11 de agosto de 2026

Academia de Letras de Pará de Minas apoia o 1º Encontro de Troca de Livros Siciliana

A Academia de Letras de Pará de Minas  - ALPM é uma das apoiadoras do 1º Encontro de Troca de Livros Siciliana, iniciativa do Clube de Xadrez Siciliana que busca incentivar a leitura, a circulação de livros e o encontro entre leitores.

A arrecadação acontece de 3 de agosto a 30 de setembro, com pontos de coleta na OAB Pará de Minas, Maxxi Química, Biblioteca da FAPAM e Câmara Municipal de Pará de Minas. A cada livro doado, o participante recebe um crédito para trocar por outro exemplar no dia do encontro.


O evento será realizado em 3 de outubro, das 9h às 11h, no Shopping Fabrika Mall, reunindo troca de livros, encontro de leitores, atividades culturais e a oportunidade de conhecer o Clube de Xadrez Siciliana.
A iniciativa reúne o apoio da Academia de Letras de Pará de Minas, OAB Pará de Minas, Maxxi Química, Shopping Fabrika Mall, Tecno Print, Pará News MG, FAPAM e Câmara Municipal de Pará de Minas, demonstrando a importância da união entre instituições, entidades e parceiros locais na promoção da literatura, da cultura e do acesso ao livro.

Ao apoiar a iniciativa, a Academia de Letras de Pará de Minas reafirma seu compromisso com o incentivo à leitura, a valorização da literatura e a realização de ações conjuntas que ampliem o acesso da comunidade aos livros e à cultura.
 

7 de agosto de 2026

ALPM presente em Fórum de Acessibilidade Cultural


No último dia 27 de julho, a Academia de Letras de Pará de Minas (ALPM) participou do Fórum Municipal de Acessibilidade Cultural. O evento — que integrou a programação do 12.º Festival de Arte e Cultura de Pará de Minas, promovido pela Secretaria de Cultura da cidade — aconteceu na Estação Cultural de Pará de Minas e foi promovido pela Midiace (Associação Mídia Acessível).

Os objetivos do encontro foram: debater a ampliação do acesso à cultura para pessoas com deficiência; apresentar soluções práticas de inclusão e promover a troca de experiências entre agentes culturais locais. Conduzido por Rodrigo Campos Alves — audiodescritor, especialista em Audiodescrição pela UFMG e pela UNESP, fundador e diretor da Midiace —, contou com uma apresentação online feita por Viviane Sarraf — pós-doutora em Museologia pela USP, doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, mestre em Ciência da Informação e especialista em Museologia pela USP. Sarraf traçou um abrangente panorama histórico, demográfico, legislativo e político do assunto, além de esclarecer termos importantes como "diversidade", "interseccionalidade" e "acessibilidade cultural". A pesquisadora apresentou também ações práticas implementadas ao longo dos anos e alternativas para o futuro do tema.

À apresentação de Viviane Sarraf seguiu-se uma experiência relacionada à audiodescrição, também conduzida por Rodrigo Campos Alves. Os participantes puderam conhecer os fundamentos da técnica e, por meio de uma atividade prática, compreender a importância dela para que as pessoas com deficiência consigam apreciar de maneira efetiva filmes e fotografias. Para tanto, os presentes assistiram a um trecho de um filme e visitaram uma exposição de fotos do renomado Sebastião Salgado, ambos contando com o recurso da audiodescrição.

 

O acadêmico Eduardo Rodrigues e Rodrigo Campos Alves

A ALPM foi representada pelo acadêmico Eduardo Rodrigues (cadeira n.º 16), que aprovou o evento: "Saio daqui com muito aprendizado. A apresentação de Viviane Sarraf foi bastante enriquecedora, pois mostrou o quanto ainda precisa ser feito pela acessibilidade cultural e o quanto ela passa 'despercebida' em grande parte das ações culturais. Já o contato com a audiodescrição foi impressionante pelo modo como a técnica permite que enxerguemos com os olhos fechados. Ouvir a audiodescrição das belíssimas fotos de Sebastião Salgado é uma experiência sublime, que recomendo a todos."

A presença da ALPM no fórum reafirma sua posição como um importante polo cultural do Centro-Oeste Mineiro, empenhado em apoiar iniciativas artístico-culturais que vão muito além das Letras. E sinaliza sua preocupação em fazer da cultura um bem que possa ser apreciado por todos.

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Viviane Sarraf é pesquisadora e professora colaboradora do Instituto de Estudos Brasileiros da USP (IEB-USP), coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Acessibilidade em Museus (GEPAM) e fundadora da empresa social Museus Acessíveis. Atua como referência nacional em acessibilidade cultural, consultoria para museus e formação de profissionais da área, além de ter sido criadora e curadora do Centro de Memória da Fundação Dorina Nowill para Cegos.

Rodrigo Campos Alves atua há mais de duas décadas na promoção da acessibilidade cultural, tendo realizado dezenas de mostras, cursos, palestras e projetos de audiodescrição em museus, cinemas, teatros e eventos culturais. É também curador da Mostra de Audiodescrição "Feche os Olhos e Veja" e coautor do livro Audiodescrição: Transformando Imagens em Palavras.
 

6 de agosto de 2026

A Encíclica "Magnifica Humanitas"

Geraldo Phonteboa
Cadeira n.º 14

Cento e trinta e cinco anos depois da Encíclica Rerum Novarum  - Novas Questões - do papa Leão XIII, publicada no ano de 1891, a Igreja Católica, através do papa Leão XIV, traz à tona uma nova Encíclica com orientações sobre como devem se comportar os fiéis católicos diante da realidade. Não se trata simplesmente de rememorar as orientações e princípios contidos na Rerum Novarum. A Magnifica Humanitas de Leão XIV é mais que uma atualização da Rerum Novarum, e isso está claramente dito em sua introdução, quando diz, em seu parágrafo 4 “hoje não podemos simplesmente repetir os seus preciosos ensinamentos, mas devemos pedir a Deus a sabedoria para interpretar as grandes tendências do nosso tempo, em particular os progressos da técnica”. Nesse sentido, a Magnifica Humanitas representa o desejo de “entrar em diálogo com todos os homens e mulheres do nosso tempo, com os quais partilhamos os acontecimentos, as questões e as aspirações da humanidade” (§2).

Deste modo, o papa Leão XIV propõe uma nova reflexão dos desafios que a humanidade apresenta para os cristãos - mas não só para eles - e insere esta reflexão como um caminho, dentro da tradição e do ensinamentos da chamada “Doutrina Social da Igreja”. E como fundamento para o diálogo, o primeiro passo é definir claramente que realidade é esta que é objeto de sua reflexão. Vejam os parágrafos 4, 5 e 6 de Magnífica Humanitas: não se trata de negar a inovação tecnológica, ou os avanços promovidos pela ciência, muito pelo contrário, é compreender e assumir esta realidade e com ela dialogar. E, na medida do possível, estabelecer algum critério ou princípio que possa garantir à humanidade a participação no sentido de responsabilizar-se pelos seus usos e escolhas diante desta realidade, salvaguardando sempre a dignidade da pessoa e a autodeterminação dos povos. Neste sentido, a Encíclica do papa Leão XIV é um apelo ético e cristão ao uso tecnológico de nosso tempo. Não se trata de uma imposição, mas de uma reflexão lúcida, corajosa e, por isso, propõe as questões: “Para onde vamos? Para que meta desejamos orientar-nos? Que direção escolher enquanto comunidade humana e enquanto povos”?

O caminho proposto pela Magnifica Humanitas para responder a estas questões parece simplista e ingênuo, pois baseia-se na dualidade, uma vez que se apresenta a partir de duas imagens bíblicas: a torre de Babel (Gn 11) e a “Reconstrução de Jerusalém” (Ne 1, 2). Mas apenas “parece”, pois ela é simples, mas não simplista, é simples porque se trata de uma escolha: para este ou para aquele caminho. Mas não é simplista, visto que tais escolhas exigem responsabilidade, compromisso e acima de tudo, assumirmo-nos como sujeito de nossa própria história - sujeito aqui não é o indivíduo, mas a coletividade, a humanidade. E que, na perspectiva da Igreja cristã, para os cristãos, requer assumir que tal escolha considera a ação do Espírito Santo que é a própria ação de Deus a conduzir o “seu povo”. Ao propor essas duas imagens, não há ingenuidade, há uma postura consciente e deliberada - portanto, responsável - não de negar a realidade tecnológica -  que não é nem bem, nem mal, nem boa, nem ruim em si mesmas - mas que podem estar a serviço da humanidade, respeitando a diversidade (de línguas, de conhecimento, de culturas, de saberes), no sentido de melhorá-la (santificá-la) ou pode estar a serviço da dominação, do controle, do aprisionamento do outro (sua condenação) (§ 8 ao 
§10).

Diante desta dualidade apresentada, a escolha da “nova” Encíclica do Papa é clara. É a escolha da “corresponsabilidade corajosa” onde “todos possam florescer” (§ 13) e que todos possam (re)construir juntos - cientistas e estudiosos, empresários e trabalhadores, educadores e legisladores, sociedade civil, movimentos populares e comunidades de fé. E aqui se apresenta mais uma argumento que reforça esta “corresponsabilidade corajosa”: a clareza de que não será uma caminho fácil, pois cheio de incertezas, de adversidades, de tensões, mas que a responsabilidade comum (corresponsabilidade) pode enfrentar e se converter em “força criativa” (§13). Esta “força criativa”, no entanto, pressupõe alguns princípios, que são, nada mais, nada menos, os princípios éticos, que na Encíclica foram traduzidos para a orientação dos cristãos pertencentes à Igreja católica, expressas através da “defesa da dignidade da pessoa, a destinação universal dos bens, da opção pelos pobres, do cuidado com a casa comum e da paz (§14).

Delineadas as bases das orientações e reflexões, a Magnifica Humanitas aprofunda seus temas em cinco capítulos, que são, por si, subsídios para o diálogo proposto pelo Papa para a Igreja, para os cristãos e com todos os homens e mulheres de boa vontade. Poderíamos dizer que, nesses capítulos, o Papa está convocando as famílias para a reconstrução dos muros da "Nova Jerusalém” que, no nosso tempo, é também simbólica, principalmente se considerarmos os últimos acontecimentos na Palestina e no Estado Sionista de Israel.

Antes de encerrar este pequeno texto, que na realidade é um convite à leitura deste novo documento da Igreja Católica (leia na íntegra aqui), faz-se necessário reafirmar que a Inteligência Artificial e todos os demais avanços tecnológicos vivenciados por nós hoje, não são tecnologias neutras, necessitam, portanto, mais do que normatizações, necessitam de criticidade e de responsabilidade em seu uso para que a dignidade humana seja preservada, cuidada e salvaguardada, independente de sua denominação religiosa.

Paz e bem!

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Imagem: Foto Oficial do Papa Leão XIV / Divulgação Vaticano 

5 de agosto de 2026

O que Hiroshima ensinou à ficção científica sobre o medo do colapso

Eduardo Rodrigues
Cadeira n.º 16

Na literatura de ficção científica, o olhar de um observador alienígena tenta decifrar por que flertamos de forma tão natural com o nosso fim

Oito décadas atrás, a humanidade, pela primeira vez, percebeu que a possibilidade da autodestruição se concretizara. Em frações de segundos, cerca de 80 mil desavisados habitantes de Hiroshima foram vaporizados por uma onda de calor que beirou os 4.000° C (para efeito de comparação, a temperatura na superfície do Sol fica em torno de 5.500º C). Embora outros eventos bélicos tenham causado mais mortes e destruição em termos absolutos — como o Cerco a Leningrado, que matou mais de 1 milhão de civis em 900 dias, seja pelos bombardeios, pela fome ou frio; ou a lendária Batalha de Stalingrado, que em 5 meses de combate ceifou a vida de 2 milhões de pessoas —, Hiroshima estabeleceu um marco por sua aterradora eficiência.

À invenção da bomba atômica se seguiu a da bomba nuclear, infinitamente mais poderosa. Felizmente, mas não sem alguns perigosos solavancos, novos ataques com bombas, atômicas ou nucleares, não se concretizaram desde então, poupando-nos da tenebrosa perspectiva de um “inverno nuclear” que dizimaria nossa civilização. Antes, porém, de celebrarmos o altruísmo e a sensatez dos líderes mundiais de 1945 para cá, devemos levar em conta que o lado sombrio dessa realidade provavelmente reside no conceito da “destruição mútua assegurada”. Em outras palavras: nenhuma potência usou uma arma nuclear contra um rival porque saberia que a reação seria tão ou mais devastadora. Mesmo assim, a Guerra na Ucrânia e a perene tensão no Oriente Médio impedem que o receio do uso de armas nucleares se dissipe no horizonte.

Estamos próximos do fim do mundo 

Para nosso infortúnio, o medo de nosso colapso civilizacional é alimentado por mais fontes. Uma delas são os eventos climáticos extremos — resultados de nossas próprias ações contra o meio ambiente — que, em termos de energia total liberada, são exponencialmente mais potentes que um artefato atômico. Um furacão de Categoria 5 equivale a explosão de 10 mil bombas; o abalo causado pelo tsunami do Japão em 2011 liberou a energia de 600 milhões de bombas de Hiroshima.

Outro elemento dessa soturna lista são as armas biológicas. Comparativamente mais baratas de produzir, quase impossíveis de se rastrear e de se controlar depois de liberadas, elas carregam um potencial de devastação incalculável. Vide a toxina botulínica, teoricamente capaz de matar 1 milhão de pessoas com apenas 1 grama de sua forma pura devidamente dispersa e inalada.

Se já não bastasse, neste século, novos itens foram adicionados ao rol de ameaças: as tecnológicas. Uma inteligência artificial geral que se torna incompreensível e foge do nosso controle; armas letais autônomas que iniciam um conflito de grande escala; manipulação genética; desinformação em massa destruindo a confiança nas instituições: as probabilidades são inúmeras.

O futuro em xeque

O curioso, no entanto, é que essa lista é composta de ameaças criadas, direta ou indiretamente, por nós mesmos. Diante disso, o que diria um observador isento, imagine um alienígena dotado de um pensamento puramente lógico? Como ele reagiria ao perceber com que facilidade nós, os homens sábios, racionalizamos nossos atos de destruição em massa e continuamos desenvolvendo artefatos que podem acabar com nossa civilização? Ou por que prosseguimos consumindo, num ritmo insustentável, os recursos naturais cruciais para nossa sobrevivência?

Em meu livro “V4T3R - Parte I: O Basilar e o Padre”, especulo um pouco sobre o comportamento desse observador isento e racional. Trata-se de um Basilar, membro de uma civilização muito mais evoluída, que se interessa pela Humanidade e suas incongruências. Sua curiosidade é tão profunda que o alienígena constrói um dispositivo que o permite se projetar na consciência de um humano para tentar entender intimamente como funciona nosso comportamento.

O primeiro hospedeiro do alienígena é um padre, em 2072. O mundo foi arruinado por mais de uma década de catástrofes climáticas, resultantes da nossa incapacidade de lidar com o assunto e nossa tendência a normalizar eventos traumatizantes. Já o sacerdote vive num ambiente desolado — uma pequena comunidade estabelecida nas ruínas de uma cidade — e trava um sério conflito interno com sua fé devido a uma tragédia pessoal. No entanto, mesmo diante de tantas adversidades, o eclesiástico consegue se manter fiel a suas decisões passadas e perseverar, desviando-se do caminho fácil do fatalismo.

Tudo isso impressiona o viajante interdimensional, que testemunha, de uma perspectiva única, o resultado de nosso impressionante colapso civilizacional. Antes de se projetar na consciência do padre, V4T3R já havia se surpreendido com as atitudes destrutivas dos humanos em relação ao planeta e ficara intrigado com o fato de nos considerarmos criaturas racionais. Considerando nossa tendência em racionalizar o irracional, creio que o alienígena não está errado.

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Imagem: criada por IA generativa