Geraldo Phonteboa
Cadeira n.º 14
Não somos totalmente bons, mas também não somos totalmente maus. Temos valores em nós, princípios éticos, vontade e desejo de acertar sempre. Mas também há coisas que fazemos e que não temos orgulho de fazer. Quantos sentimos ruins sentimos? Somos enfim como moedas, temos duas faces. E como cada um de nós somos únicos, essas faces não são de uma mesma moeda. Cada um de nós com as nossas faces duplas únicas. Esta é a ideia que regeu os versos abaixo:
Pago aluguel e uso gravatas
Mas sei que há um monstro que mora
No avesso de mim.
Através do vidro transparente
Meu olhar faz corte elegante
De tão limpo
Como se sentisse a fome
De um estômago vazio
O ódio que sinto
Queima por dentro
Como um gelo absoluto
A construir uma catedral
Sob meus ossos.
E no salão nobre
Sob reflexos de espelhos
Danço abraçado ao egoísmo
Sob o som da indiferença
Sinto-me luz desistente
E no avesso do peito que,
De tanto se esconder,
Esquece como se traduz
O próprio nome.
Luto com todas as minhas forças
Todos os dias
Só para sair desse abismo.
E na busca de dignidade
Caminho...
Como uma moeda
Sou composto de duas faces.
A OUTRA FACE DA MOEDA
Somo gigantes de argila
Sob o peso leve da luz
Mesmo com os músculos cansados
E com as mãos trêmulas
Sustentamos o céu.
No labirinto ético
Escolhemos caminhar
Mesmo sabendo
Que todos os atalhos
Se apresentam mais seguros
E diretos.
Nossa coragem aprendeu
A rezar baixinho
Enquanto caminhamos.
Limpamos o caos
E construímos
Arquiteturas invisíveis,
Inventamos a sede de ser rio,
Mas o perdão
É mais alto que o silêncio.
Abrimos caminhos
Para que Outros
Também possam ser
Gigantes de argilas.
Luxuosa simplicidade
de nos humanizar.
E mesmo com músculos
Cansados,
E com
Mãos trêmulas
Sentimos o leve
Peso da Luz.
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Imagem: criada por IA generativa


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