29 de abril de 2026

Identidade, coletividade e escuta: roda de conversa mobiliza reflexões na Academia de Letras

Alexandra Santos puxando a conversa

Falar sobre identidade preta é reconhecer que há uma história de apagamentos — mas, sobretudo, afirmar que há um movimento em curso: coletivo, vivo e em construção. Foi nesse horizonte que a Academia de Letras de Pará de Minas acolheu a roda de conversa “Identidade preta e o exercício da coletividade”, realizada pelo Grupo Reflexivamente, reunindo diferentes vozes em um espaço de escuta, partilha e reflexão.

Conduzido pela assistente social Alexandra Maria da Silva Santos, o encontro abordou os atravessamentos de raça, gênero e classe na contemporaneidade, articulando experiências individuais a processos históricos ainda presentes na sociedade brasileira. Durante a roda, Alexandra destacou a importância do letramento racial e do conhecimento como ferramentas fundamentais para a compreensão do espaço ocupado pela população negra, reforçando o caráter processual e coletivo dessa construção: “Hoje nós vivemos um momento de construção dessa identidade através do corpo, da música, do conhecimento e do letramento racial. Essa construção não se faz sozinha; nós nos construímos através da coletividade. Eu construo a minha identidade enquanto uma mulher preta convivendo com outras pessoas pretas, através da troca e de reconhecer tudo que a população negra fez e ainda faz no nosso país (...) Estamos nos construindo lentamente, em passos pequenos, mas tem acontecido".

Apresentação do grupo Cantadeiras de Engenho 

A atividade foi ampliada pela apresentação do grupo Cantadeiras de Engenho, que trouxe à cena a força da cultura popular e da memória coletiva por meio do canto, e pela participação da artista Cris Poesia, que, entre música e palavra, reforçou a dimensão sensível e política da expressão artística.

Da esquerda para a direita: Naliene Gonçalves, coordenadora do Grupo Reflexivamente, Laís Fortunato, a palestrante Alexandra Maria da Silva Santos, Cris Poesia e as acadêmicas Conceição Cruz e Carmélia Cândida

Para Naliene Gonçalves, coordenadora do Grupo Reflexivamente, iniciativas como essa são fundamentais para o fortalecimento do diálogo e da consciência coletiva no município.  Mais do que um encontro pontual, a iniciativa reafirma a importância de espaços institucionais abertos ao diálogo e à diversidade de vozes. 
Ao apoiar a realização da atividade, a Academia de Letras de Pará de Minas fortalece seu compromisso com a democratização do acesso à cultura e ao conhecimento, consolidando-se como um espaço que acolhe grupos, coletivos e pautas fundamentais para a construção social contemporânea.

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