30 de abril de 2026

A velha Matriz

Angela Xavier
Cadeira n.º 1

Matriz de N. S. da Piedade em 1935 (acervo MUSPAM)
 

Todas as cidades têm seu começo. E é sempre uma rua comprida, chamada Direita, que vai dar na Igreja Matriz. Nesta rua está o comércio, ali estão os bancos, os bares e o footing nas noites de sábado. Ali desfilam os grupos de congado e os blocos de carnaval. É por onde passam as procissões, os cortejos fúnebres e as paradas do Dia da Pátria. Dela nascem outras ruas no crescimento das cidades.

É grande privilégio e símbolo de poder ter uma casa ou um ponto comercial na rua Direita. Sendo assim ela se encomprida sempre.

Em Pará de Minas não foi diferente. 

A sua primeira Matriz foi dedicada a Nossa Senhora da Piedade, sua padroeira. Era, em seus primórdios, uma igreja barroca, da qual conheço a fachada por um quadro pintado por meu avô, Alfredo Leite Praça. O quadro é comemorativo do seu centenário e traz as datas: 1846 – 1946. Na reforma da igreja, acontecida em 1918, um pintor italiano Angelo Pagnacoo, deixou sua arte.

Defronte à Matriz havia um jardim florido e um enorme coqueiro. Assim como todos os meus conterrâneos, nela fui batizada, assistia às missas dominicais e participava junto com todas as meninas de então, das coroações a Nossa Senhora da Piedade que aconteciam nos finais de semana do mês de maio.

A Matriz era o centro da vida da cidade. No início do século XX o sino era badalado quando havia uma missa, um evento religioso ou mesmo uma emergência. Tem um fato pitoresco acontecido com meu avô Alfredo. O sino tocou já altas horas da noite. Conforme o costume, os homens saíram para ver o que estava acontecendo. Entraram na igreja munidos de velas e pedaços de paus, os corações batendo forte de medo. Percorreram todos os cômodos da igreja sem ver nada de anormal. Passando pela sacristia viram os panos que serviam de cenários nas representações de cenas bíblicas. Meu avô bateu neles com o cabo do seu guarda-chuva para mostrar que ali não havia ninguém. Enfim, saíram sem entender por que o sino havia badalado. Estavam confabulando na rua, quando viram uma das janelas da igreja se abrir. Se aproximaram receosos e viram ali o Roberto Doido, um tipo popular da cidade, que lhes disse: -“Sou eu,  Jesus Cristo e estou na minha casa".

Nas grandes festas religiosas como a Semana Santa, um palanque era montado defronte à Matriz para a encenação de episódios bíblicos, costume que seguiu até os anos 60.  Era necessário um espaço maior para o grande público que afluía de todos os distritos e bairros da cidade.

Me lembro de um tempo em que, menina ainda, via a chegada de caminhões abarrotados trazendo os moradores da zona rural para participar dos festejos religiosos. Eram homens, mulheres e crianças, com suas roupas domingueiras enchendo a grande praça para assistir as encenações e, em seguida, acompanhar a procissão que percorria as ruas principais.

A Matriz fazia parte da vida de todos, do nascimento à morte. Nos momentos dos festejos e dos sofrimentos. Era a alma e a história da cidade.

No mês de maio aconteciam as coroações a Nossa Senhora da Piedade. Os ensaios começavam um mês antes e aconteciam em casas de família. Me lembro de ensaiar na casa de meu bisavô, Juca Ferreira com minha tia-avó Gení, de voz linda e afinadíssima. Também ensaiamos na casa de Anita Sales que nos acompanhava ao piano na sala imensa de piso de madeira lavada que existia na praça defronte a Matriz.

Um costume único acontecia na hora do Te Deum, sempre ao anoitecer. O sino da igreja tocava e todos os que estavam caminhando pela rua Direita paravam. Imóveis e em silêncio, esperavam o segundo badalo, quando continuavam a caminhar. Este costume pegava de surpresa qualquer visitantes desavisado.

 

Demolição da velha Matriz (acervo MUSPAM)

Nossa Matriz, um dia, foi considerada ultrapassada e com perigo de desabar sobre os fiéis. Não havia solução! Era preciso derrubá-la! Uma nova seria construída!
Da janela do sobrado onde viviam meus pais, na rua São José, eu via o guindaste com uma bola de ferro enorme batendo nas paredes da velha Matriz que se recusava a cair. Assim, aos poucos, aquela colossal e emblemática construção, caiu por terra.

Hoje a Matriz não existe mais no plano físico, mas ficou na memória de quantos a conheceram, com todos os seus detalhes, pela importância que teve nos momentos marcantes de suas vidas. Seus vestígios estão preservados no Museu Histórico de Pará de Minas e em algumas capelas da cidade.

Na minha memória e todos os paraminenses que viram nossa Matriz de pé, ela ainda está lá, intacta, carregando parte de nossa história e da de nossos ancestrais.

29 de abril de 2026

Identidade, coletividade e escuta: roda de conversa mobiliza reflexões na Academia de Letras

Alexandra Santos puxando a conversa

Falar sobre identidade preta é reconhecer que há uma história de apagamentos — mas, sobretudo, afirmar que há um movimento em curso: coletivo, vivo e em construção. Foi nesse horizonte que a Academia de Letras de Pará de Minas acolheu a roda de conversa “Identidade preta e o exercício da coletividade”, realizada pelo Grupo Reflexivamente, reunindo diferentes vozes em um espaço de escuta, partilha e reflexão.

Conduzido pela assistente social Alexandra Maria da Silva Santos, o encontro abordou os atravessamentos de raça, gênero e classe na contemporaneidade, articulando experiências individuais a processos históricos ainda presentes na sociedade brasileira. Durante a roda, Alexandra destacou a importância do letramento racial e do conhecimento como ferramentas fundamentais para a compreensão do espaço ocupado pela população negra, reforçando o caráter processual e coletivo dessa construção: “Hoje nós vivemos um momento de construção dessa identidade através do corpo, da música, do conhecimento e do letramento racial. Essa construção não se faz sozinha; nós nos construímos através da coletividade. Eu construo a minha identidade enquanto uma mulher preta convivendo com outras pessoas pretas, através da troca e de reconhecer tudo que a população negra fez e ainda faz no nosso país (...) Estamos nos construindo lentamente, em passos pequenos, mas tem acontecido".

Apresentação do grupo Cantadeiras de Engenho 

A atividade foi ampliada pela apresentação do grupo Cantadeiras de Engenho, que trouxe à cena a força da cultura popular e da memória coletiva por meio do canto, e pela participação da artista Cris Poesia, que, entre música e palavra, reforçou a dimensão sensível e política da expressão artística.

Da esquerda para a direita: Naliene Gonçalves, coordenadora do Grupo Reflexivamente, Laís Fortunato, a palestrante Alexandra Maria da Silva Santos, Cris Poesia e as acadêmicas Conceição Cruz e Carmélia Cândida

Para Naliene Gonçalves, coordenadora do Grupo Reflexivamente, iniciativas como essa são fundamentais para o fortalecimento do diálogo e da consciência coletiva no município.  Mais do que um encontro pontual, a iniciativa reafirma a importância de espaços institucionais abertos ao diálogo e à diversidade de vozes. 
Ao apoiar a realização da atividade, a Academia de Letras de Pará de Minas fortalece seu compromisso com a democratização do acesso à cultura e ao conhecimento, consolidando-se como um espaço que acolhe grupos, coletivos e pautas fundamentais para a construção social contemporânea.

28 de abril de 2026

ALPM acolhe em sua sede palestra sobre identidade preta e coletividade


No dia 28 de abril de 2026, às 19h, a Academia de Letras de Pará de Minas abre suas portas para uma noite de reflexão e diálogo. A instituição recebe a palestra “Identidade Preta e o exercício da coletividade”, encontro voltado à análise crítica dos atravessamentos históricos que ainda moldam a sociedade contemporânea, abordando temas como raça, gênero e classe. Falará no evento a assistente social Alexandra Maria da Silva Santos.

A atividade é uma realização do Grupo Reflexivamente, iniciativa sediada em Pará de Minas, coordenada pela psicóloga Naliene Gonçalves Clemente. O grupo se dedica ao apoio psicológico e ao empoderamento feminino, unindo o acolhimento emocional ao desenvolvimento de uma consciência crítica sobre o papel da mulher na atualidade.

De acordo com a organização, o evento propõe um espaço de escuta e trocas sobre memória, identidade e construção coletiva, reforçando a importância do diálogo crítico e da valorização das múltiplas experiências sociais.

Ao oferecer apoio à iniciativa, a Academia de Letras de Pará de Minas reafirma seu compromisso com a democratização do acesso à cultura e ao conhecimento, consolidando-se como um espaço aberto a debates essenciais para a formação cidadã.

A palestra é aberta ao público, com entrada franca. A sede da ALPM está situada na Rua Benedito Valadares, 183 - 2.º andar (Centro Literário Pedro Nestor).

22 de abril de 2026

A República de Meireles - o autor Rodrigo Campos compartilha aqui a sua obra


Rodrigo Silva de Oliveira Campos, natural de Pará de Minas, apresentou o seu primeiro livro "A República de Meireles" na mesa "Caminhos da Palavra", realizada dentro da programação da 1.ª Festa Literária da Academia de Letras de Pará de Minas. A obra eterniza relatos ouvidos da população de Meireles, povoado na zona rural do município, resgatando mais de cem anos de sua história e mostrando seus desafios contemporâneos.

Além da versão impressa do livro, o autor agora o compartilha gratuitamente em meio digital neste site da ALPM, na Biblioteca Digital. Ao fazer isso, Rodrigo Campos encaminhou algumas palavras à ALPM, que são reproduzidas abaixo:

"Embora tenha sido minha a tarefa de reunir lembranças, escutar histórias e transformá-las em palavra escrita, a verdade mais funda é que esse livro pertence, em sua essência, à comunidade que lhe deu origem, às famílias, às vozes, às memórias e ao chão que o inspiraram.

Há, por isso, um simbolismo muito bonito em vê-lo chegar à Academia de Letras de Pará de Minas. De algum modo, é como se essa memória retornasse à casa da palavra, encontrando abrigo num lugar que sabe reconhecer o valor da cultura, da escuta e daquilo que o tempo não deveria apagar. Sendo Meireles filha afetiva de Pará de Minas, há nessa entrega algo de regresso, de devolução e de pertença.

Meu desejo é simples e sincero: que esta versão digital possa circular livremente, alcançar leitores, despertar lembranças, aquecer os que têm laços com essa história e, talvez, apresentar Meireles a quem ainda não a conhece. Que o livro siga seu caminho como seguem as boas prosas: de mão em mão, de olhar em olhar, de afeto em afeto".

Rodrigo Campos - abril de 2026



Para baixar o livro, clique aqui.

 

 

 

20 de abril de 2026

Colégio Sagrado Coração de Maria homenageia escritor da ALPM em sua Feira do Livro

A 34.ª Feira do Livro do Colégio Sagrado Coração de Maria, em Pará de Minas, homenageará este ano o escritor José Roberto Pereira, membro da Academia de Letras de Pará de Minas (cadeira n.º 12). Realizada desde 1992, a Feira se consolidou como importante evento de incentivo à leitura na cidade, e não apenas para os seus estudantes. Tem feito a aproximação e o contato direto com os profissionais que compõem a cadeia produtiva do livro, mas também promovido o encontro com autores e autoras. A programação da Feira, que vai de 23 a 25 de abril, contará com vários bate-papos sobre vários temas literários e contação de histórias. 
 
 
Na tarde de quinta-feira, 23/04, José Roberto fará uma sessão chamada "Bom gosto ou a cozinha da quitandeira", onde contará histórias. Na manhã de sábado, dia 25, a Feira fará uma exposição de trabalho dos estudantes inspirados na obra do homenageado. A entrada é franca.

19 de abril de 2026

Em pré-lançamento: Paraíso.com

Conceição Cruz
Cadeira n.º 4
 

Queridos Amigos,

Tenho a grata alegria de compartilhar a entrevista de pré-lançamento do livro Paraíso.Com, feita pelo professor Rachid Silva, no programa PontoContraponto.

 



Adotando a linha criadora de Rubem Alves, dentro de mim, criei parques, redescobri o rio... Da fusão de tudo e de ambos, ao ver a questão das ambiências em contínuos desafios, criei o “Paraíso.Com”.

Assim, com Alegria, apresento a vocês, a obra que será lançada em breve, com o objetivo de que vocês adiram a esta proposta, com anseios de que a sensibilidade de todos transmute, em realidade, o que, neste momento, pode parecer apenas Poesia!

Tenho sede!

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Observações:

-  O nome do outro músico citado juntamente ao Ge Lara é José Antônio de Souza Pinto.        

- Errata: Paulinho Pedra Azul não gravou nenhuma das composições da entrevistada; ele fez apresentação no Gravatá e a sua fala a inspirou a criar um episódio dentro do livro. 



 

18 de abril de 2026

ALPM leva literatura às escolas e recebe estudantes em sua sede

Manhã literária: estudantes foram recebidos na sede da ALPM

Dentro da programação da 1ª Festa Literária da Academia de Letras de Pará de Minas, a manhã e a tarde de sexta-feira, dia 10/04, foram reservadas para significativos encontros entre escritores e leitores, reafirmando o papel da instituição na promoção da leitura e da formação cultural.

A ação "A escola vai à Academia" recebeu, pela manhã, estudantes da rede pública na sede da ALPM, em parceria com o projeto Historiar, do Museu Histórico de Pará de Minas. A atividade incluiu visita literária e contação de histórias com a acadêmica Ângela Leite Xavier (cadeira n.º 1), envolvendo os alunos em uma experiência sensível e imaginativa.

Contação de histórias com a acadêmica Ângela Leite Xavier

Na parte da tarde, com a ação "A Academia vai à escola", acadêmicos estiveram com estudantes em uma roda de conversa sobre o tema “Leitura como prazer”. O encontro foi realizado na Escola Municipal Dom Bosco e proporcionou trocas diretas, escuta atenta e reflexões sobre o processo criativo, aproximando os jovens do universo literário de forma concreta e afetiva.

A acadêmica Malluh Praxedes fala aos estudantes da Escola Municipal Dom Bosco

A recepção dos estudantes e o envolvimento nas atividades foram destaques da programação. Como registrou a acadêmica Malluh Praxedes (cadeira n.º 19), “Demos autógrafos — todos nós — e eles iam e voltavam com páginas de caderno, folhas soltas, retalhos de um papel qualquer e, naquele gesto, percebi o quanto queriam guardar na lembrança o gosto bom daquela tarde”. O depoimento sintetiza o impacto das ações, que também foram marcadas por organização, pontualidade e respeito ao público e aos autores — aspectos ressaltados por participantes com experiência em eventos literários dentro e fora da cidade.

Compromisso da ALPM com educação e a promoção da leitura

Mais do que atividades pontuais, os encontros evidenciaram o potencial transformador da literatura quando vivida em diálogo, despertando curiosidade, identificação e o desejo de continuidade no contato com os livros.


17 de abril de 2026

O espelho

Conceição Cruz
Cadeira n.º 4

Era uma vez um espelho...

Bem lá no fundo do salão, com suas secretas histórias...

Pelos tons escuros e espessura do vidro, sabia-se que ele guardava significativas memórias de século passado e de que tudo via, silenciosamente...

Dessa vez, era a Primeira Festa Literária da Academia de Letras de Pará de Minas, na própria Casa dos Escritores...

2026, abril...

Todos chegavam ali, sem perceberem a sua presença...

Mas, silente, sem ninguém importunar, ia refletindo cada imagem ali presente...

Ao seu lado, um banco e cadeiras que atravessaram épocas...

Foi dali, ao lado dele, que muitos viram chegar o convidado mais esperado daquela noite especial, para contar histórias e mais histórias...

Era a Prosa ao pé do fogão imaginário...

O escritor e contador de história com sua “companheira sonsa”, entraram na sala, entoando um canto contagiante ...

À medida que as histórias se desenrolavam, o encantamento do público se agigantava...

De repente, estavam todos cantando, agitando as mãos, os braços, no ritmo melódico...

As pausas eram preenchidas por ruidosas palmas...

Um evento singular, a despertar a criança interior, tamanha alegria reinante naquela noite festiva de encerramento...

A Magia Literária regia todo o espaço, corações e mentes...

E o espelho estava ali, recebendo toda a energia, transmutando-a em vibrações de paz, de confraternização, de acolhimento, próprias de um Espírito Acadêmico...

Lá fora, a chuva grossa lavava as almas, as calçadas...

Em contraponto - dentro - percebia-se um carinho expresso em cada detalhe daquela sala: tudo - cuidadosa e mineiramente preparado: a toalha e a cortina brancas, o bolo de fubá, a variedade de queijos e tantas outras iguarias...

Além dos saberes e dos sabores, das memórias gustativas e por que não dizer, afetivas - também - podia-se ouvir o palpitar de tantos corações apaixonados pela Arte: artistas iniciantes ou experientes, jovens, idosos preenchiam os inúmeros assentos...

Todos pareciam esquecidos de seus papeis sociais e de suas tarefas mais comezinhas...

História vai... História vem...  Desde era uma vez... 

O artista recordou à plateia o melhor de todos os presentes...

As luzes dos celulares e das máquinas fotográficas bailavam pelo ar, sem descansarem...

Atento e ouvindo tudo, o espelho, naquela noite, não estava no foco das câmeras ágeis que buscavam os olhares e as expressões das pessoas...

Eis que, de repente, num átimo de segundo, de forma desproposital, a luz viajante chegou até ao fundo do salão...


E assim, uma foto registrou o espelho, eternizando-o ali, naquele evento, tal como se apresentava: de corpo e alma totalmente... Presente!

Ele, o espelho - de maneira singela - ao se permitir ser capturado, tornou-se capturador, imortalizando também - naquele ocasional instante - o seu presente, juntamente, com seu casual admirador!

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Imagem modificada por IA generativa 

16 de abril de 2026

Caminhos da Palavra: drama e suspense na caçada de João Souza

Foto: Mendes Fotografia

O jovem João Souza (@joaosouuzza_), de apenas 17 anos, estudante do Ensino Médio no Colégio Sagrado Coração de Maria, surpreendeu os presentes da mesa-redonda "Caminhos da Palavra" pela apresentação de seu primeiro livro, de mais de 450 páginas, chamado "Caçada Selvagem – Desejo" (2025, Ed. Flyve). A obra apresenta uma narrativa densa e sombria que vai além do simples clichê de amores proibidos entre humanos e criaturas sobrenaturais. João explicou que a concepção do livro se deu no período da recente pandemia. Sempre gostou de ler, mas decidiu criar ele próprio suas histórias. Ao final do livro, nos agradecimentos, ele próprio define assim essa aventura: "Mesmo tendo idade para me preocupar apenas com a escola e aprender variações de contas matemáticas inúteis, decidi usar meu tempo para escrever esta história maluca". Ele destacou o grande incentivo que sempre teve para a leitura na família e na escola, tendo sido desde cedo um frequentador assíduo da Biblioteca Pública. Na conversa ainda revela sua intenção de seguir sua narrativa numa série de sete livros, já escritos ou esboçados.


A trama acompanha Heather Vanderwaal, uma adolescente que, após a internação da mãe, muda-se para a pacata cidade de Church Hill, na Carolina do Norte, para viver com a tia. O que parecia um recomeço acabou por se transformar em um pesadelo quando ela cruzou o caminho do enigmático Gaye McCool. Gaye é um lobisomem que luta desesperadamente contra sua própria natureza para não perder a humanidade. Daí a trama se intensifica com a chegada de Kai, o primo sarcástico de Gaye, formando um triângulo amoroso que serve de pano de fundo para uma teia de assassinatos brutais e segredos envolvendo gangues sobrenaturais conhecidas como "Cães de Caça". O livro revela a ambição do autor em construir um universo próprio, repleto de mistérios familiares e disputas ancestrais, o que é admirável para um escritor tão jovem.

João Souza participou da mesa ao lado de Cláudia Siqueira e Rodrigo Campos
Foto:Mendes Fotografia

A mesa "Caminhos da Palavra" foi realizada dentro da programação da 1.ª Festa Literária da Academia de Letras de Pará de Minas, destinada à valorização de autores com vínculo com Pará de Minas que se encontrem em início de trajetória literária, promovendo o diálogo sobre processos criativos, publicação e perspectivas de formação no campo da escrita. A partir de inscrição prévia em chamada pública, foram selecionados três escritores, que participaram de uma conversa mediada pela presidente da ALPM, Carmélia Cândida.

15 de abril de 2026

Caminhos da Palavra: todos olhando para Cláudia Siqueira

 

Fonte: Mendes Fotografia

Cláudia Siqueira (@aminadoslivross), jovem escritora que se apresentou na mesa-redonda "Caminhos da Palavra", na programação da 1.ª Festa Literária da Academia de Letras de Pará de Minas, contou aos presentes que desenvolveu seu interesse pela escrita literária muito cedo. A ideia para seu primeiro romance, "Ninguém está te olhando", nasceu ainda em sua adolescência, quando começou a conceber as histórias que ganhariam forma de livro anos mais tarde, em 2023, quando contava 26 anos de idade. Ela revisitou todo o material inicial e o transformou na obra publicada de forma independente.

Cláudia também já escreveu fanfics, webseries e roteiros de peças teatrais. Ela declara que escrever foi para e
la sempre algo natural. De uma geração plenamente adaptada ao meio digital, ela começou a compartilhar seus escritos no Instagram e, com o tempo, amadureceu a ideia de ter um livro publicado, o que, a princípio, parecia impossível. Com o incentivo de um amigo escritor, partiu para a empreitada de reformular e reorganizar os seus textos, num processo que durou praticamente um ano.

Em "Ninguém está te olhando", Cláudia Siqueira apresenta uma narrativa que vai além do romance convencional ao explorar as complexidades da vida diante das adversidades. A trama acompanha Mabell Mendes, uma cantora de sucesso que é forçada a fazer uma pausa na carreira após ser diagnosticada com Lúpus. Em busca de acolhimento, ela se refugia na pacata cidade de Flower, ao lado da mãe e do melhor amigo. Paralelamente, conhecemos Luiz Lopes, um promissor goleiro que é cotado como a grande esperança da próxima Copa do Mundo, mas que ainda lida com a dor da perda de sua irmã, vítima da mesma doença que aflige Mabell. A obra pode agradar tanto aos fãs de romances quanto aos que buscam uma leitura reflexiva.

Foto: Mendes Fotografia

A mesa "Caminhos da Palavra" foi realizada dentro da programação da 1.ª Festa Literária da Academia de Letras de Pará de Minas, destinada à valorização de autores com vínculo com Pará de Minas que se encontrem em início de trajetória literária, promovendo o diálogo sobre processos criativos, publicação e perspectivas de formação no campo da escrita. A partir de inscrição prévia em chamada pública, foram selecionados três escritores, que participaram de uma conversa mediada pela presidente da ALPM, Carmélia Cândida.



14 de abril de 2026

Caminhos da Palavra: Rodrigo Campos e a vida de Meireles

  

Foto:Mendes Fotografia

O livro "A República de Meireles" foi apresentado na mesa-redonda "Caminhos da Palavra" como obra de estreia no mundo literário de Rodrigo Silva de Oliveira Campos. Nascido em Pará de Minas, possui uma carreira como empresário do setor de defesa e segurança e se interessou pelo resgate da identidade cultural de pequenas comunidades, utilizando a escrita para documentar essas histórias. Lançou, então, sua primeira publicação, nascida da vontade de eternizar os muitos casos ouvidos na localidade de Meireles, povoado da zona rural de Pará de Minas, dividido da sede pela Serra do Caracol. 

A República de Meireles é uma publicação que resgata mais de cem anos de história do povoado. Rodrigo Campos se dedicou a compilar histórias, personagens e aprendizados da comunidade, destacando características fundamentais como a resiliência da população frente às provações enfrentadas, a forte união familiar e a sabedoria popular dos moradores. Além de reconstituir o passado, o livro aborda as lutas presentes da comunidade, documentando conquistas já alcançadas e reivindicações para melhorias na qualidade de vida. Mistura prosa poética, relatos documentais e a tradição oral. O livro é recheado de "causos", personagens pitorescos e mistérios locais.

Rodrigo Campos ressaltou que a obra pertence a toda a comunidade, sendo construída com a participação e o sentimento de pertencimento de seus moradores. Assim, não se coloca como autor, mas como um "escriba" que dá voz agora a essas pessoas. Coloca em evidência a importância da memória coletiva, reafirmando o valor das raízes comunitárias.

Foto: Mendes Fotografia

A mesa "Caminhos da Palavra" foi realizada dentro da programação da 1.ª Festa Literária da Academia de Letras de Pará de Minas, destinada à valorização de autores com vínculo com Pará de Minas que se encontrem em início de trajetória literária, promovendo o diálogo sobre processos criativos, publicação e perspectivas de formação no campo da escrita. A partir de inscrição prévia em chamada pública, foram selecionados três escritores, que participaram de uma conversa mediada pela presidente da ALPM, Carmélia Cândida.

 

 

13 de abril de 2026

Abertura da 1ª Festa Literária da Academia de Letras de Pará de Minas celebra a palavra em suas múltiplas formas

 

A Presidente da ALPM, Carmélia Cândida, abre a 1.ª Festa Literária
Foto: Mendes Fotografia 

A noite de 7 de abril marcou o início da 1ª Festa Literária da Academia de Letras de Pará de Minas com uma abertura que reuniu diferentes linguagens artísticas e colocou a palavra no centro da experiência. Com o tema "Quando a literatura te abraça", o evento, aberto ao público, se estendeu por quatro dias, com atrações diversas: contação de histórias, conversa com escritores estreantes, encontro com clubes de leitura e aproximação com escolas da cidade.

  

No Teatro Municipal,uma noite literária
 Foto: Mendes Fotografia

 A abertura foi realizada no Teatro Municipal Geraldina Campos de Almeida. A cerimônia teve início com a apresentação de Ana Cláudia Saldanha e Júlio Saldanha, que, por meio da música e da literatura, conduziram o público a um momento de sensibilidade e encontro. Parceiros na vida e na arte, o casal reafirmou, em cena, a trajetória dedicada ao fortalecimento da cultura em Pará de Minas.

  

Ana Cláudia e Júlio Saldanha: poesia e música
 Foto:Mendes Fotografia

  
 
 A escritora Leila Ferreira fala sobre seu trabalho e sobre seu novo livro
Foto:Mendes Fotografia 
 
Na sequência, o público foi convidado à reflexão com a presença da escritora e jornalista Leila Ferreira, em uma conversa guiada pela pergunta “Quanta vida cabe dentro de uma vida?”. Com escuta atenta e participação do público, a autora compartilhou experiências, pensamentos e provocações sobre o tempo, as escolhas e os sentidos que construímos ao longo da existência.

A noite seguiu com sessão de autógrafos de obras da autora, aproximando ainda mais escritora e leitores em um momento de troca direta e afetiva
Foto: Mendes Fotografia