onde memória, delicadeza e tempo se entrelaçam. O espetáculo será realizado para uma plateia de apenas 30 pessoas, no espaço da Academia, reforçando o caráter singular da apresentação.

 

Ricardo Rodrigues é músico, compositor e instrutor de yoga. Graduado em violão pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e pela Bituca – Universidade Popular de Música, desenvolve um trabalho autoral marcado pela delicadeza poética e pela escuta como experiência estética.

Data: 1º de fevereiro de 2026 (domingo)
Horário: 10h
Local: Academia de Letras de Pará de Minas – ALPM
Rua Benedito Valadares, nº 183, 2º andar – Centro
Centro Literário Pedro Nestor
Classificação: 12 anos
Ingresso: R$ 30,00 

Apoio cultural da ALPM.

Informações e ingressos - clique aqui

 

14 de janeiro de 2026

Segredos

Paulo Roberto dos Santos
Cadeira n.º 17

Música e letra do acadêmico Paulo Roberto dos Santos e Mano Men:

 



6 de janeiro de 2026

Noite de Reis, os Magos!

Conceição Cruz
Cadeira n.º 4


A transição entre os anos, sempre, teve um ar - ternamente - Divino e místico...

Existia um ritual, antes mesmo de dezembro chegar...

Mamãe plantava uma porção de grãos de arroz, uns sessenta dias antes, para nascerem verdinhos, decorando o caminho do Presépio para Gaspar, Belchior e Baltasar...

Enquanto germinavam, ela falava a respeito dos Magos e contava inúmeras histórias que levavam a gente para outros Reinos que não pertenciam, com certeza, a este mundo...

A preparação, a expectativa da chegada do Menino-Deus, a alegria da família toda reunida...

Natal com algazarra de crianças e o encontro de diferentes gerações, parentes e amigos...

A decoração, o Presépio - cuidadosa e afetuosamente preparados pelas mãos maternas e infantis - davam mais vida e calor aos nossos Natais até a chegada dos Reis...

Assim, a tradição familiar de celebrar o momento da Natividade, avivava os nossos corações, desde muito antes do último mês do ano, estendendo-se por um bom período no ano seguinte...

Os nossos Natais se delongavam até o dia de Nossa Senhora da Luz, ou das Candeias, dia 2 de fevereiro.

Nessa data, a nossa Matriarca relembrava a saída da Virgem Maria da gruta de Belém e a apresentação do Menino Jesus no templo.

Só depois dessa noite, é que o Presépio era desfeito e guardado para a montagem no próximo ano...

Vale ressaltar que, 6 de janeiro - também - era uma data festejada e celebrada, por ser marcante e muito especial: o Dia de Reis...

No meu pensamento pueril, eu fitava o céu, tentando me inspirar ou até aprender com ele um pouco daquilo que os Magos vivenciaram: conhecimento, ciência, sabedoria e fé: reconhecer e seguir a Verdade Absoluta, acima de tudo!

Há mais de dois mil anos, por estudo e observação chegaram à gruta de Belém, ao Ser que mudaria toda a história da humanidade...

Com coragem celestial, viajaram dias e noites pelos desertos guiados por um sinal celeste...

Na montagem do Presépio, Mamãe sempre os colocava à entrada da gruta, sinalizando que chegaram após o nascimento do Rei Maior...

E eu ficava pensativa, visto que, há tempos, eles já pressentiram a chegada da Luz...

Na nossa casa, era um misto do imaginário, da magia, das tradições e do Divino...

No espírito das tradições, as orações e o momento da simpatia das romãs: esse, com certeza, era um instante de fé, de meditação e de descontração: os agradecimentos pelas dádivas recebidas e o ato de colocar o coração à disposição para aceitar os Planos Divinos e o propósito de colaborar com Ele...

O terço, a ladainha, os incensos, os presentes, a dramatização do Presépio Vivo - a procissão de chegada dos Magos - juntamente com o ouro da bênção e da folia de Reis, em família...

Depois, a mesa farta: a comida, o chá, o café e o desejo de voltar no ano seguinte...

Tudo ficava eternizado dentro da gente, recriando saberes, criando memórias afetivas e fortalecimento de vínculos familiares e sociais...

Enquanto os anos transcorriam, ficava imaginando as adversidades vencidas pelos Magos ao cruzarem os desertos exteriores e interiores...

Imaginava também a importância da intuição, dos estudos, de definir objetivo, da entrega total a um Propósito Maior, de se permitir ir ao encontro d’Aquele que, desde o início, vive no âmago de cada um de nós...

Quantos caminhos a percorrer para vivenciar o Verdadeiro Caminho?

O meu questionamento não era o “porquê” teria sido dessa forma - ideia remissiva ao passado - e sim, “para quê” - remetendo ao futuro...

Ficava explorando, mentalmente, o mundo das possibilidades quanto à existência - ou não - do acaso e da relevância do esforço constante, do trabalho interno e externo, do sacrifício, da dedicação, da fé, da confiança, da perseverança, da alegria e da recompensa...

Do entusiasmo de dar o primeiro passo, ou tantos quantos forem necessários em direção à realização dos sonhos até a consecução deles...

Aquela minha mente de criança, de outrora, seguia assim e ainda prossegue viagem a transcender - a exemplo dos Magos - pelos desertos e territórios da alma...

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Imagem: by pngtree.com 


  


5 de janeiro de 2026

A jornada do sábio do Oriente

Márcio Simeone
Cadeira n.º 8
 

Naquele dia, em meu reino distante no Oriente, vi brilhar no céu intensa luz, estrela incomum. Tinha em mim desde sempre o desejo de buscar o sagrado, de achar um lugar de devoção para sair, peregrino, em viagem de silenciosa oração, no íntimo diálogo com o universo. Aquele brilho inusitado me atraía, motivando meus pés a se moverem na direção apontada. Sabia ser a indicação precisa para salvar minha alma tão inquieta - a jornada do destino a me conectar ao grande mistério revelado naquela luz, profetizada, muito esperada. Sabia que não seria o único, mas gostaria de ser dos primeiros. Sem saber ao certo o que encontraria, cabia levar comigo, além das provisões de viagem, alguma oferenda significativa. Sem muito pensar, tomei do incenso que tinha, aquele que acendia a minha espiritualidade - e me pus em marcha. Ao atravessar as montanhas e desertos, senti que levava também meus sonhos e que era impulsionado pela promessa de novos tempos. Era o bastante para aplacar a dureza do caminho, transformando-a numa travessia mística. Outros convergiram àquele ponto iluminado, de distintos reinos, também distantes, de outras línguas e culturas, no mesmo gesto de delicadeza e generosidade. Percebemos, então, que o que buscávamos em comum estava ali, num cenário de de grande simplicidade, mas de infinita grandeza; de luminosidade própria, potente e intensa a atrair ainda mais, capaz de tornar as gentes todas peregrinas para um caminho maior. A própria luz habitou em mim e nos companheiros que ali se juntaram, fazendo-nos sentir entre a terra e o céu, simbolizando uma missão que se cumpriria na junção da realeza à divindade e à mortalidade em sacrifício redentor. Retornamos, humildes e felizes, aos nossos reinos, convertidos em metáfora da jornada libertadora do Messias, a ser escrita no Evangelho. Vivo até hoje nesta eterna caminhada na direção do presépio e do Reino que não é deste mundo.

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Imagem: criada por IA generativa 

 


 

1 de janeiro de 2026

Livre transe

Márcio Simeone
Cadeira n.º 8



Meu janeiro é um mês livre, solto e flutuante no calendário, impreciso e desobrigado nos relógios. Inaugural, na aguardada suspensão de tudo o que pode esperar. Muitos janeiros passam em minha mente em câmera lenta, principalmente os das férias na infância e suas desobrigações. Mais tarde, muitas páginas em branco nas novas agendas, quando eu as tinha em papel, mas adivinhando os compromissos vindouros. Representa um tempo que começa com propósitos, promessas e presságios. Tudo está úmido, colorido, musical e exuberante. É como se eu caísse num transe de luz e calor, com duração exata, hipnótica, sem o rigor do tempo, contemplando o deus de duas faces. Minha energia transborda, inquieta, entre sonhos e realidades, numa forma suave de expansão, reconexões e recomeços.

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31 de dezembro de 2025

Ponte

Conceição Cruz
Cadeira n.º 4


Prestes a atravessar a ponte para o novo,
o velho ano agita-se em despedidas e em retrospectivas... 
De antemão, o novo também será ponte  para esticar 
o dia Mundial da Paz.

Entre anseios e perspectivas de ações,
inclusive bélicas, segundo previsões escritas no céu,
reserva-se a mudança: o que é para sempre?
O que é para sempre?

O calendário muda.
As estações, os dias, as horas mudam!
Então, que venham as mudanças 
e seus sábios ensinamentos!

Que saibamos atravessar as pontes
para  nos deliciarmos com as mudanças...
Se não boas, saibamos, ao menos,
colher seus resultados para reescrevermos tudo de novo! 

E de novo
novaMENTE!


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Queridos leitores, que 2026 seja repleto de mudanças e de profundo aprendizado, com muitas bênçãos e profícuos resultados.
Grande abraço.
Conceição Cruz 

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