19 de dezembro de 2023

Um novo Natal, uma nova esperança!

Ailton José Ferreira
Cadeira n.º 7

 

 

Em cada Natal, a cada vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Esperança dentro de nós volta a crescer. A Esperança de paz, justiça e de um mundo harmonioso neste tempo, nos faz sentirmos que esta esperança está mais próxima! Percebemos no rosto e nas atitudes das pessoas uma alegria diferente e um espírito de amor ao próximo no ar, embriagando o Homem, ser racional, que Deus criou para perpetuar neste Planeta. Mesmo todo sofrimento que existe e toda a tristeza que presenciamos todos os dias diminuem para dar lugar à Esperança que nunca morre, e que está sempre num cantinho escondido em nosso interior, esperando se apresentar todas as vezes que for solicitada.

E será sempre assim, até o final dos tempos: Jesus Cristo irá nascer sempre e sempre, voltando para fazer crescer e animar mais ainda nossas esperanças. Ele jamais desistirá de vir ao mundo para se fazer Homem como nós, menos no pecado, e mostrar o caminho que precisamos seguir para sermos salvos. Por isso, quando falamos que o Espírito de Natal toma conta das pessoas, é porque o Menino Jesus, através do Espírito Santo, já está presente dentro de cada um, tentando fazer com que compreendamos o verdadeiro sentido da vida, do verdadeiro amor. E nesta hora, não importa cultura, crença religiosa ou filosofia de criação da vida, do Universo. O que importa é a vontade, a misericórdia que Deus tem para com a Sua criação. Mesmo que muitos não percebam ou não acreditem Nele, em seus subconscientes Ele existe, disso tenho certeza absoluta. E, por isso, Deus manda Seu Filho Amado descer ao mundo eternamente, através de Maria Santíssima, que aceitará gerá-lo quantas vezes forem necessárias para a nossa Salvação.

Já disse em outra ocasião que cientistas famosos que não acreditavam em Deus, após tantas pesquisas e estudos, acabaram se rendendo e se converteram ao Cristianismo. Porque quando tentavam provar que tudo no Universo não passava da evolução da matéria, esbarraram em alguma coisa bem superior que não podiam explicar. Acabaram acreditando que a matéria vem de uma energia inexplicável. E é assim que acreditamos. Deus é infinitamente superior a tudo que existe e, quando alguém tenta provar o contrário, não chega a lugar nenhum.

E nós, cristãos, através de um novo nascer de Cristo Jesus, é que acreditamos nas esperanças que brotam do interior da gente. Porque Ele nasce novamente em nós para fazer-nos acreditar que tudo é possível se tivermos fé e seguirmos os seus passos. E o que Jesus pede sempre é amá-Lo. E conseguimos isso se amarmos cada vez mais ao próximo, lutando por paz, justiça, solidariedade e harmonia entre todos os seres humanos.

Deixemos então que o Menino Jesus nasça livremente em nossas vidas, em nossos corações, para que a alegria não seja apenas no período natalino, mas por todos os anos vindouros. E, assim, a força do amor de Deus possa pairar sobre todas as criaturas terrenas, a Esperança possa se tornar realidade dentro do coração de cada um de nós e o Reino que Jesus nos prometeu possa estar cada vez mais presente em nosso meio.

UM FELIZ E SANTO NATAL! UM ANO NOVO DE MUITA PAZ E ESPERANÇA EM NOSSAS VIDAS! QUE DEUS ABENÇOE A TODOS!

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18 de dezembro de 2023

Noite do Reencontro - o Natal na visão das ovelhas

Conceição Cruz
Cadeira n.º 4

_ Bé! Bé! Bééé!

_ O que foi, minha filha?

_ Sonhei, Mamãe, que as ovelhas não tinham pelagem alguma, tem base?

_ Minha filha, relaxe! Foi apenas um sonho! Tome um pouco de água e recoste-se mais aqui.

_ Hummmm! Que lã mais fofinha!

_ Quer ouvir uma estória para relaxar mais?

_ Simmmmm!

_ Há muito tempo, há mais de dois mil anos, aconteceu a noite do Reencontro.

_ Mais de dois mil anos? Puxa! São muitas gerações de ovelhas, hein?

_ Se considerarmos o tempo médio de 10 a 12 anos de vida, teremos uma conta fabulosa, de dezenas de gerações, não é mesmo?

_ Verdade, mamãe! Surgiu uma dúvida aqui. Naquela época, as ovelhas viviam juntinhas também?

_ Sim, filhinha! E você sabe o motivo?

_ Para aquecer umas às outras.

_ É um bom motivo! Mais outro bom motivo?

_ Nós não lutamos como os tigres e os outros animais. Por isso, vou arriscar mais um: é uma forma de defesa!

_ Muito bem! Dormimos pouco, atentas aos nossos possíveis predadores, mas, a melhor defesa mesmo é ouvir a voz do Pastor.

_ Verdade! Continue, Mamãe, pois não vejo a hora de chegarmos à “Noite do Reencontro!”

_ Em um lugar muito distante, além do mar, numa região de montanhas em forma de meia lua... Mais precisamente, nas proximidades de Belém...

 _Belém? De Bé! Bé! Bé! Além?

_ Sim. Sorri mamãe ovelha. Nos arredores, em hebraico, de “Beit Lehem”, que significa a Casa do Pão.

_ Casa do Pão?

_ Sim, filhinha!

_ Certo! Fiquei aqui pensativa, pois nós não nos alimentamos de qualquer coisa, sempre optamos por vegetais novos, verdinhos e macios...

_ Sim. Fique tranquila! Você ainda é só uma ovelhinha e, quando você aumentar o seu tamanho, você entenderá, até mesmo, a razão da “Casa do Pão” para o verdadeiro Ser Humano!

_ Puxa! Nasci ovelha! Estou crescendo ovelha! Morrerei ovelha! Mas, neste momento, adoraria virar um Ser Humano, como você disse! O que aconteceu nos arredores de “Beit Lehem”?

_ Lá, um rebanho e um pastor estavam muito cansados e cochilaram. Havia também uma ovelha mais velha que tinha uma filhotinha, bem novinha, igual a você, juntinho dela, o qual observava a natureza, com a sua visão periférica.

- Parece que, para as ovelhas, não é fácil a visão de frente, não é mesmo?

_ Pois é! E eis que aparece bem ali, do nada, uma luz pequena, indo na direção da orelha dela. Ela observa e vê um vagalume que voa para lá e para cá. Ela se levanta e começa a seguir aquela pequenina luz.

_ Então, mamãe?

_ Todos dormiam, ela afasta-se do rebanho. E vai para longe. Muito longe. Como você sabe, somos míopes e, habitualmente, não enxergamos há mais de 10 metros de distância. Por um instante, ela teve a sensação de que o vagalume havia desaparecido.

_ Desaparecido? Como?

_ Surgiu no céu, o clarão de uma estrela que ofuscou todas as demais luzes!

A ovelhinha, sentindo-se perdida, longe dali, deixa de seguir aquela luz menor e passa a se guiar por aquela luz maior.

_ Senti até um friozinho, mamãe! Ovelha desgarrada!

_Nem imagine isto, minha filha! O pastor desperta e o seu rebanho também. Percebem que falta uma ovelhinha! Eles saem, em plena escuridão da noite, em busca da ovelha perdida...

_ Que luz irresistível!

_ Sim! Extremamente! A ovelhinha, agora seguindo a luz maior, chega até a uma estrebaria, onde encontra um casal que parecia ter vindo de outro lugar com uma criança dócil e meiga. Imediatamente, a ovelhinha se aproxima da criança para lhe oferecer o seu calor com sua lã e fica ali juntinho dela. Em seu coração, nasce um forte desejo de também reencontrar a sua família...

_ Mamãe! E aí?

_ “O Bom Pastor dá a vida por suas ovelhas!” Lembra-se disto?

_ Sim.

_ Então...  Todo o rebanho segue o seu Pastor à procura da ovelha desgarrada. O Pastor canta para acalmar as ovelhas. Eles prosseguem na busca, com seus corações cheios de esperança e, de repente, acima da cordilheira surge, para eles, aquela luz maior.

Espontaneamente, seguem aquele brilho e encontram a estrela que paira, exatamente, sobre a manjedoura. Todos ali param em adoração ao Menino Luz.

_ E reencontram a ovelha desgarrada?

_ Sim. Eles se aproximam do Menino Deus.

E a ovelha, antes, perdida, também.

Todas as ovelhas daquele rebanho _ agradecidas _ ofereceram suas lãs para agasalhar o Menino.

Uma grande emoção invadiu o coração da ovelha desgarrada e das outras ovelhas também.

Naquele momento do encontro com o Divino, os seres ali presentes ouviram a voz d’Aquele Bom Pastor e todos se encontraram e se reencontraram. E a Paz reinou sobre a Terra.

_Talvez, por isso, é que a nossa lã sempre cresce muito até nos dias de hoje, Mamãe?

_ Talvez. Ou, quem sabe, para que possamos doá-la para aquecer outros seres, minha filhinha?

_ Bééé!  Não vejo a hora disto acontecer!

_ Em breve, você terá a sua primeira tosa e sentirá tanto a alegria de doar quanto a de ver os fios, rapidamente, crescerem! Quanto mais doamos, mais recebemos!

_ Parece mágico, hein, Mamãe?

_ E não é? Bééé! Para você também, filhinha!

E antes que mamãe ovelha balisse qualquer coisa mais, a ovelhinha adormeceu feliz a sonhar com a Noite do Reencontro...

Natal/2023

 

Aproveito a oportunidade para agradecer a atenção e o carinho de cada um dos nossos leitores, com o forte desejo de que possamos ouvir e seguir a voz do nosso Bom Pastor em todos os instantes de 2024.

Um Santo Natal e um feliz e abençoado ano vindouro!

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15 de dezembro de 2023

Escritoras lançam Agenda Poética em Pará de Minas

Organizada pela escritora Fátima Peres (Cadeira n.º 15), integrante da Academia de Letras de Pará de Minas, foi lançada no último dia 13 de dezembro a coletânea Agenda Poética 2024 (Editora Todavoz). 

A obra contém poemas de 12 escritoras, em cada mês do calendário: Lígia Muniz (Cadeira n.º 13), Carmélia Cândida (Cadeira n.º 2), Fátima Peres (Cadeira nº 15), Renata Teixeira (Cadeira n.º 3), Regina Marinho (Cadeira n.º 6), Malluh Praxedes (Cadeira nº 19), Ângela Xavier (Cadeira nº 1), Conceição Cruz (Cadeira n.º 4), Elma Leite, Idê Ferreira, Terezinha Pereira e Andréa Moreira. Tem capa e ilustração de Alex Coelho e apresentação de Constância Lima Duarte.


Pedidos para a editora: todavozeditora@todavozeditora.com.br.

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26 de novembro de 2023

Beleza Negra


Conceição Cruz
Cadeira n.º 4
 


Tenho a grata alegria de trazer três melodias no meu mais novo EP, intitulado Beleza Negra, neste mês que mais versa sobre a Consciência Negra – novembro - com a participação de:

- Sou Negra, letra de Rosely Couto;

- Saudades do Escravo, letra de Bonifácio Andrada;

- Filha do Sol, letra de Conceição Cruz.

Vou comentar um pouco sobre o processo de criação de cada uma delas para que talvez você possa desfrutar dele também, começando pela intrigante letra de escritor já falecido.


Saudades do Escravo

Há algum tempo, em minhas leituras diárias [1], encontrei em “Poemas brasileiros sobre trabalhadores – uma antologia de domínio público”, 2011, FALE/UFMG, BH, organização de Antônio Augusto Moreira de Faria e Rosalvo Gonçalves Pinto, fls. 68/69, um belíssimo texto atribuído à Luiz Gama. Em outros sites [2], deparei-me com a informação [3] de que a autoria do texto é de José Bonifácio de Andrada e Silva [4] o qual presenteou Luiz Gama com ele. A esta altura, a questão da autoria foi superada pela melodia que “brotou” imediatamente em mim...

Toda a emoção daqueles versos havia me tocado e eu estava bastante sensibilizada com a ideia de ter livre o coração enquanto a saudade saltava à vista. Senti toda aquela saudade, aquela coragem, com o som de bichos da mata na escuridão, contrastando com sons alegres de instrumentos que evocam a nossa ancestralidade - mãe África - além da força e da esperança.

Daí, resolvi preservar, ao máximo, a integralidade do poema e efetuei os registros na ABRAMUS, com o crédito da letra para o autor já falecido e melodia de minha autoria.

Sou Negra
(Letra de Rosely Couto)

Sabe quando a gente depara com uma mensagem escrita no grupo de WhatsApp que tem som e cor de música? Foi, exatamente, o que encontrei em um pequenino texto de sua autoria, o qual despertou em mim a melodia ali trazida.

Apesar de, pessoalmente, nunca a ter encontrado, seus versos altamente musicais me impeliram a superar a hesitação e a conseguir a autorização para prosseguir com o trabalho, na qualidade de compositora e também de produtora musical.


Filha do Sol
(Letra e melodia de minha autoria)

O poema veio por meio de um sonho: nele, o texto foi tratado como música. Acordei, escrevi o poema e não encontrei ali, naquele material, a composição melódica. O texto original foi publicado no blogue da Academia de Letras de Pará de Minas – ALPM.

Passados alguns dias, a melodia surgiu em meus pensamentos, porém, o texto longo não se encaixava na cantoria. Enxuguei, reescrevi, fiz as devidas alterações para feitura de um estandarte com o texto bordado com linha amarela em tecido negro para exposições literárias. Inexplicavelmente, nasceu a melodia!

Gê Lara com a participação especial do Coral

Após todo o trabalho da fase inicial, Gê Lara, grande músico de Divinópolis, a quem agradeço imensamente, fez os arranjos, agregou as vozes do coral e transformou letras e melodias em canções agradáveis, capaz de impregnar os nossos sentidos com o desejo de ouvi-las e de cantá-las mais e mais. 

O lançamento será no dia 8 de dezembro. A partir deste dia estará disponível na plataforma de sua preferência (clique aqui).
 
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Notas:
[1] https://www.letras.ufmg.br/site/e-livros/poemastrabalhadores-site.pdf
[2] https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/7611731/mod_resource/content/1/LigiaFerreira.pdf, fl. 23
[3] https://www.revistas.usp.br/rfdusp/article/download/67219/69829/88632,
[4] https://www.scielo.br/j/alm/a/VHv5qzZC3wSXkGpp9scs5TN/?format=pdf&lang=pt


 

5 de agosto de 2022

Ei, moço!

Conceição Cruz
Cadeira n.º 4





Ei, moço!

Ei, moço da cidade grande!
Você já viu um calango?
Já ouviu falar da urutu?
Já viu cerca de mandacaru?
Ei, moço da cidade grande!
Já bebeu da água da cabaça?
Já comeu numa gamela?
Já viu flor de beringela?

Ei, moço da cidade grande!
Já se perdeu no canavial?
Então não ria do matuto
pela primeira vez na capital.
Então não ria do matuto
pela primeira vez na capital.

Ei, moço da cidade grande!
Você já viu um calango?
Já ouviu falar da urutu?
Já viu cerca de mandacaru?
Ei, moço da cidade grande!
Já bebeu da água da cabaça?
Já comeu numa gamela?
Já viu flor de beringela?

Ei, moço da cidade grande!
Já se perdeu no canavial?
Então não ria do matuto
pela primeira vez na capital.
Então não ria do matuto
pela primeira vez na capital.

Ei, moço da cidade grande!
Ei, moço da cidade graandeee!

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Letra: Roberto Caroli

Melodia: Conceição Cruz

Cifra, partitura e harmonização: João Evaristo Silveira Júnior

Arranjos e voz: José Antônio de Sousa Pinto (Grillo)