1 de junho de 2026

Festa, romance e devoção

Márcio Simeone
Cadeira n.º 8

Ah, Juno, esposa de Júpiter, protetora dos matrimônios e das mulheres! Viajando pelos séculos, empresta seu nome ao mês festivo, intenso, repleto de outros cultos e devoções, mas propício aos casamentos, ainda que humoristicamente simulados. Casam-se também o fogo com o frio, o sagrado com o profano. Neste momento, celebram-se as expectativas românticas dos enamorados. Um mês de danças e brincadeiras ao redor de fogueiras, onde se erigem mastros para louvar Antônio, João e Pedro. O som das festas populares explode por todo canto, mas ainda há celebrações domésticas, nos quintais, com aconchego de bebidas quentes. É quando o outono solta suas últimas folhas para virar mais uma página e o amanhecer é cheio de orvalho.

Junho da minha infância é do prenúncio das férias de escola. Cheio de bandeirinhas coloridas e dos sabores de pipoca, canjica, pé de moleque e quentão de gengibre. Das quadrilhas marcadas em francês, aquela melodiosa ciranda ao som dos acordeons. Na minha memória é de lua cheia que brilha o mês inteiro, anunciando manhãs de névoa densa a ser rompida com pão quente e café da hora. Hoje junho é minha experiência mística, onde se recupera o perdido e cede o mar bravio em pleno furacão, pela intercessão do Santo Antônio, inspirador de esperança, humildade e caridade.

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Imagem: Criada por IA generativa 

 

Um comentário:

  1. Sempre fui devota do Trio e mais simpatizante com a ligação profetica e Cristica de São João antes mesmo de seu nascimento.
    Agora, São Pedro incultia-me um grande silêncio... Talvez para que me esquecesse ao abrir as portas do céu e pudesse me deixar por mais tempo aqui.

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