Francisco Vilas Boas
Cadeira n.º 20

Em 1980, Elis
Regina cantou “alô alô marciano, aqui quem fala é da terra, pra variar, estamos
em guerra”. E quarenta e cinco anos depois, ainda disparamos metralhadoras. Na
inocência da juventude, muitos, como eu, imaginavam que guerras seriam meros
enredos de filmes e livros, mas que não cometeríamos os mesmos erros dos
séculos passados. Içami Tiba nos ensinou que o aprendizado reside na correção
do erro, não na sua repetição. Contudo, parece que as lições da 2ª Guerra foram
em vão. Atualmente, testemunhamos a escalada das tensões com Israel
bombardeando hospitais na Palestina e atacando o Irã, que, por sua vez, revida
contra Israel e bases americanas no Catar. Enquanto isso, a Rússia mantém seus
ataques a escolas na Ucrânia, elevando a ameaça de um conflito nuclear com a
OTAN. O Instituto Humanitas Unisinos revela um dado alarmante: cerca de um
trilhão de dólares são investidos na produção de armas e manutenção de
exércitos. Mas ao redor do mundo, milhares de pessoas morrem de fome e de
doenças que seriam facilmente tratadas com a tecnologia que temos. O dinheiro
que poderia salvar vidas, é gasto com bombas e mísseis que destroem hospitais, escolas
e igrejas. Como advertiu Yuval Harari, antigamente as pessoas morriam de fome
por questões climáticas ou desastres naturais, mas hoje elas morrem de fome por
falta de interesse político. Apesar do cenário sombrio, mantenho a esperança,
ecoando a mensagem de Renato Russo: "a humanidade é desumana, mas ainda
temos chance; sol nasce pra todos, só não sabe quem não quer." O otimismo
resiste na capacidade de corrigirmos nossos erros e construirmos um futuro que
não repita o passado.
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Texto
originalmente publicado no Jornal Informativo Tribuna do Jequitinhonha, edição
286, pg. 2, junho de 2025
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