Ao abrigo do frio do inverno, chega o antigo Quintilis, tornado louvor ao poderoso César. O sol não tem pressa de escalar o céu vestido de cetim azul e as noites seguem roubando impunemente um pedaço da tarde. Mas o céu noturno parece mais limpo e mais profundo, como se pudéssemos ver quase todo o universo. É uma extensão do tempo: julho prolonga as festas e celebrações populares do seu antecessor, recebendo com generosidade e animação o que lá não cabe. É o mês que abre as portas das escolas, derramando crianças por toda parte, livres e barulhentas. Quase tudo sai de seu lugar. O julho da minha meninice sempre pareceu lento e suave, um intervalo preguiçoso no cotidiano, aberto a outros fazeres e a outro pensar. Um tempo com menos obrigações, convite ao sono, às reparações e às brincadeiras sem tempo, mas também aos passeios. Veio a ser depois um período de leituras, artes e festivais, tempo de enriquecer experiências, de abraçar outras ideias, perto ou longe - viagens de corpo ou de alma, como se a vida coubesse toda num longo feriado e tudo pudesse ser só poesia.
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Imagem: Criada por IA generativa

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