1 de maio de 2026

O repouso dos dias

Márcio Simeone
Cadeira n.º 8


Das primaveras do outro hemisfério emerge maio, o mês da fertilidade, da abundância e do crescimento, tipicamente primaveril, que na minha aldeia, no sul, se inverte. Vive-se uma contração quase silenciosa da natureza, um tempo de respiro onde o calor se esvai, às vezes apressado por frentes polares e no qual os dias repousam. A natureza fica pensativa, o entardecer enrubescido chega mais cedo do que eu mesmo gostaria, decretando a noite antes que tenha terminado as tarefas do dia e esgotado todas as expectativas e promessas. Neste momento somos nós um solo que descansa e se prepara para novo plantio; ao menos assim trazemos à lembrança a deusa que lhe dá o nome, da fertilidade e da projeção da energia vital e nos preparamos para as agitações festivas do início do inverno. Meu maio não é de Maia, mas de Maria. Mês de mães e coroações, tempo de consagrar-se. É o mês das lutas do trabalho.

Do tempo da minha infância ele é o das caminhadas para a aula bem cedo, na manhã fria, com minha respiração a soprar fumaça, do corpo com mais preguiça de acordar e a mente a esperar novidades, das abluções em água pouco amistosa. Também quando começavam as inspeções de mãe e pai se vamos cobertos e devidamente agasalhados. Era a hora em que mantas e cobertores se redescobriam funcionais; no qual as roupas mais grossas despertavam da sua sonolência e lentamente fugiam do armário em busca de sol e na expectativa de alguma elegância. De longe, trago à lembrança minhas mãos a segurar uma caneca aconchegante de chocolate quente, aquela que seria, doravante, grande e valorosa companheira para enfrentar este e os próximos meses, mente e corpo agraciados com ternura e calor.

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Imagem: Criada por IA generativa 

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